2021 marca o centenário de fundação da Academia Espírito-santense de Letras, que por este motivo quer dar-se a conhecer mais de perto aos capixabas.
De início, põe-se a questão da data de fundação: iniciadas reuniões preparatórias a 31/07/1921, a 04/09 eram aprovados os estatutos. A instalação se deu em 28/09/1923, sob a presidência de D. Benedito Paulo Alves de Souza, 3.º bispo do Espírito Santo. A multiplicidade de datas gerou dúvidas sobre qual considerar como marco inicial. Só em 1975 foi-se a fundo na questão, definindo-se 4 de setembro de 1921 como sendo a fundação. Desde então, essa é a data magna da nossa casa de letras.
Dos registros vê-se uma trajetória acidentada: anos (1928/1937) sem reuniões, por falecimentos e mudança de acadêmicos para outras cidades; localização só em 1942 em sede própria, cedida pelo governo do Estado no prédio do Banco de Crédito Agrícola; desocupação do espaço, em 1963, para demolição do imóvel e construção da atual sede do Banestes; peregrinação por outros espaços até a aquisição da sede definitiva, em 1975.
Constam dos quadros personalidades de relevo nas suas áreas de atuação, destacando-se em número juristas, professores e jornalistas. E políticos (governadores, deputados, senadores, prefeitos), militares, religiosos, servidores públicos, empresários e profissionais liberais, irmanados no interesse pela cultura em geral e a literatura em particular.
A Academia teve benfeitores: o Acadêmico Álvaro Henrique Moreira de Souza (Saul de Navarro), escritor festejado, que em 1947, pouco antes de falecer, doou precioso conjunto de livros, hoje integrados à biblioteca que leva seu nome; o Acadêmico Kosciuszko Barbosa Leão, jurista e professor, o doador do imóvel na Cidade Alta onde fica a sede da instituição.
Teve também historiadores: o acadêmico Elpídio Pimentel, jornalista e professor, que colecionou atas e notícias sobre as reuniões iniciais; o acadêmico Eurípides Queiroz do Valle, jurista e historiador, presidente de 1941 a 1963, autor de "A Academia Espírito-santense de Letras: resenha histórica" (1945); o acadêmico Elmo Elton Santos Zamprogno, poeta e historiador, autor de "Academia Espírito-santense de Letras: patronos e acadêmicos" (1987), atualizada ao longo dos anos em várias reedições.
Diferentemente da Academia Brasileira de Letras, criada à volta da Revista Brasileira e que em 1910 organizou seu periódico, nossa Academia não reuniu sua produção inicial, que por isso ficou esparsa. A primeira publicação de cunho oficial é de 1962: a coletânea "Torta Capixaba", parceria com o livreiro Nestor Cinelli, gerente da Livraria Âncora. Um segundo número da coletânea sairia em 1989.
REVISTA DA ACADEMIA
Quanto à Revista, só em 1975 se viria a ocupar dela: em reunião naquele ano, o presidente Nelson Abel de Almeida nomeou comissão de acadêmicos para cuidar da publicação. O primeiro número sairia em 1991, na presidência de José Moysés. Publicado o segundo em 1998, pelo presidente Rômulo Salles de Sá, só a partir de 1999, na presidência de Francisco Aurélio Ribeiro, passaria a ter periodicidade anual, mantida até hoje. São 25 números publicados, reunindo textos de gêneros diversos, de autoria de acadêmicos e convidados.
A Academia Espírito-santense de Letras, em períodos de normalidade, reúne-se mensalmente na sua sede, promove palestras em escolas e organiza séries editoriais em parceria com a Prefeitura Municipal de Vitória (a Escritos de Vitória e as coleções José Costa e Roberto Almada). Como parte da programação do centenário, reviveu prática adotada no passado e instituiu concursos literários abertos ao público, reforçando o incentivo à leitura e à escrita. E sobretudo mantém-se como um grupo heterogêneo de pessoas interessadas nas Letras, numa amostra significativa do que aqui se produz em termos literários.