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Trump diz que Lula é um 'homem bom' e 'sujeito inteligente' após encontro

Presidentes do Brasil e dos EUA trocaram elogios após encontro de três horas na Casa Branca na quinta-feira.

Publicado em 08 de Maio de 2026 às 05:34

BBC News Brasil

Publicado em 

08 mai 2026 às 05:34
Imagem BBC Brasil
Lula fez primeira visita à Casa Branca com Trump no poder Crédito: Getty Images
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse que Luiz Inácio Lula da Silva é um "homem bom" e um "sujeito inteligente" depois do encontro entre os dois na Casa Branca na quinta-feira (7/5).
"Tivemos uma ótima reunião com o presidente do Brasil. Fazemos muito comércio e vamos ampliar esse comércio. Falamos sobre tarifas. Falamos também que eles gostariam de algum alívio nas tarifas. Mas foi uma reunião muito boa. Ele é um bom homem. É um sujeito inteligente", disse Trump a repórteres em Washington.
Antes desse comentário, Trump havia afirmado em uma publicação na rede Truth Social que a reunião havia sido "muito boa" e chamado Lula de "dinâmico". O presidente brasileiro, por sua vez, disse ter saído "muito satisfeito da reunião".
Lula esteve reunido por cerca de três horas com Trump em sua primeira visita oficial à Casa Branca durante a gestão trumpista. Os dois fariam uma declaração conjunta à imprensa do Salão Oval após o encontro, mas a coletiva de imprensa foi cancelada.
Ao falar a jornalistas da embaixada do Brasil após o encontro, Lula disse ter saído "muito satisfeito da reunião" e comentou sobre as imagens do encontro, em que ele e o presidente americano posam sorridentes.
"Eu sempre acho que a fotografia vale muito. Eu fiz questão de dizer: 'Ria'. É importante. Alivia. Alivia a nossa alma a gente rir um pouco", comentou durante a coletiva de imprensa na embaixada.
Quando perguntado se há risco de novas tarifas impostas pelos EUA, Lula respondeu: "Olha para a minha fisionomia. Você acha que eu estou otimista, ou pessimista? Eu estou muito otimista", disse, mencionando a criação do grupo de trabalho com prazo de 30 dias para uma solução para as tarifas que restaram do tarifaço do ano passado.
Mas o próprio presidente brasileiro reconheceu que os dois governos ainda divergem em temas centrais, especialmente na área comercial.
"Ele sempre acha que nós cobramos muito imposto", afirmou Lula ao comentar as discussões sobre tarifas. "Quem tiver errado, vai ceder. Se a gente tiver que ceder, nós vamos ceder. Se vocês tiverem que ceder, vocês vão ter que ceder."
Daniel Bush, correspondente da BBC News em Washington, avalia que a decisão de cancelar a aparição conjunta no Salão Oval foi significativa.
"Trump costuma apreciar a oportunidade de se reunir com líderes estrangeiros na Casa Branca e frequentemente transforma essas visitas em longas coletivas de imprensa informais", diz o jornalista.
Neste contexto, a decisão de evitar uma aparição conjunta com o presidente brasileiro foi "reveladora", afirma.
Oliver Stuenkel, professor associado de Relações Internacionais da Fundação Getulio Vargas (FGV), em São Paulo, também avalia que a ausência de uma fala conjunta após o encontro indica que "algumas divergências continuam sobre a mesa".
Segundo ele, caso houvesse acordo em temas centrais, os presidentes provavelmente teriam feito uma declaração pública conjunta, ainda que isso não torne o saldo da reunião negativo.
Em uma publicação no X após a reunião com Trump, Lula afirmou que saiu da Casa Branca com a ideia de que "demos um passo importante na consolidação da relação democrática histórica que o Brasil tem com os EUA".
O presidente brasileiro classificou o encontro como "muito importante" e disse que não houve assunto proibido ou vetado.
"O Brasil está preparado para discutir qualquer assunto com qualquer país do mundo: tarifas, comércio exterior, minerais críticos, combate ao crime organizado e ao tráfico de drogas e de armas", destacou, ponderando que a única coisa que não abre mão é "da nossa democracia e da nossa soberania".
Lula finalizou a mensagem dizendo que os ministros continuarão as tratativas para avançar nos temas abordados com os EUA durante o encontro.

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