Caríssimos irmãos, a inteligência não está mesmo com nada. Semana passada, lhes contei como voam as ideias, de onde não vêm e para onde não vão, isto é, não há verdade na razão, cada um fabrica a sua. A guerra contra a miséria empreendida pelos miseráveis são sim organizadas. O “tráfico”, com suas bizarras leis ensanguentadas, chega a formar o estatuto.
Será só por incompetência que a simples repressão ao crime organizado sem uma reforma social não serve para nada? E sequer se cogita algo para enriquecer o espaço mental da maioria dos brasileiros, dormindo no chão e olhando de lado?
Outro dia, vi na TV um tanque gigante perseguindo uns dois ou três garotos pelas ruas das favelas no Rio. Seria cômico, se não fosse trágico. A senhora aí no interior do interior do Brasil, e mais, do seu próprio interior, crê que esta medida faz sentido? O Rio continua lindo? Trata-se a questão deste caos de violência como se a cidade fosse privilegiada e representasse sozinha o país. Olhe bem para o resto do Brasil. Quais as diferenças fundamentais em relação ao território nacional? Fala sério.
Sei que sou distraído, mas não conheço nenhuma medida realmente estruturante no sentido de estancar a balbúrdia que há muito tempo abunda as gestões nacionais. Todas.
Qualquer profeta entrevistado cita a escola, um jargão destinado a preencher os buracos entregues às baratas. De vez em quando aparece um truque, como o sistema de cotas. Tapar buraco por critérios que pertencem a outra estrutura de injustiça. Não dá.
Por exemplo, a repetição jesuíta de cara impõe a instituição de ensino como dona do poder. Promoveu o entrar na universidade sem saber exatamente por que. Eis o sistema de cotas, sem contar com as falcatruas. Assim foi reinaugurada a educação.
Alguém já pensou em algo novo depois de Paulo Freire? Por onde perambula a parte politizada da estudantada, preocupada apenas em não ser reprovada? Para fazer o que e onde?
Antigamente, existia grupo escolar, ginásio, científico, faculdade, grêmios, diretórios – enfim, a União Nacional dos Estudantes. Algumas disciplinas, Educação Moral e Cívica, Sociologia e outras que introduziam o pensamento político para discutir as verdades ao invés desses discursos de hoje, antes de mais nada ridículos, para surrupiar votos dos extremamente estúpidos, especializados na repetição, arraigados em suas “políticas”, onde a força manda e desmanda.
Quando é proibido pensar, aparece a saída da repetição. É só aguardar as eleições deste ano.
A não ser que não seja.
*O autor é médico psiquiatra, psicanalista e jornalista