No último sábado (12), quem assistia ao jogo entre Dinamarca e Finlândia pela primeira rodada da Eurocopa passou por momentos de apreensão e medo quando o meia dinamarquês Ericksen, de apenas 29 anos, sofreu um mal-súbito e caiu no campo no final do primeiro tempo. Por cerca de 15 minutos o jogador não demonstrava sinais vitais, mas foi reanimado em campo com massagem cardíaca e descargas provenientes de um desfibrilador.
A situação vivida por Ericksen já ocorreu também no Espírito Santo. Quando era jogador de futebol de areia, Camilo Cavalcante se viu em apuros durante a realização de uma partida do Campeonato Capixaba há mais de uma década, quando "apagou" no meio do jogo. As cenas do dinamarquês o fez lembrar do que passou em quadra.
"Realmente volta à tona tudo o que passei há 12 anos. É uma situação muito difícil, principalmente para quem está assistindo. Para quem passa por isso, é tudo muito rápido, foi um descompasso cardíaco que senti naquele fatídico dia 21 de março de 2009. Em menos de um segundo senti a perna ficar mole, a vista escureceu e apaguei", recordou-se.
SOBRE A RECUPERAÇÃO
Enquanto a carreira como atleta profissional de Ericksen ainda é incerta, Camilo se recuperou plenamente e deu detalhes deste processo em entrevista ao Bom Dia ES, da TV Gazeta, na manhã desta segunda-feira (14). A diferença dos dois casos foi que o capixaba já havia tido um primeiro desmaio anterior ao sofrido enquanto jogava.
"Cerca de seis meses antes eu tive um primeiro desmaio também jogando. Mas foi apenas neste segundo que os médicos me alertaram haver algo errada, pois não era hipoglicemia, insolação ou falta de alimentação. Entre um desmaio e o outro, fiquei este período todo treinando, jogando, nada aconteceu e levei minha vida normal. Mas aí veio o segundo desmaio e então fiz uma investigação mais detalhada, com um especialista em arritmia cardíaca, o doutor Aloísio Simões, e ele descobriu o que eu realmente tinha", explicou Camilo.
Vivendo grande fase esportiva, inclusive convocado para a seleção capixaba e brasileira da modalidade, o ex-jogador custou a acreditar que tinha um problema no coração. Para se tratar, Camilo foi para São paulo, ficou internado por um mês, realizou uma bateria de exames e o diagnóstico confirmou a suspeita do médico capixaba: o atleta tinha uma arritmia cardíaca grave, sendo necessária a correção através de uma cirurgia para um implante de um desfibrilador.
Desde então Camilo segue com o equipamento no próprio corpo e usa medicação controlada para evitar oscilações nos batimentos cardíacos. Recuperado, o ex-jogador de futebol de areia mantém uma rotina de exercícios que inclui caminhadas, corridas de curta distância e joga futevôlei, mas com moderação.
Já com o desfibrilador implantado, Camilo por duas vezes viveu situação semelhante e sentiu como o equipamento agiu rapidamente para evitar um novo mal súbito.
"Por duas vezes eu senti esse 'coice'. É um choque muito forte quando acontece. Nas duas vezes eu dei uma corridinha mais forte, extrapolei e deu novamente aquele descompasso, uma fraqueza, mas eu não desmaiei. Aí parei de andar, comecei a respirar com mais calma e na sequência veio aquela pancada. Na hora já voltei a sentir o coração a bater normal", disse o ex-jogador.
Com informações de André Falcão, da TV Gazeta