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Crise econômica

Economia deve crescer 4,7% em 2021, após contração de 4,3% em 2020, diz ONU

Segundo a organização, investimentos econômicos, sociais e em resiliência climática devem ser feitos para garantir uma recuperação robusta da economia global.

Publicado em 25 de Janeiro de 2021 às 17:25

Agência Estado

Publicado em 

25 jan 2021 às 17:25
Coronavírus está trazendo impactos à economia
Coronavírus está trazendo impactos à economia - Coronavírus economia Crédito: Freepik
Organização das Nações Unidas (ONU) alerta que o impacto socioeconômico devastador da pandemia da Covid-19 continuará sendo sentido nos próximos anos, a menos que investimentos econômicos, sociais e em resiliência climática sejam feitos para assegurar uma recuperação robusta sustentável da economia global. Segundo a ONU, a economia mundial deve crescer 4,7% em 2021, após uma contração estimada de 4,3% em 2020.
Para a Nações Unidas, a recuperação sustentável da pandemia dependerá não apenas do tamanho das medidas de estímulo e do rápido lançamento das vacinas, mas também da qualidade e eficácia dessas medidas para construir resiliência contra choques futuros.
A expectativa é que as economias desenvolvidas registrem crescimento de 4% neste ano, o que não compensaria a contração de 5,6% estimada em 2020, devido a paralisações econômicas e ondas subsequentes da pandemia. Os países em desenvolvimento viram uma contração menos severa no ano passado, de 2,5% pelos cálculos da ONU, e devem apresentar expansão de 5,7% em 2021.

PRINCIPAIS ÁREAS DE IMPACTO

O Departamento das Nações Unidas para Assuntos Econômicos e Sociais afirma que 131 milhões de pessoas foram empurradas para a pobreza em 2020, muitas delas mulheres, crianças e pessoas de comunidades marginalizadas. Segundo relatório, a pandemia afetou negativamente mulheres e meninas de forma desproporcional, expondo-as a um risco crescente de devastação econômica, pobreza, violência e analfabetismo.
A ONU aponta ainda que medidas de estímulo massivas e oportunas, no valor de US$ 12,7 trilhões, evitaram um colapso total da economia mundial e evitaram uma grande depressão. No entanto, a grande disparidade no tamanho dos pacotes de estímulo lançados por países desenvolvidos e em desenvolvimento os colocará em diferentes trajetórias de recuperação, observa.
Os gastos com estímulos per capita dos países desenvolvidos têm sido quase 580 vezes maiores do que os dos países menos desenvolvidos, embora a renda per capita média dos países desenvolvidos tenha sido apenas 30 vezes superior à dos últimos. De acordo com a Organização, a disparidade drástica ressalta a necessidade de maior solidariedade e apoio internacional, incluindo alívio da dívida para o grupo mais vulnerável de países.
Além disso, a ONU destaca que o financiamento desses pacotes de estímulo envolveu os maiores empréstimos em tempos de paz, aumentando a dívida pública globalmente em 15%. O relatório aponta que este enorme aumento da dívida sobrecarregará indevidamente as gerações futuras, a menos que uma parte significativa seja canalizada para investimentos produtivos e sustentáveis.
De acordo com o documento, o comércio global encolheu cerca de 7,6% em 2020, em meio a grandes interrupções nas cadeias de abastecimento globais e nos fluxos de turismo. Ele indica que tensões comerciais persistentes entre as principais economias e os impasses nas negociações comerciais multilaterais já restringiam o comércio global antes mesmo da pandemia.
Enfatizando a importância de estimular os investimentos, o relatório mostra que, embora a maior parte dos gastos com estímulo tenha sido destinada à proteção de empregos e ao consumo atual, também alimentou bolhas de preços de ativos em todo o mundo, com os índices do mercado de ações atingindo novos picos nos últimos meses.
A ONU conclui que é necessário dar uma resposta extraordinária aos problemas agravados pela pandemia da covid-19, e defende a importância de alcançar os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), metas definidas em 2015 para 2030.

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