Sair
Assine
Entrar

Entre para receber conteúdo exclusivo.
ou
Crie sua conta A Gazeta
Recuperar senha

Preencha o campo abaixo com seu email.

  • Início
  • Mundo
  • Acusação diz que invasores só marcharam ao Capitólio após aval de Trump
Impeachment nos EUA

Acusação diz que invasores só marcharam ao Capitólio após aval de Trump

Parlamentares democratas apresentaram vídeos e áudios de câmeras de segurança do Capitólio e documentos que mostram que invasão aconteceu após aval de ex-presidente

Publicado em 10 de Fevereiro de 2021 às 22:55

Agência FolhaPress

Publicado em 

10 fev 2021 às 22:55
Manifestantes pró-Trump entram em confronto com a polícia do Capitólio em um comício para contestar a certificação dos resultados das eleições presidenciais dos EUA em 2020 pelo Congresso dos EUA
Manifestantes pró-Trump entram em confronto com a polícia durante invasão ao Capitólio Crédito: REUTERS / Shannon Stapleton / Folhapress
No segundo dia de julgamento do impeachment de Donald Trump, nesta quarta-feira (10), a acusação iniciou formalmente seus argumentos para tentar provar que o ex-presidente é responsável pela invasão do Capitólio, em 6 de janeiro, num deliberado e violento ataque que teria sido gestado por meses.
Diante do Senado dos EUA, parlamentares democratas - espécie de promotores do processo - apostaram em evidências inéditas, com áudios e vídeos registrados pelas câmeras de segurança do Congresso, e documentos que mostram que os invasores só puderam marchar até Capitólio após o aval de Trump.
O esforço da acusação foi criar uma espécie de linha do tempo para sustentar que o republicano incitou por vários meses a violência de seus apoiadores e facilitou o acesso da multidão ao caminho que culminou no mais brutal ataque ao Congresso americano em 200 anos, numa ação que deixou cinco mortos.
Uma das integrantes da acusação, a deputada democrata Stacey Plaskett foi a responsável por exibir aos senadores a reprodução da licença para os protestos do dia 6 de janeiro que, inicialmente, não permitiam o deslocamento dos manifestantes. "A permissão dizia, sem espaço para dúvidas, que não seria permitido marchar", disse Plaskett diante das telas de TV que mostravam a documentação.
"Só depois que Trump e sua equipe se envolveram no planejamento é que a marcha até o Capitólio aconteceu, em uma direta contravenção à permissão original. Isso não foi coincidência", completou
Com depoimentos fortes, os democratas afirmaram que Trump renunciou a seu papel de comandante-chefe dos EUA e se tornou "incitador-chefe de uma insurreição perigosa".
"As evidências mostrarão que ele [Trump] claramente incitou a insurreição de 6 de janeiro", disse o deputado democrata Jamie Raskin, líder da acusação. "Isso vai mostrar que Donald Trump renunciou ao seu papel de comandante-chefe e se tornou o incitador-chefe de uma insurreição perigosa".
Entre os vídeos inéditos registrados pelo sistema de segurança do Congresso, os senadores assistiram ao exato momento em que o ex-vice-presidente Mike Pence é retirado do plenário e levado para um local seguro junto com sua família. No pavimento inferior, invasores gritavam palavras de ordem contra Pence e ameaçavam matá-lo --o republicano presidia a sessão que certificava a vitória de Joe Biden e se recusou a chancelar qualquer outro resultado, mesmo sob pressão de Trump.
Em outras imagens, um policial do Capitólio identificado como Eugene Goodman é visto correndo, quando passa pelo senador republicano Mitt Romney. Em fração de segundos, consegue evitar que o parlamentar cruze com os invasores, encaminhando-o para o lado oposto do corredor.
Os democratas dizem que a invasão ao Capitólio era previsível para quem estivesse atento à postura de Trump --não só no comício horas antes do ataque, quando ele pediu que a multidão "lutasse como nunca"-- mas muito antes disso.
Por meses, disseram os acusadores, o republicano "cultivou a violência", com discursos e ações que alimentavam mentiras e estimulavam o ódio entre seus eleitores, sob a ideia fantasiosa de que a eleição que levou Biden à Casa Branca havia sido roubada.
Nesta quarta, segundo o jornal The New York Times, procuradores na Geórgia abriram uma investigação criminal contra Trump por sua tentativa de reverter o resultado das eleições no estado. O pedido inclui evidências relacionadas ao telefonema do ex-presidente para o secretário de Estado, Brad Raffensperger, para pressioná-lo a "encontrar" mais votos para mudar o resultado final do pleito.
A estratégia da acusação nesta quarta foi dividir seus argumentos em três partes --provocação, ataque e dano. Na avaliação do deputado Joe Neguse, as falsas alegações de fraude eleitoral ecoadas por Trump "foram a batida do tambor usada para inspirar, instigar, incendiar e irritar" seus apoiadores.
A sessão teve início ao meio-dia (14 horas de Brasília), um dia depois de o Senado decidir, por 56 a 44 votos, que julgar Trump mesmo fora do cargo é constitucional, ao contrário do que alegava a defesa do republicano. A acusação tem um prazo de até 16 horas para apresentar seus argumentos formais contra Trump e, depois, a defesa do ex-presidente terá o mesmo tempo para expor sua tese. Até às 20h, a sessão de quarta ainda não havia terminado. A previsão é que, no início da próxima semana, o julgamento chegue a um veredito, que deve ser de absolvição para Trump.
Isso porque, para que haja condenação, seriam necessários 67 votos dos 100 senadores. Hoje o Senado americano é dividido em 50 votos para os democratas e 50 para os republicanos e, na terça, somente 6 republicanos votaram pela constitucionalidade do julgamento, num indicativo de que 17 dissidentes republicanos para a condenação é um cenário bastante improvável.
Os advogados de Trump devem manter a linha de que o discurso do ex-presidente está protegido pela Primeira Emenda da Constituição dos EUA, que versa sobre liberdade de expressão, e que ele não pode ser responsabilizado pelas ações "de um pequeno grupo criminoso".
A apresentação da defesa na terça, ainda sobre a constitucionalidade do julgamento, foi bastante criticada por analistas, e reportagem do New York Times afirmou que Trump havia ficado irritado com a performance considerada genérica demais, o que foi desmentido pelos seus advogados. O fato é que, neste caso, o desempenho de cada um dos lados será um registro histórico, mas não terá impacto de fato em um resultado que já é dado como certo.

Este vídeo pode te interessar

Viu algum erro?
Fale com a redação
Informar erro!

Notou alguma informação incorreta no conteúdo de A Gazeta? Nos ajude a corrigir o mais rapido possível! Clique no botão ao lado e envie sua mensagem

Fale com a gente

Envie sua sugestão, comentário ou crítica diretamente aos editores de A Gazeta

A Gazeta integra o

Saiba mais

Recomendado para você

Em comemoração aos 30 anos da CBN Vitória, Milton Jung apresenta programa direto do ES
Em comemoração aos 30 anos da CBN Vitória, Mílton Jung apresenta programa direto do ES
Imagem de destaque
Palantir: por que o crescimento do poder global da empresa de IA causa preocupação?
Imagem de destaque
Augusto Cury diz que, se eleito presidente, pode acabar com a fome mundial e mediar guerra de Putin e Zelensky: 'Sou especialista em pacificação'

© 1996 - 2024 A Gazeta. Todos os direitos reservados