
Monica Amorim Gonçalves*
O Congresso Nacional de Saneamento e Meio Ambiente realizado em São Paulo na última semana destacou a relação intrínseca entre água, saneamento e saúde. A falta de saneamento básico está associada a internações e mortes, principalmente de crianças e jovens que custaram, em 2017, R$ 100 milhões ao Sistema Único de Saúde (SUS). De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), para cada dólar gasto com água e saneamento são economizados quatro com saúde. Um estudo de empresas do setor de água e esgoto mostra que a universalização do saneamento no Brasil pode gerar uma economia de R$ 1,4 bilhão anuais nos gastos com saúde.
35 milhões de brasileiros vivem sem acesso à água potável, 100 milhões não tem acesso à coleta de esgotos e 45% dos esgotos são despejados nos rios sem nenhum tratamento. Nos processos de planejamento de recursos hídricos, a falta de tratamento de esgotos é o principal problema para a qualidade das águas.
O processo de integração das áreas de recursos hídricos, saneamento e saúde é um dos grandes desafios a ser enfrentado pelos gestores públicos para que possamos atacar a causa de graves problemas que atingem milhões de brasileiros
Os planos de saneamento, diagnósticos da situação atual com determinação de metas para melhoria nos serviços, podem ajudar a equacionar os problemas. No Espírito Santo, de acordo com o IBGE, em 2017, 29 municípios tinham planos de saneamento elaborados embora alguns ainda sem regulamentação, 36 estavam em elaboração e 13 não tinham iniciado o plano. 63% dos municípios capixabas ainda não concluíram seus planos de saneamento. A média nacional é de 58,5%. No mesmo ano, mais da metade dos municípios do Espírito Santo tiveram registro de endemia ou epidemia de doenças relacionadas à falta de saneamento básico.
O processo de integração das áreas de recursos hídricos, saneamento e saúde é um dos grandes desafios a ser enfrentado pelos gestores públicos para que possamos atacar a causa de graves problemas que atingem milhões de brasileiros. A elaboração e implantação dos planos de saneamento e dos planos de recursos hídricos, com participação social, podem contribuir para que tenhamos recursos públicos empregados com responsabilidade, água em boas condições e saúde de qualidade.
*O autor é doutora em Recursos Hídricos