A trajetória da professora Karla Capucho é a prova de que a disciplina da sala de aula e a força do mar formam uma combinação poderosa. Aos 60 anos, "Karlinha", como é carinhosamente chamada na comunidade do Va’a (canoa havaiana), prepara-se para o maior desafio de sua carreira esportiva: representar o Brasil e o Espírito Santo no IVF Va’a World Sprint Championship, o Mundial da categoria, que acontece em agosto, em Singapura.
Professora da rede pública desde 1983, Karla hoje equilibra o ensino fundamental no município da Serra com uma rotina de atleta de alto rendimento. A vaga para Singapura veio após um desempenho brilhante no Campeonato Brasileiro de Sprint, em Brasília, onde sua equipe carimbou o passaporte para o Sudeste Asiático.
Desafio fora d'água
Se no mar a técnica está afiada, fora dele a luta é financeira. Os custos de passagens, hospedagem e logística para o outro lado do mundo são altos. Por isso, a atleta lançou uma campanha de arrecadação online (vaquinha) para tornar o sonho possível.
"É a realização de um sonho e a oportunidade de dar visibilidade às mulheres que equilibram a vida pessoal e profissional com o amor pelo esporte", afirma Karla. Ela, ainda, completou que quer mostrar como a força do coletivo tem potência.
Paixão tardia com sucesso imediato
A relação de Karla com a canoa havaiana começou apenas em 2014, aos 48 anos, após um convite despretensioso de uma amiga. O que era para ser apenas uma aula experimental virou estilo de vida. Em pouco mais de uma década, ela acumulou títulos estaduais e nacionais, chegando a disputar o Mundial de Londres em 2022.
Hoje, ela é vista como uma inspiração para novos atletas. Sob a orientação da treinadora Thassia Marques, Karla mantém uma rotina que inclui musculação e corrida, provando que o alto rendimento não tem idade.