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Menos nascimentos

China tem a pior taxa de natalidade desde 1949, quando foi fundada a república

Em 2025, o país registrou 7,92 milhões de nascimentos, com uma taxa de natalidade de 5,63 por mil; as mortes contabilizaram 11,31 milhões, gerando uma taxa de mortalidade de 8,04 a cada mil

Publicado em 19 de Janeiro de 2026 às 13:55

Agência FolhaPress

Publicado em 

19 jan 2026 às 13:55
Bandeira da China
Bandeira da China Crédito: Pixabay
Dez anos após o fim da política do filho único, a China ainda colhe uma crise demográfica sem sinais de recuperação. Nesta segunda-feira (19), novos dados apresentados pelo regime chinês mostram que o país teve, em 2025, mais mortes do que nascimentos pelo quarto ano seguido. A taxa de natalidade teve o seu pior desempenho desde 1949, quando foi fundada a República Popular da China.
Em 2025, o país registrou 7,92 milhões de nascimentos, com uma taxa de natalidade de 5,63 por mil. As mortes contabilizaram 11,31 milhões, gerando uma taxa de mortalidade de 8,04 a cada mil. O crescimento natural da população foi, portanto, negativo. Hoje, um dos países mais populosos do mundo conta com cerca de 1,4 bilhão de pessoas, uma redução de 3,3 milhões em relação a 2024.
Após décadas em queda, a taxa de crescimento natural da sociedade chinesa passou a ser negativa em 2022, quando, pela primeira vez, mais pessoas morreram do que nasceram. Agora, as lideranças do Partido Comunista da China buscam entender como fazer com que sua população decida ter mais filhos. O problema é um dos mais graves enfrentados pela cúpula. O envelhecimento da população tem gerado uma sobrecarga sobre os sistemas previdenciários e de saúde, o que também indica menos trabalhadores em idade ativa para ser o suporte de uma economia em constante crescimento.
A queda na natalidade, assim como o consequente crescimento negativo da população chinesa, são vistos como resultado direto da política do filho único, que ficou em vigor entre 1979 e 2015. A medida, que marcou a crise populacional vivida pelo país asiático, determinou que famílias chinesas poderiam ter apenas uma criança sob pena de multas elevadas e perdas de benefícios do Estado, além da pressão social e política que causou inúmeros abortos e abandonos de bebês pelo país.
O primeiro relaxamento ocorreu em 2016, quando foram permitidos até dois filhos por casal. Cinco anos depois, em 2021, o limite cresceu para até três crianças por família. Ainda assim, o alívio às restrições não causou efeito sobre as décadas de proibição. Medidas como subsídio nacional para o cuidado de crianças pequenas e redução dos custos associados à gravidez foram implementadas, mas até agora se mostraram insuficientes.
Resolver o problema se tornou o sonho da nação vendido pela propaganda comunista. O rejuvenescimento, anunciado em 2012 pelo líder do regime, Xi Jinping, como o "sonho chinês", está longe de ser realizado. "A história demonstra que o futuro e o destino de cada um de nós estão intimamente ligados aos de nosso país e de nossa nação. Só podemos prosperar quando nosso país e nossa nação prosperarem. Alcançar o rejuvenescimento da nação chinesa é uma missão gloriosa e árdua, que exige o esforço dedicado do povo chinês, geração após geração", disse Xi em discurso naquele ano. Além do incentivo, as lideranças determinaram políticas para atenuar os efeitos já observados, como reforma previdenciária, automação de processos industriais e o incentivo à entrada de mulheres ao mercado de trabalho.
Um relatório do Banco Mundial publicado em 2024 atribuiu parte da desaceleração da economia chinesa ao envelhecimento, apontando que, de 2003 a 2012, o crescimento médio anual foi de 10,5%, enquanto de 2013 a 2022 caiu para 6,2%. A instituição diz que, sem políticas e ajustes comportamentais que mitiguem os efeitos, o envelhecimento pode reduzir ainda mais a força de trabalho, pressionar as finanças do governo e afetar a produtividade.

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