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Por que guerra no Irã virou um teste de resistência - e de tempo

Após escalada das tensões no fim de semana, com o fechamento novamente do Estreito de Ormuz e a captura de um navio iraniano pelos EUA, ainda não está claro se o Irã participará de uma nova rodada de negociações, dada como certa por Trump.

Publicado em 20 de Abril de 2026 às 18:33

BBC News Brasil

Publicado em 

20 abr 2026 às 18:33
Imagem BBC Brasil
Cessar-fogo nos combates entre Israel e o Hezbollah, partido político xiita e grupo armado com forte influência no Líbano, termina na quarta-feira Crédito: Ibrahim AMRO / AFP via Getty Images
Recentemente, o presidente americano, Donald Trump, escreveu na rede Truth Social que o tempo não é seu "adversário" durante a guerra com o Irã e nos esforços contínuos para uma solução de paz negociada.
No entanto, pessoas próximas à Casa Branca têm alertado repetidamente que o tempo é, de fato, uma questão crucial que Trump precisa levar em consideração.
Na postagem, o presidente americano comparou favoravelmente as seis semanas da Operação Fúria Épica — nome dado à guerra dos EUA e de Israel contra o Irã iniciada em 28 de fevereiro — a conflitos anteriores mais longos envolvendo seu país, incluindo os no Iraque, no Vietnã e as duas guerras mundiais.
É difícil, no entanto, comparar conflitos militares e suas respectivas linhas do tempo.
O Iraque é um ótimo exemplo. Embora Trump tenha afirmado corretamente que o envolvimento militar dos EUA lá durou mais de oito anos, em 2003, as Forças Armadas americanas derrubaram o governo de Saddam Hussein em cerca de três semanas.
Pouco tempo depois, o então presidente George W. Bush, em uma declaração que ficaria marcada na história do conflito, comemorou que a "missão havia sido cumprida".
Não foi bem assim. Na sequência, as forças americanas se viram em meio a uma campanha de contrainsurgência extremamente caótica e os resultados, na melhor das hipóteses, foram mistos.
Trump fez campanha especificamente contra esse tipo de conflito prolongado no exterior, o que complica sua situação política.
Apesar de seus comentários, há claramente o fator tempo em jogo. Os americanos estão cada vez mais preocupados com os preços da gasolina, e Trump tem repetidamente afirmado acreditar que os preços cairão em breve.
Seu próprio secretário de Energia, Chris Wright, contradiz essa mensagem, tendo declarado à CNN no domingo (19/4) que pode levar meses para que os preços da gasolina caiam. Trump disse acreditar que Wright está errado.
Nesse sentido, o Irã espera que a pressão interna feita pelos americanos que anseiam por preços baixos e por um fim rápido para o conflito lhe dê poder de negociação.
Trump, por sua vez, acredita que a ameaça de novos ataques e o estrangulamento econômico imposto pelo bloqueio pressionarão o Irã a fechar um acordo que os EUA considerem positivo.
A questão que permanece é: quem cederá primeiro?

Trump nega estar sob pressão para fechar acordo de paz

Em meio a uma série de publicações na Truth Social, Trump afirmou, na tarde desta segunda (20/4), que um acordo com o Irã acontecerá "relativamente rápido" e que será "muito melhor" do que os acordos anteriores assinados com o país.
Ele também negou estar sob pressão para fechar um acordo.
No entanto, ainda é incerta a participação do Irã em alguma negociação de paz. O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã declarou que "até o momento... não temos planos para a próxima rodada de negociações".
Isso deixa a porta aberta para uma decisão de última hora de viajar para o vizinho Paquistão, que tem tentado intermediar um eventual acordo.
O Irã sempre jogou um jogo de concessões mútuas a longo prazo, escreve Lyse Doucet, correspondente-chefe de Internacional no Irã.
A primeira rodada de negociações, ocorrida no Paquistão no último dia 11 de abril, não só terminou sem acordo, como foi sucedida pelo anúncio de um bloqueio naval por parte dos EUA. Trump bloqueou todo o tráfego marítimo que chega e sai de portos do Irã, condicionando a normalização a um acordo de paz.
Imagem BBC Brasil
Trump diz que um acordo com o Irã acontecerá 'relativamente rápido', mas ainda não há confirmação da participação dos iranianos nos diálogos em torno de um possível acordo Crédito: Allison Robbert/ EPA/Shutterstock
O bloqueio naval foi realizado depois que o Irã fechou efetivamente o Estreito de Ormuz por semanas, em resposta ao ataque dos Estados Unidos e de Israel ao Irã em fevereiro.
Na quinta-feira (16/4), foi anunciado um cessar-fogo de 10 dias nos combates entre Israel e o Hezbollah, partido político xiita e grupo armado com forte influência no Líbano apoiado pelo regime iraniano.
O Líbano foi arrastado para a guerra no Oriente Médio em 2 de março, quando o Hezbollah lançou ataques contra Israel para vingar a morte do líder iraniano, o aiatolá Ali Khamenei. Israel respondeu com ataques generalizados em todo o Líbano e uma ofensiva terrestre.
Agora, a pausa nos combates no Líbano, onde 2.387 pessoas já morreram desde o início do conflito, foi exigência de Teerã, que alegou que as negociações com os EUA não poderiam progredir sem um cessar-fogo.
No dia seguinte, o Estreito de Ormuz foi reaberto, ação que foi celebrada por Trump na rede social: "Obrigado!", postou o presidente americano, acrescentando que o estreito estaria "completamente aberto e pronto para negócios".
Mas a abertura do canal de transporte de petróleo mais movimentado do mundo durou menos de 24 horas. No sábado pela manhã, a Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC, na sigla em inglês) anunciou o fim da reabertura temporária em resposta ao bloqueio naval dos EUA, que, segundo a IRGC, violava os termos do acordo de cessar-fogo.
O Irã afirmou que o estreito permanecerá fechado até que os EUA encerrem o bloqueio naval. Trump, por sua vez, afirmou que o Irã não pode "chantagear" os EUA com ameaças relacionadas à hidrovia. E ameaçou destruir todas as pontes e usinas de energia do Irã se Teerã não concordasse com um acordo de paz.
A escalada das tensões seguiu ao longo do fim de semana, depois que os EUA apreenderam um navio cargueiro de bandeira iraniana, afirmando que a embarcação tentou furar o bloqueio.
O Irã prometeu retaliações. O alto comando militar iraniano declarou em um comunicado que os Estados Unidos violaram o cessar-fogo ao atirar contra navios mercantes iranianos nas águas do Golfo de Omã, desativando seus sistemas de navegação e abordando as embarcações com o envio de fuzileiros navais.
"As Forças Armadas da República Islâmica do Irã responderão prontamente e retaliarão contra este ato de pirataria armada da Marinha dos EUA", acrescentou o comunicado.
* Com reportagem da BBC Persa e equipes em todo o Oriente Médio.

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