Com mais de 17 mil participantes, a 34ª edição das Dez Milhas Garoto, realizada neste domingo (28), reafirmou seu status como a maior corrida do Espírito Santo, simbolizando superação e inclusão. A largada ocorreu às 6h35 na Praia de Camburi, em Vitória, reunindo tanto atletas de elite quanto amadores em busca de seus próprios desafios.
A edição de 2025 atraiu competidores de todos os estados do Brasil e até de outros países, incluindo veteranos e estreantes. Nubia de Oliveira, baiana de 23 anos, emocionou o grande público presente ao chegar em primeiro na categoria principal, com um tempo de 57 minutos e 27 segundos, em sua primeira participação na prova. A brasileira desbancou favoritas de fora do país, como a queniana Viola Jelagat, campeã em 2024, e somou R$ 40 mil em premiação.
"Feliz demais, foi uma sensação surreal. Eu tinha muita vontade de participar desta prova, muito famosa. Esse ano deu certo, graças a Deus, e me tornar campeã é motivo de muita alegria. A gente se dedica muito para chegar aqui, e eu saí de casa com o objetivo de ser campeã. Esse é o objetivo de nós que somos atletas. Saí de casa com a mente positiva e eu carreguei durante todo o percurso cinco palavras: fé, resistir, acreditar, vencer e objetivo, e Deus me fez forte do início ao fim. É uma prova linda, a energia do pessoal aqui é surreal demais e espero voltar aqui no ano que vem", disse Nubia.
Outro estreante foi o quinto colocado geral e melhor brasileiro da corrida, Gleison da Silva, que finalizou a prova com 50 minutos e 4 segundos. O veterano de 31 anos competiu pela primeira vez na Dez Milhas Garoto e se encantou com o percurso e com a recepção dos capixabas. "Do primeiro quilômetro até o último é uma energia surreal do povo. É uma prova brilhante, recomendo muito a quem quiser participar, todos os trechos são lindos, lindos demais", disse o pernambucano.
Emoção na linha de chegada
Histórias de companheirismo e superação é o que mais marcam a corrida de pouco mais de 16 quilômetros mais tradicional do Espírito Santo. Um exemplo disso foi a dupla Rodrigo e Eduardo, formada por um guia e um corredor com deficiência visual, respectivamente. "Eu estou aqui como guia do Eduardo, atleta bruto. Fizemos um provão aí, foi muito bom. É a quinta vez que eu participo, sendo a primeira como guia, e é uma sensação inexplicável, show de bola", disse Rodrigo.
"Eu queria agradecer porque eu só estou aqui participando dessa corrida porque meu parceiro aqui foi meu guia. Sem guia, eu não poderia correr, então assim, o meu esforço, o treino, mas o mérito muito grande dele, que abdicou da prova dele para me levar até a linha de chegada", respondeu Eduardo, ambos de Ipatinga, Minas Gerais.
Além de estreantes, a prova chegou à sua 34ª edição, e também conta com corredores veteranos que participam desde as primeiras corridas, como é o caso de Ernani, de 70 anos, que correu a prova pela trigésima vez, e garantiu que o segredo para viver tanto tempo completando provas como esta é a atividade física regular.
"Trigésima Garoto na conta, com 70 aninhos de idade. Já são dez maratonas, primeira no Rio, décima em Lisboa-POR. Há 63 anos praticando atividade física, faço crossfit, stand-up, fui daqui ao Rio de Janeiro pedalando para comemorar os meus 65 anos, e é isso aí. Só saúde! Pressão 10, glicose 10, tudo perfeito, graças a Deus", disse Ernani animado.
Resultados
Na categoria Elite masculino, domínio no pódio de atletas africanos. O corredor de Uganda, Mark kiptoo, bateu o campeão de 2024 e se consagrou o grande vencedor da prova, com apenas 19 anos. O atleta cruzou a linha de chegada com o tempo de 46 minutos e 54 segundos, após liderar brigar pela posição com o vice, o queniano Nicolas Kiptoo Kosgei. Dismas Nyabira, também do Quênia, e Yeneblo Biyazen, da Etiópia, completam o top-4. O pernambucano Gleison da Silva terminou em quinto, fechando o pódio.
Já no feminino, duas brasileiras entre as cinco melhores da prova. Além de Nubia, a campeã, Amanda Aparecida, de 37 anos, ficou com a quarta colocação, cruzando a linha de chegada com um tempo de 57 minutos e 30 segundos. Desta Abera, da Etiópia, e Emily Chebet, de Uganda, ficaram com o segundo e terceiro lugar respectivamente, e Viola, também do Quênia e vencedora da corrida do ano passado, fechou o pódio.
Masculino - Elite
- Mark Kiptoo (Uganda) - 46m54s
- Nicolas Kiptoo Kosgei (Quênia) - 46m59
- Dismas Okioma (Quênia) - 48m27s
- Yeneblo Alehegn (Etiópia) - 49m36s
- Gleison Santos (Brasil) - 50m04s
Feminino - Elite
- Núbia Silva (Brasil) - 57m27s
- Desta Demise (Etiópia) - 57m28s
- Emily Chebet (Uganda) - 57m29
- Amanda Oliveira (Brasil) - 57m30s
- Viola Kosgei (Quênia) - 57m31s
Masculino - Capixaba
- Marquézile Piu - 56m06s
- Jonilson Prates - 56m39s
- Márcio da Silva - 57m56s
Feminino - Capixaba
- Carolina Silva - 01h08m12s
- Yries Pereira - 01h09m10s
- Marina Ramalhete - 01h09m07s
Cadeirantes
- Leonardo de Melo - 40m33s
- Carlos de Jesus - 40m31s
- Rogério LIma - 46m43s