O gigantesco rombo na Petrobras – de triste lembrança – foi considerado o maior caso de corrupção do mundo moderno num país democrático. Foi, inclusive, notícia do "New York Times" (18/11/2014), que apontou o Brasil como recordista mundial de corrupção.
O valor do desfalque, conforme estimado pela Polícia Federal, alcançou a inacreditável cifra de R$ 42,8 bilhões, o que comprova, de forma inequívoca, o fracasso do nosso capitalismo de estado.
A gravidade do problema fica ainda mais evidente quando se soma às perdas da Petrobras o astronômico rombo do conjunto das estatais e respectivos fundos de pensão (Correios, Eletrobrás e tantas outras “bras”). Este é o insuportável preço que o país está pagando ao ter optado por este anacrônico, ineficiente e corrupto “estado empresário”.
Quando recursos que deveriam ser investidos na educação, saúde e segurança – função primordial do Estado – são desviados para cobrir rombos de estatais, é a sociedade que “paga o pato”.
Além do ônus da corrupção, as estatais – sujeitas a manipulações políticas de toda ordem – padecem do inchaço de funcionários, da indicação de dirigentes incompetentes e do desvio das suas atividades precípuas para atender a interesses nada republicanos. Operam na contramão das boas práticas de governança empresarial, onde eficiência e lucratividade são requisitos essenciais.
Neste quadro lastimável – em que tanto perde a economia do país como a sociedade – é preciso um esforço nacional para que o Brasil possa fazer o desembarque da “canoa furada” das estatais. Principalmente para sobrar mais dinheiro para as atividades essenciais.
A operação Lava Jato, ao trazer à tona as gravíssimas mazelas das estatais, mostrou, com clareza cristalina, a incompetência do Estado como administrador de empresas.
Mas, para reverter este grave equívoco, é preciso muito mais do que o empenho e a competência do secretário de Desestatização, Salim Mattar. É preciso que o Congresso Nacional e a sociedade tomem consciência do grande benefício que esta mudança trará para o país.
Está na hora de voltarmos os olhos para os exemplos das democracias do primeiro mundo, onde não há capitalismo de estado e a sociedade desfruta do nível de vida que almejamos para o Brasil.
A desestatização, dentre as reformas estruturantes programadas pelo governo, é imprescindível para que possamos tomar o rumo do desenvolvimento. Mas isso só será possível se as forças políticas e a sociedade abraçarem realmente esta causa.