Acho prematuro expressar comentários a respeito da morte trágica da vereadora do PSOL-RJ Marielle Franco, na madrugada do dia 14 de março, assassinada no interior de seu veículo, junto com um motorista.
Milhares de pessoas morrem assassinadas diariamente no Brasil, mas não se esperava que a morte da vereadora pudesse ocasionar tamanho estardalhaço, através das mídias, enquanto as redes sociais espalhavam vídeos com pronunciamentos da vereadora dando uma espécie de indicativo para sua personalidade forte, acostumada a pronunciamentos exaltados, denunciando ações policiais nas favelas, como a do Salgueiro, onde bandidos fortemente armados foram mortos em ação policial.
O país foi tomado por uma espécie de assalto por grupos marginais capazes de tudo, até de inviabilizar a intervenção militar no Rio de Janeiro
Marielle não poupou a Polícia Militar em nenhum momento, mas afirmar que sua morte teria sido por este ou aquele motivo requer uma apuração com muita isenção dos acontecimentos, para apontar culpados.
Estamos vivendo instantes difíceis na nação brasileira. O país foi tomado por uma espécie de assalto por grupos marginais capazes de tudo, até de inviabilizar a intervenção militar no Rio de Janeiro, porque ela se concentra nas favelas onde estão os focos de marginais que ali se instalaram a partir das décadas de 70/80, e se transformaram num câncer difícil de ser extirpado, sem ocasionar muitas mortes.
Pode ser que a vereadora Marielle Franco seja uma das vítimas dessa violência que estamos falando. Teria sido contaminada depois de assistir um mundo de tragédias sem poder solucioná-las, como seria do seu intento, sendo tragada pelos acontecimentos.
Seus pronunciamentos inflamados, na Câmara dos Vereadores, a troca de acusações mútuas com seus pares, sempre dispostos ao bate-boca desconstrutivo, acirrava os ânimos, porque todos perderam a noção do diálogo, do entendimento.
Talvez a morte de Marielle Franco seja um novo despertar, uma forma de repensar uma situação que, nos parece, estar sem jeito. Antes que morra muita gente, trucidadas como a vereadora, é preciso que se encontre uma forma de mediar as forças em conflito, que são muitas, porque existem bandidos de várias facções à solta nas favelas do Rio. E, a impressão que tenho é que, se não ocorrer muitas mortes, nada resolverá.
*O autor é jornalista