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Guerra no Oriente Médio

Trégua no Irã: Trump volta a dizer que não pretende prorrogar cessar-fogo

Trump afastou a possibilidade de extensão e disse que os militares americanos estavam "loucos para agir"

Publicado em 21 de Abril de 2026 às 15:24

Agência FolhaPress

Publicado em 

21 abr 2026 às 15:24
SÃO PAULO - O Paquistão, mediador nas negociações da guerra no Irã, pediu aos Estados Unidos que prorroguem o cessar-fogo de duas semanas, mas o presidente Donald Trump voltou a afirmar que não pretende estender a trégua, que expira na noite desta terça-feira (21).

A TV estatal iraniana afirmou que o cessar-fogo em vigor desde 8 de abril termina às 3h30 de quarta-feira em Teerã (21h de Brasília). Nesse horário, acabaria o período de 14 dias de trégua anunciado pelos países - embora Trump tenha dito recentemente que o cessar-fogo iria até quarta-feira (22) à noite.

Em reunião com a encarregada de negócios dos EUA no Paquistão, Natalie A. Baker, o ministro das Relações Exteriores, Ishaq Dar, enfatizou a necessidade de diálogo entre os EUA e o Irã e disse que o Paquistão instou ambos os lados a considerar a extensão do cessar-fogo, segundo comunicado do ministério.

Em entrevista à TV americana CNBC na manhã desta terça-feira, Trump afastou a possibilidade de extensão e disse que os militares americanos estavam "loucos para agir" caso as negociações não fossem bem-sucedidas.

Questionado sobre a possibilidade de estender a trégua, Trump disse ao canal: "Não quero fazer isso. Não temos tanto tempo assim".

"Acho que vou bombardear, porque acho que é uma atitude melhor", acrescentou. "Mas estamos prontos para agir. Quero dizer, os militares estão loucos para agir."

A porta-voz do governo iraniano, Fatemeh Mohajerani, por sua vez, afirmou: "Não queremos ser atacados novamente, mas se tais ataques ocorrerem, definitivamente responderemos com mais firmeza do que antes", segundo a agência de notícias estatal IRNA.

Até o momento, não há, porém, confirmação sobre a participação do Irã na negociação em Islamabad. As autoridades paquistanesas disseram que, se as delegações comparecerem às negociações, não chegarão até a quarta-feira.

Trump falou pouco depois de os militares dos EUA anunciarem que haviam abordado um petroleiro iraniano em alto-mar, em águas internacionais. A ação pode dificultar a retomada das negociações de paz com o Irã, que já afirmou que não negociará enquanto Washington mantiver um bloqueio de seus portos.
Trump deu declaração antes das reuniões de pacificação Reuters

INTERCEPTAÇÃO

Os militares dos EUA disseram que abordaram o petroleiro Tifani, ligado ao Irã, "sem incidentes". A embarcação reportou sua última posição na manhã desta terça-feira como próxima ao Sri Lanka, no oceano Índico, de acordo com dados de rastreamento da MarineTraffic. Ela estava quase totalmente carregada com 2 milhões de barris de petróleo bruto e havia sinalizado Singapura como seu destino.


"Como deixamos claro, buscaremos esforços globais de fiscalização marítima para interromper redes ilícitas e interceptar embarcações sancionadas que fornecem apoio material ao Ir㠗onde quer que operem", disse o Comando Central dos EUA.


Nas redes sociais, Trump disse que o Irã havia cometido inúmeras violações do cessar-fogo, sem dar mais detalhes. Ele disse à CNBC que o bloqueio havia sido um sucesso. "Vamos acabar fechando um grande acordo... eles não têm escolha."


Ele manteve o discurso otimista, dizendo que os EUA estão em uma "posição de negociação muito forte", acrescentando: "Não estamos lidando com o grupo mais simpático de pessoas, mas estamos lidando com eles com muito sucesso".


O Irã bloqueou o estreito de Ormuz para todos os navios, exceto os seus. Havia anunciado na última semana que reabriria a passagem, mas reverteu essa decisão no sábado (18) depois que Trump se recusou a suspender seu bloqueio aos portos iranianos.


Mas o presidente do parlamento iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, postou no X dizendo que o Irã tem "se preparado para mostrar novas cartas no campo de batalha" nas últimas duas semanas e "não aceitará negociações sob a sombra de ameaças".


Os preços do petróleo recuaram cerca de US$ 0,30 e as ações se recuperaram na Ásia com expectativas de que as negociações de paz serão retomadas, com as ações europeias também em alta. O petróleo havia saltado cerca de 6% na segunda-feira devido a dúvidas sobre as negociações.

PROGRAMA NUCLEAR IRANIANO É QUESTÃO CRUCIAL

Trump quer um acordo que impeça novas altas nos preços do petróleo e choques no mercado de ações, mas insistiu que o Irã não pode ter os meios para desenvolver uma arma nuclear. Ele quer que o Irã abra mão de seu estoque de urânio altamente enriquecido, que pode, caso enriquecido ainda mais, ser usado para uma ogiva nuclear.


Isso deixou o estreito fechado e privou o mundo dos 20 milhões de barris de petróleo que normalmente o atravessavam a cada dia.


Uma primeira sessão de negociações, há dez dias, não produziu acordo, e Teerã vinha descartando uma segunda rodada depois que os EUA se recusaram a encerrar seu bloqueio e apreenderam um navio de carga iraniano no domingo (19). Trump ameaçou atacar a infraestrutura civil do Irã se nenhum acordo for fechado.


Um funcionário iraniano disse na segunda-feira (20) que Teerã estava "avaliando positivamente" sua participação, mas enfatizou que estava esperando para ver se suas exigências seriam atendidas, incluindo o reconhecimento de seu direito de enriquecer urânio.


Já Teerã espera explorar seu controle do estreito para fechar um acordo que evite a retomada da guerra e suspenda as sanções, enquanto mantém seu programa nuclear, que afirma ser para fins pacíficos.


Em publicação em rede social, Trump mencionou mais um tema de negociação nesta terça-feira: pediu que o Irã liberte oito mulheres que estariam presas, cumprindo pena de morte no país, embora não tenha especificado quem seriam. Em resposta, o Irã negou que essas mulheres estejam condenadas à morte.


"Aos líderes iranianos, que em breve estarão negociando com meus representantes: gostaria muito que essas mulheres fossem libertadas. Seria um grande começo para nossas negociações", escreveu.


Milhares foram mortos por ataques americano-israelenses ao Irã e por uma campanha paralela de bombardeios israelenses e invasão do Líbano. A guerra causou um choque histórico no fornecimento global de energia e temores de que a economia global possa ser empurrada à beira de uma recessão.

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