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Folia consciente

Muitas pessoas ainda confundem o local, a hora e a forma de pular o carnaval

Infelizmente, alguns blocos, ao invés de alegria geram insegurança e problemas de toda ordem para moradores e comerciantes

Publicado em 11 de Fevereiro de 2020 às 04:00

Públicado em 

11 fev 2020 às 04:00
Paulo Brandão

Colunista

Paulo Brandão

serpaubrangio@yahoo.com

Carnaval 2020: Bloco Antimofolia agita as ruas de Jardim da Penha, em Vitória Crédito: Vitor Jubini
Passaram-se as férias. A vida voltou à normalidade; a correria de sempre também. O foco e o esforço de cada um passa a ser a vida regular, por meio do trabalho. Mas como ainda é fevereiro, mês que lembra carnaval, festas, folias, os “esquentas” com blocos já começaram e pipocam por toda parte nas cidades.
No entanto, os portais de notícias e as redes sociais denunciam os blocos como festas clandestinas, regadas a álcool, drogas, com excessos de pessoas que acabam em brigas e confusões. Segundo as narrativas, ao invés de alegria, deleite e prazer, geram insegurança, descontentamento e problemas de toda ordem para moradores e comerciantes. Mas a população não merece festejar e celebrar na cidade onde vivem?
É possível constatar que a festa, enquanto cerimônia, fator determinante de sociabilidade, saiu da cidade. Qualquer encontro em praça pública que tenha música, pessoas e uma boa comida não pode ser chamada de festa. Eventos com um grande número de pessoas não acontecem mais dentro da metrópole urbana sem causar algum tipo de transtorno.
Para o filósofo coreano Han, o que chamamos de festa nada tem haver com o que se vê hoje. Para ele, não vivemos em um tempo de festividade. Diferentemente do que acontece agora, uma celebração festiva é desprovida de tempo. O tempo da festa não passa; é um espaço onde as pessoas demoram. Existem razões e motivos para celebrar.
Hoje, não é possível identificar este tipo de festa. Veja o caso do bloco pré-carnavalesco na Praia do Canto. Teve grande repercussão negativa na mídia. Este tipo de evento é mobilizado pelas redes sociais e grupos de WhatsApp. Os que vão, seguem o efeito manada. Às vezes, nem sabem por que saem de casa. Esta é a temporalidade do evento ou do espetáculo, onde a vida é marcada pela eventualidade. As festas são eventuais, acontecem, apenas.
Isso não quer dizer que não existem motivos para celebrar. Ao contrário! Mas muitas pessoas confundem o local, a hora e a forma de celebrar. Por isso vale a pena entender que a palavra tem origens religiosas. Han cita o livro "Nomoi" (As leis), de Platão, que fala que o homem e a mulher foram feitos por Deus para brincar e jogar. E toda manifestação, como dançar e cantar, serviam para despertar a graça dos deuses.
Neste sentido, a festa é uma cerimônia onde as pessoas se confundem com o divino, se tornam parte do sagrado. Nesta mesma lógica, se hoje não há festa (sentido original), só eventos, é porque as pessoas estão longe daquilo que é sagrado. Portanto, os eventos que fazem é algo que não as santificam, e nem tornam melhores os espaços da cidade. Sendo festa, evento ou cerimônia, para quem mora na cidade, o que é determinante superar o tédio e a melancolia é sair da mesmice. Viva a festa!

Paulo Brandão

É bacharel em Filosofia. Com um olhar sempre atento para as ruas, reflete sobre as perspectivas de cidadania diante dos problemas mais visíveis da Grande Vitória

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