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Como zonas proibidas de Chernobyl e entre as Coreias se tornaram paraíso da vida selvagem

Após décadas de mínima atividade humana, algumas áreas do planeta estão passando pelo chamado renaturalização acidental. O que isso pode nos ensinar sobre conservação?

Publicado em 27 de Abril de 2026 às 14:34

BBC News Brasil

Publicado em 

27 abr 2026 às 14:34
Imagem BBC Brasil
Crédito: Vasily Fedosenko/Reuters
A floresta amazônica, a Grande Barreira de Corais e parques nacionais como Yellowstone e Yosemite vêm à mente quando se pensa em santuários para a vida selvagem.
É improvável que você pense imediatamente na zona de exclusão de Chernobyl ou na zona desmilitarizada (DMZ) entre a Coreia do Norte e a Coreia do Sul.
Mas é exatamente isso que elas se tornaram. Em áreas onde os humanos não têm permissão para viver, a vida selvagem está prosperando.
Será que esse renascimento acidental carrega uma lição de conservação?

Mais de 70 anos sem humanos

A livre circulação entre a Coreia do Norte e a Coreia do Sul tornou-se impossível em 1953, após a criação da Zona Desmilitarizada (DMZ), com 248 km de comprimento e 4 km de largura, que atravessa a Península Coreana.
As atividades na DMZ são muito limitadas e a área está repleta de minas terrestres.
Mas isso não desanima os animais e as plantas.
Imagem BBC Brasil
Sabe-se que cabras-monteses vivem na Zona Desmilitarizada Crédito: Google Arts & Culture/National Institute of Ecology
O Instituto Nacional de Ecologia da Coreia do Sul afirma que 6.168 espécies de animais selvagens vivem na DMZ, incluindo 38% das espécies ameaçadas de extinção da península.
A área sofreu pouquíssima interferência humana por mais de 70 anos e agora abriga espécies como águias, cabras-monteses e cervos.
A área também abriga muitas plantas endêmicas da Coreia, ou seja, que não são encontradas em nenhum outro lugar da Terra.
Imagem BBC Brasil
Crédito: Google Arts & Culture/National Institute of Ecology
Seung-ho Lee, presidente do Fórum da DMZ, uma organização que defende a conservação na zona, disse que a natureza foi "protegida acidentalmente pelo armistício".
"A natureza recuperou o que lhe pertencia. Muitos animais e espécies de aves, em especial, têm mais acesso à área, enquanto a maior parte da atividade humana desapareceu", disse ele.
E muitas das espécies que vivem lá, disse ele, são de importância global, incluindo os grous que vivem na DMZ, mas "voam por todo o mundo".
Imagem BBC Brasil
Muitas plantas e animais vivem nas proximidades do reator nuclear de Chernobyl, aqui protegidos pela estrutura de confinamento seguro Crédito: Germán Orizaola/Universidad de Oviedo
A Zona Desmilitarizada da Coreia não é o único refúgio improvável para a vida selvagem.
Em 26 de abril de 1986, um reator da Usina Nuclear de Chernobyl, na antiga União Soviética – no que hoje é a Ucrânia – explodiu, liberando elementos radioativos de alta periculosidade na atmosfera.
A contaminação radioativa se espalhou por milhares de quilômetros quadrados e centenas de milhares de pessoas foram evacuadas.
Uma zona de exclusão foi estabelecida ao redor do local, que permanece em grande parte desabitado. A área foi expandida desde então e agora abrange cerca de 4 mil km quadrados.
De acordo com o Centro de Ecologia e Hidrologia do Reino Unido, ainda é um dos locais mais contaminados por radioatividade no mundo.

A 'floresta vermelha'

Imediatamente após a explosão, os impactos ecológicos subsequentes foram severos, de acordo com Jim Smith, professor de ciências ambientais da Universidade de Portsmouth, no Reino Unido.
Árvores morreram e ficaram com um tom marrom avermelhado em uma área agora chamada de Floresta Vermelha, e houve danos a mamíferos e à vida aquática, disse ele.
Mas os elementos radioativos liberados por Chernobyl decaíram rapidamente.
Imagem BBC Brasil
Tanto os lagos naturais quanto o lago de resfriamento nuclear apresentam alta biodiversidade Crédito: Germán Orizaola/Universidad de Oviedo
"As doses de radiação caíram muito rapidamente naqueles dias e semanas após o acidente, e o que restou na zona foi uma radiação crônica de baixo nível ao longo de décadas", disse ele.
Esses níveis são inseguros para a habitação humana a longo prazo, mas para outras espécies, a história é diferente.
"A vida selvagem está prosperando em Chernobyl... sem dúvida, acho que a zona de exclusão é muito mais diversa e abundante ecologicamente do que era antes do acidente", disse ele.
"Estudamos os peixes nos lagos, incluindo o lago de resfriamento [nuclear]... Estudamos insetos aquáticos e descobrimos que os lagos mais contaminados são tão diversos e abundantes em comunidades aquáticas quanto os lagos quase não contaminados da área."
Imagem BBC Brasil
Mamíferos, incluindo alces, têm prosperado na zona de exclusão Crédito: Valeriy Yurko
Os mamíferos também parecem estar prosperando na zona de exclusão.
"Analisamos se conseguíamos observar alguma diferença nas populações de mamíferos entre as áreas mais contaminadas e as menos contaminadas, e não conseguimos", disse Smith.
"A única diferença que observamos foi na população de lobos, que era sete vezes maior em Chernobyl do que em outras reservas naturais da região."

'Deixe a natureza ser natureza'

O fato de a vida selvagem poder prosperar melhor em uma zona radioativa do que fora dela pode parecer surpreendente, mas há lógica nisso.
"É uma área enorme, livre para a vida selvagem, sem ruído, sem luzes, sem pesticidas, sem herbicidas, sem silvicultura, sem agricultura", disse Germán Orizaola, professor associado de zoologia da Universidade de Oviedo, na Espanha.
"A pressão humana é muito, muito pior para a natureza do que o pior acidente nuclear de todos os tempos."
Imagem BBC Brasil
Um estudo revelou que a população de lobos era sete vezes maior na zona de exclusão de Chernobyl do que em outras reservas naturais próximas Crédito: Valeriy Yurko
Smith concorda.
"O que aprendi com Chernobyl é que... nossa ocupação de um ecossistema é o verdadeiro dano", diz ele, acrescentando que outras coisas, como a poluição, são importantes, mas "secundárias".
"[Chernobyl] é um exemplo poderoso do que o repovoamento da vida selvagem pode fazer", disse ele.
Orizaola acredita que o local mostra que tipo de estratégias de conservação funcionam.
"Frequentemente temos essas reservas naturais e parques nacionais, mas eles se tornam uma mistura de atrações turísticas e alguma forma de exploração humana, e não funcionam para a conservação da natureza", disse ele.
"[Chernobyl] é um lugar maravilhoso, um lugar realmente incrível... se realmente quiséssemos preservar a natureza, a melhor receita é reduzir nossa pressão sobre as terras e deixar a natureza ser natureza."

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