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Vazamento 'bombástico' ameaça candidatura de Flávio Bolsonaro, diz a revista The Economist

Veículo especializado na cobertura econômica diz que aliados do senador esperam que seus adversários, ligados ao PT de Lula, também sejam associados a Vorcaro conforme investigações avançam.

Publicado em 15 de Maio de 2026 às 06:34

BBC News Brasil

Publicado em 

15 mai 2026 às 06:34
Imagem BBC Brasil
Flávio Bolsonaro nega qualquer ilegalidade no financiamento do filme Crédito: Getty Images
A revista The Economist, um dos principais veículos do mundo especializados na cobertura econômica, publicou nesta quinta-feira (14/5) uma reportagem afirmando que a revelação de que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) pediu milhões a Daniel Vorcaro para a produção de um filme em homenagem ao seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, pode ameaçar sua candidatura à Presidência da República.
Segundo revelou o site The Intercept Brasil, o pedido foi de R$ 134 milhões, e R$ 61 milhões teriam sido efetivamente pagos por Vorcaro, mas a Go Up Entertainment, produtora do longa-metragem, batizado de Dark Horse, e o deputado Mario Frias (PL-SP), roteirista da obra, disseram que não tiveram acesso à verba do banqueiro.
Vorcaro está preso, e sua defesa não esclareceu as doações até o momento. A Go Up afirmou que não pode revelar de onde veio seu orçamento, senão quebraria contratos de confidencialidade com os envolvidos no projeto.
"Partidos de direita imediatamente começaram a falar sobre a possibilidade de lançar um candidato alternativo. Nas casas de apostas, onde Flávio era o favorito para vencer a Presidência, ele despencou para o segundo lugar, perdendo por dez pontos percentuais", publicou a The Economist.
A revista informou ainda que "o real e o principal índice da bolsa de valores caíram 2%, à medida que crescia a perspectiva de vitória para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, de esquerda".

Ligação com 'banqueiro desonrado'

A reportagem explica a leitores estrangeiros que a ligação de Flávio Bolsonaro com Daniel Vorcaro caiu como uma bomba para a opinião pública sobre o senador, ao ponto não só de seus aliados pensarem em outras alternativas de candidatos para o pleito, marcado para outubro, mas também esperarem que os rivais do Partido dos Trabalhadores (PT) também sejam ligados ao banqueiro conforme as investigações avancem.
No dia seguinte à revelação do The Intercept, o senador deu entrevista à emissora GloboNews e negou que o valor pedido a Vorcaro tenha sido de R$ 134 milhões. Mario Frias também se manifestou novamente a respeito do pedido.
"Tentar imputar qualquer tipo de crime a aquisição de patrocínio privado em 2024 é apenas mais uma narrativa tosca que nasceu dentro da própria direita que tenta sabotar a candidatura do Flávio, aproveitada pela esquerda sem escrúpulo", afirmou.
A reportagem da The Economist analisou ainda os passos mais recentes de Lula, o principal adversário de Flávio para as eleições em outubro, e citou o encontro que o petista teve com o presidente estadunidenseDonald Trump na semana passada.
Na ocasião, "Lula elogiou a 'química' entre ele e Trump e disse que a relação foi como 'amor à primeira vista'. Em um telefonema antes da reunião, Trump teria dito a Lula 'eu te amo', o que incomoda a família Bolsonaro, que se gaba de ser amiga de Trump".
Imagem BBC Brasil
Detalhe do cartaz de Crédito: Divulgação

Impacto nas eleições

O impacto da conversa entre Flávio Bolsonaro com Daniel Vorcaro nas eleições ainda é incerto. Nenhuma pesquisa de intenção de voto foi divulgada após a revelação de que ela tenha existido, mas, nas redes sociais, o cenário é de desgaste para o senador.
Segundo monitoramento realizado pela AP Exata Inteligência — empresa de ciência de dados que monitora narrativas nas redes — após as mensagens virem à tona, houve aumento das menções negativas a Flávio Bolsonaro e queda nos índices de confiança digital.
Até as 18h de quinta-feira (14/5), 64,3% das menções a Flávio monitoradas pela AP Exata nas redes tinham tom negativo — uma alta de 7 pontos percentuais desde a divulgação do caso.
O índice é o pior registrado pelo senador desde o início de sua pré-campanha à Presidência e também o mais negativo entre os presidenciáveis monitorados pela empresa.
A AP Exata utiliza um modelo próprio de inteligência artificial para interpretar o contexto emocional das conversas envolvendo candidatos e temas políticos no X e em publicações no Instagram. A ferramenta mede sentimentos como confiança, tristeza, alegria e medo para identificar mudanças na percepção do eleitorado no ambiente digital.

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