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Meio ambiente

Licenciamento ambiental: Lula veta trechos do projeto e edita MP que atende Alcolumbre

Congresso ainda decidirá se mantém mudanças; defensores da flexibilização reclamam de burocracia; críticos veem risco de impactos
Estadão Conteúdo

Publicado em 

08 ago 2025 às 15:35

Publicado em 08 de Agosto de 2025 às 15:35

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sancionou com 63 vetos o projeto de lei (PL) que flexibiliza regras do licenciamento ambiental — eram quase 400 dispositivos no total. Entre os pontos barrados, estão a licença autodeclaratória para atividades de potencial médio de poluição e a retirada do regime de proteção da Mata Atlântica.
O governo manteve, porém, itens polêmicos, como a Licença Ambiental Especial (LAE), proposta pelo senador Davi Alcolumbre (União-AP), que preside atualmente o Senado. A LAE prevê procedimento célere para empreendimentos considerados estratégicos pelo Conselho de Governo.
A LAE estava no PL do Licenciamento e só entraria em vigor em seis meses, mas o governo editou medida provisória, para ter vigência imediata.
Na prática, o modelo serve para destravar a prospecção de petróleo pela Petrobras na Margem Equatorial da Foz do Amazonas, bandeira do senador amapaense criticada pelos ambientalistas.
Desmatamento da Mata Atlântica ameaça mais de 1,3 mil espécies de extinção no ES
Entre os pontos barrados, está a retirada do regime de proteção da Mata Atlântica Crédito: Divulgação
O governo vetou ainda dispositivo que abria brecha para atividades como manutenção e pavimentação em rodovias sem licença prévia para tais ações. Está em foco especificamente a pavimentação de trecho da BR-319, entre Manaus e Porto Velho. O governo defende como obrigatória a licença prévia.
O anúncio das mudanças foi feito nesta sexta-feira, 8, em evento no Palácio do Planalto com a ministra Marina Silva, do Meio Ambiente, crítica ao projeto durante a tramitação. Lula está em viagem por Acre e Rondônia.
Miriam Belchior, secretária executiva da Casa Civil, diz que a decisão sobre vetos é de "governo, e não de ministérios". O governo diz que busca aliar proteção ambiental e segurança jurídica.
Entre os vetos, conforme o Executivo, 26 são chamados "simples". Os outros 37 serão aproveitados em redação alternativa.
Essas alterações serão feitas por meio de projeto de lei, a ser enviado pelo governo ao Congresso com urgência constitucional - que repõe parte dos vetos, com outra redação, a fim de tratar de vácuos na legislação.
O Legislativo, que aprovou o projeto, decidirá em sessão ainda a ser marcada se mantém ou derruba os pontos vetados por Lula.

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