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Chuva no ES

No mutirão em Iconha, estranhos se reconheceram na solidariedade

Os sentimentos de sobrevivência revelam um humanismo em que cada um que ajuda também se ajuda, ao combater o seu próprio medo da impotência humana

Publicado em 28 de Janeiro de 2020 às 09:34

Públicado em 

28 jan 2020 às 09:34
Paulo Brandão

Colunista

Paulo Brandão

serpaubrangio@yahoo.com

Voluntários se unem em mutirão de limpeza em Iconha Crédito: Vinicius Gonçalves
No Espírito Santo, como nos outros Estados da Região Sudeste do país, as enchentes são frequentes nestes meses. E, nos últimos anos, elas têm causado muita destruição. Entre nós elas ocorrem com regularidade na região da Grande Vitória e em algumas regiões do interior. Mas o seu impacto, neste momento, é sentido no Sul do Estado. Mas como é sabido, a força das águas repete tragédias anunciadas e já aguardadas.
Para esses casos de catástrofes, existe um receituário, já padronizado por algumas lideranças dos governos locais. Eles lamentam, visitam as áreas afetadas, enviam condolências e prometem verbas de socorro e recuperação, que nem sempre são liberadas com a rapidez necessária. A mídia faz ampla divulgação; a população, igrejas e entidades das áreas não atingidas se sensibilizam: enviam donativos, formam grupos de socorro, fazem campanhas de doações de alimentos, roupas e produtos de limpeza.
Contudo, diante de catástrofes, o vazio político e institucional, deixado pela incapacidade de prever e dar conta de todos os perigos gerados, produz uma sensação de ausência de governança pública. Esses vazios são preenchidos por grupos sociais, que se sentem impulsionados a ajudar na solução de problemas e no combate aos riscos.
Os riscos causados por tragédias torna político grupos de pessoas até então consideradas apolíticas. A ação política transborda do Estado para outras esferas. Surge assim, segundo Beck, sociólogo que escreveu o livro “Sociedade de Risco”, uma solidariedade anônima e privada, decorrente da exposição a um perigo comum.
Os sentimentos de sobrevivência revelam um humanismo em que cada um que ajuda também se ajuda, ao combater o seu próprio medo da impotência humana.
Foi assim em Iconha, neste fim de semana, que contou com mais de 800 voluntários. O espírito solidário irmanou em uma só causa muitos estranhos; parecia que todos se conheciam. A chuva caía, e os voluntários seguiram batendo enxada, vassouras e pás num sincronismo humano perfeito. Em pouco tempo uma multidão de braços e mãos, de rua em rua, deixava para trás a mácula visível do caos que estampava a cidade.
Parafraseando o filosofo Blaise Pascoal, a solidariedade tem razões que a própria razão desconhece. Seja de ordem pessoal, religiosa, política ou social, toda ajuda neste momento é bem-vinda. Por mais que entender as motivações altruístas das pessoas seja importante, o que vale em tempos de catástrofes é a ajuda e o cuidado com o próximo.

Paulo Brandão

É bacharel em Filosofia. Com um olhar sempre atento para as ruas, reflete sobre as perspectivas de cidadania diante dos problemas mais visíveis da Grande Vitória

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