Os correligionários de Lula - aí incluídos o PT e alguns dos chamados “movimentos sociais”, como o MST, os “sem terra”, e o MTST, os “sem teto” – insistem na tática suicida de confrontar a Justiça e as leis do país como se isso resultasse em ganhos políticos para as suas bandeiras. Sustentam a candidatura de Lula mesmo sendo ele inelegível pela Lei da Ficha Limpa; retardaram o máximo que puderam o cumprimento da ordem judicial de prisão; tentam forçar visitas ao ex-presidente na cadeia mesmo sem autorização da Justiça; e anunciam que vão obstruir todas as votações no Congresso “enquanto Lula permanecer preso”.
Convenhamos, nada disso tem o menor efeito prático a não ser “marcar posição”. Lula não será candidato porque a Lei da Ficha Limpa continua em vigor – lei, aliás, de iniciativa popular e que contou, na sua aprovação, com entusiasmados votos dos parlamentares petistas. Além disso, quanto mais demorar a indicação de um novo candidato pelo PT, mais chance terão os outros concorrentes, mesmo os de polos diametralmente opostos ao de Lula, de conquistarem os eleitores que antes se mostravam dispostos a votar no candidato petista.
As últimas pesquisas de intenção de voto demonstram que boa parte dos votos de Lula migra para Bolsonaro quando o seu nome é retirado do rol de candidatos.
A protelação da apresentação de Lula à Polícia Federal, em flagrante desobediência a uma ordem judicial – e as repetidas críticas do ex-presidente à Justiça – só se prestam a robustecer as razões dos magistrados que o condenaram. E obstruir a pauta do Congresso só servirá para retardar o ainda tímido processo de recuperação econômica do país.
Melhor fariam os correligionários de Lula se, ao invés de praticarem e incentivarem a desobediência civil – que geralmente resulta em violência e desordem, fazendo ressuscitar velhos fantasmas verde-oliva – decidissem retornar à prática do jogo democrático em que o destino do país é decidido em eleições com regras conhecidas por todos. Até as Farc, após meio século na clandestinidade, parece já estar convencida disso.
Com relação ao ex-presidente, tudo indica que sua situação só tende a se tornar ainda mais complicada. Há pelo menos oito outros processos em tramitação que o acusam de recebimento de propinas, atuar em organização criminosa, praticar tráfico de influência e tentar obstruir a Justiça. Em cinco deles, ele já é réu. Ou seja, Lula ainda tem muitas explicações a dar à Justiça.
Insistir na tática suicida faz o PT perder tempo e energia. E, muito provavelmente, perder votos preciosos e muitas cadeiras no nosso Parlamento.
José Carlos Corrêa escreve aos sábados neste espaço