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Vitor Jubini | GZ
Troca de comando

Disputa por liderança de facção leva terror a bairros de Vitória

O chefe do Primeiro Comando de Vitória, o PCV, Carlos Alberto Furtado, o Beto,  está sendo considerado velho e pouco arrojado para a função.  A disputa pela vaga está causando conflitos entre os traficantes e membros da facção

Vilmara Fernandes

Colunista

vfernandes@redegazeta.com.br

Publicado em 17 de Fevereiro de 2020 às 20:38

Publicado em

17 fev 2020 às 20:38
Carlos Alberto Furtado, o Beto, líder do Primeiro Comando de Vitória (PCV) Crédito: Vitor Jubini | GZ
A liderança da facção criminosa Primeiro Comando de Vitória, o PCV, está ameaçada. A disputa pela vaga de Carlos Alberto Furtado, o Beto, há quase uma década no poder, está gerando instabilidade entre os traficantes e estaria por trás dos conflitos e ataques a ruas e bairros de Vitória e até de outros municípios.  A reportagem teve acesso a investigações que revelam uma briga que pode estar longe de acabar. 
Há informações de que até na Penitenciária de Segurança Máxima II (PSMA II), de onde Beto gerencia sua equipe, as ordens dele já não são as que prevalecem. Outro traficante estaria assumindo o posto de "01" e ditando as decisões que, inclusive, estariam sendo respeitadas não só por Beto, mas também por outras lideranças do PCV detidas no mesmo local.
Ainda segundo as investigações, a liderança de Beto, que hoje tem 40 anos, está ameaçada porque ele passou a ser visto pelos comparsas como um "criminoso velho". E mais: traficantes indicam que "ele deixou de ser arrojado e que tem medo de morrer".  
Segundo investigações,  membros do PCV queriam promover uma série de ataques a equipamentos públicos e privados, como ruas, prédios e sedes de serviços, no final do ano passado. No entanto, a proposta foi recusada por Beto. A decisão gerou revolta e, para acalmar os ânimos de algumas lideranças insatisfeitas, o chefe da facção teve que ceder algumas bocas de fumo.
 Em paralelo, há lideranças que já estariam até desvirtuando a meta de expansão da facção, que era de tomar o maior número de bocas de fumo dos rivais. Ao invés disso, eles estão decidindo ficar com a posse das novas bocas,  não respeitando as diretrizes do grupo criminoso. 
E com o enfraquecimento de Beto, preso há quase 10 anos, começaram a aparecer os prováveis substitutos.
QUEM ESTÁ NA DISPUTA?
João de Andrade, Joãozinho da 12, traficante do Bairro da Penha Crédito: Sejus
Na lista dos que querem a posição de comando estão aliados bem próximos, como João de Andrade, o Joãozinho da 12. Assim como Beto, ele está no Presídio de Segurança Máxima II (PSMAII), em Viana. Do lado de fora conta com o apoio de seu irmão, uma das lideranças do PCV, Geovani Andrade, o Vaninho. O problema que ele é também está sendo considerado "velho" para a liderança, assim como Frajola, outro aliado de Beto, da área de Terra Vermelha, em Vila Velha.
Mas há outro traficante, dentro da própria PSMA II, já sendo considerado pelos membros do PCV como o novo "01". É o caso de Cosme de Aguiar Andrelino (que também tem o nome de Vitor Santos Silva). Na rua, ele teria o apoio do "02", um parceiro que está em liberdade e cujo nome não será divulgado por não haver, no momento,  mandado de prisão contra ele. As ordens de Cosme já estariam até sendo respeitadas por Beto, Joãozinho e Frajola.
Cosme de Aguiar Andrelino, também usa o nome de Vitor Silva Santos Crédito: Sejus

SINAIS DA PERDA DA LIDERANÇA

Conflitos recentes na Grande Vitória são exemplos do que a disputa pelo comando do PCV já está causando. Na última sexta-feira (14), diversos ataques foram praticados em vias importantes de Vitória, houve toques de recolher em bairros da Serra e ameaças em Vila Velha, após a morte do adolescente Caio Matheus Silva Santos, de 17 anos.
Conhecido como Três Bocas, em fotos divulgadas nas redes sociais Caio aparece portando armas e com a simbologia de membros da cúpula da facção. Nas redes sociais, é informado que ele era da "Tropa do Marujo" e ligado a Joãozinho da 12. É chamado de "filho do homem", mesma identificação que também utilizava em suas redes sociais. 
Tiros de fuzil são dados na região conhecida como Pedrinha, onde Caio Matheus teria morrido Crédito: Reprodução
DISPUTA PELA PIEDADE
A Piedade vive conflitos mais severos desde 2018, com várias mortes, reflexo da expansão do território promovido pelo PCV (Bairro da Penha). Os traficantes locais, da família Ferreira Dias, acabaram sendo expulsos do local. A situação se complicou no início de fevereiro deste ano,  em outra ocorrência que envolveu também as comunidades de Moscoso e Fonte Grande. Houve nova tentativa de um dos irmãos Dias de retornar para a Piedade, o que acabou sendo rechaçada com violência e trocas de tiros.
Informações da polícia apontam que o ataque teria sido promovido por cerca de 15 homens encapuzados, que usaram duas entradas entre a região de Piedade, Moscoso e Fonte Grande, para agir. A ordem teria partido dos Irmãos Vera, de Itararé, que são tidos como aliados do PCV, mas que decidiram agir sozinhos. 
O fato acabou irritando lideranças do PCV em liberdade - aliados de Beto - como Vaninho e Fernando Moraes, o Marujo, em decorrência das repercussões. Após o ataque, a Polícia Militar decidiu ocupar a região do Bairro da Penha com a Operação Anóxia. 
Vaninho (esquerda) e Marujo são os mais procurados do PCV Crédito: Divulgação/PCES
TOQUE DE RECOLHER
A lista de conflitos desencadeados pela disputa contempla ainda toques de recolher em vários municípios e, ainda da mais recente, uma briga pelo controle do tráfico da Ilha do Príncipe, no final do ano passado, que resultou em mortes.
Segundo as investigações, para que o controle do PCV sobre os bairros não seja afetado, Beto estaria sendo pressionado a tomar uma atitude para permanecer no comando.
E apesar de Cosme e o "02" já serem apontados como novos líderes da facção e favoráveis a ataques mais violentos, há informações de que eles só tomariam a atitude extrema respaldados pelo apoio de Beto, Joãozinho da 12 e Frajola. Sem isto, temem pela vida dos aliados e a uma possível perda de armas.

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