Iniciativas voltadas para a preservação do meio ambiente são cada vez mais importantes para a vida das gerações atuais e futuras. Várias delas acontecem em cidades do Norte do Espírito Santo e já trazem impacto para a sociedade. O Prêmio Biguá Sustentabilidade de 2022 reconheceu o trabalho de 14 projetos na região.
O evento aconteceu na noite de quarta-feira (19), no Cerimonial Le Pallace, no bairro Três Barras, em Linhares. Essa foi a segunda edição da premiação no Norte, que tem como objetivo reconhecer e divulgar as boas práticas na área ambiental, e teve como tema “É Tempo de Plantar Boas Ideias”.
A diretora da Rede Gazeta Norte, Maria Helena Vargas, destacou a importância de ações como essas diante dos desafios do mundo no cuidado à natureza. Segundo ela, houve um aumento no número de inscrições neste ano.
“Estamos há mais de 3 décadas vislumbrando uma modificação no meio ambiente, que passa por uma degradação muito grande, um modelo de consumo que o planeta não sustenta mais, e também a escassez de água é algo que deixa as pessoas muito preocupadas. Essas iniciativas vêm para contribuir e nós queremos reconhecer, valorizar e divulgar. Nós estamos muito felizes com a participação da sociedade. O número de inscrições dobrou neste ano”.
A premiação foi dividida em 5 diferentes categorias: Ensino Fundamental e Médio, Sociedade Civil, Poder Público, Empresa e Produtor Rural.
Todos os projetos foram analisados por uma banca examinadora, composta por representantes Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar), Agência Estadual de Recursos Hídricos (Agerh), Instituto de Defesa Agropecuária e Florestal do Espírito Santo (Idaf) e o Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural (Incaper).
Os jurados escolheram os 1º, 2º e 3º melhores trabalhos das categorias.
ENSINO FUNDAMENTAL E MÉDIO
O primeiro lugar na categoria Ensino Fundamental e Médio ficou com o projeto “Comunidade Consciente”, desenvolvido pela Escola Estadual de Ensino Fundamental e Médio Antônio Fernandes de Almeida, que fica no bairro Interlagos 2, em Linhares.
O trabalho de educação ambiental envolve o empenho de professores e alunos. Ele começou após uma série de debates nas salas de aula sobre os problemas internos da escola, como desperdício de água e lixo orgânico que se acumulava.
O tempero verde que é colhido da horta no quintal da escola vai para a merenda. Com a sobra dos alimentos, a horta ganhou vida. O lixo orgânico foi transformado em chorume, para ajudar na saúde da planta.
A escola produz sabão, que tem o óleo de cozinha como principal ingrediente, também bolsas feitas com caixas de leite. Há ainda o recolhimento de latinhas de alumínio para serem vendidas e o dinheiro revertido em benefícios para a escola.
"É um privilégio muito grande participar deste evento, porque nos incentiva a fazer práticas voltadas ao meio ambiente. A gente vê a importância disso para a escola, para as futuras gerações. Esse é um momento fantástico, único, obter esse reconhecimento"
SOCIEDADE CIVIL
Na categoria sociedade civil, foi reconhecido o trabalho “Diego - Pertencimento e Luta pelo Manguezal”, realizado pelo pescador e catador Diego Correia Simões, indígena, filho de Aracruz, que nasceu e cresceu entre plantas de mangue.
Uma catástrofe climática em 2016, fez o manguezal do Piraquê-Açú e Piraquê-Mirim, em Aracruz, mudar de paisagem. Diego tenta recuperar o cenário com um trabalho com a implantação de sementes de propágulos, que são estruturas que se desprendem de uma planta adulta para dar origem a uma nova planta. Ele já plantou 800 mudas dessa planta e não pretende parar.
"Sobre a premiação, é bom que aconteça para incentivar toda uma sociedade para ajudar a natureza. O que me motiva é o amor à natureza, convivo com ela desde pequeno. A gente espera novos trabalhos para o futuro"
PODER PÚBLICO
No poder público, o vencedor é “Revitalização da Cultura do Cacau em Linhares”, desenvolvido pela Prefeitura de Linhares. Linhares é conhecida como “terra do cacau” e não é à toa. O município é responsável por 85% da produção da fruta em todo o Espírito Santo.
Em 2001, a doença “vassoura de bruxa” devastou fazendas e reduziu o índice de produtividade. A produção, que chegou a cerca de 14.000 toneladas, hoje está em aproximadamente 5.000 toneladas.
A grande maioria das lavouras cacaueiras fica na região do Baixo Rio Doce, e o plantio é no formato de “Cabruca”, em uma área remanescente da Mata Atlântica. Foi feito um viveiro de mudas de cacau, que atende a pelo menos 60 produtores. O trabalho tem como um dos principais fatores preservar a floresta e retomar o poder econômico dos produtores.
"Nós temos no município uma extensão bastante grande de Mata Atlântica e uma dessas porções é cultivada no sistema de cabruca com cacau. É muito gratificante saber que nós temos participação junto com os produtores na ajuda à preservação deste importante bioma. Gostaria de parabenizar a Rede Gazeta, que ajuda a reconhecer e a descobrir novas ações que visam a preservação não só do bioma local, mas de todo o Espírito Santo"
EMPRESA
Na categoria empresa, a vencedora é a Portocel, no terminal especializado da Barra do Riacho. O projeto “Coletivo Ecoagentes em Ação” atua na conscientização ambiental de três comunidades que ficam no entorno da sede da empresa, no litoral de Aracruz, explica a analista de sustentabilidade Gislene Souza Rabelo. Espaços sujos são limpos, o lixo se torna arte.
"O reconhecimento é muito importante pelo nosso trabalho, que nós desenvolvemos nas comunidades do entorno da Portocel de educação ambiental e consciência. De cuidar da comunidade, do meio ambiente, de não poluir. O que nós fizemos foi formar essas pessoas para serem multiplicadores. A gente precisa de mais pessoas. Hoje a comunidade mesmo toma iniciativas sem depender da empresa, tomam por si só, que era o nosso objetivo"
PRODUTOR RURAL
Venceu o projeto “Pimenta-do-reino em Tutor Vivo Nim Indiano”, desenvolvido na fazenda Bela Morena, em Jaguaré, com o auxílio do técnico Josemberg Lima Passos, do Senar. A sustentabilidade é a marca do trabalho feito em família. Em meio à plantação da pimenta estão as árvores de nim indiano.
Invés de derrubar árvores para servir de estaca para a pimenta, as árvores plantadas fazem esse papel.
"Há sete anos a gente começou a desenvolver esse projeto de plantar pimenta-do-reino no nim indiano, que é uma planta, uma árvore. Nisso, nós estamos preservando o meio ambiente plantando árvores. Nós temos 33 mil pés plantados em produção e são mais 16 mil pés de nim plantados aguardando a pimenta-do-reino. É importante preservar, conservar e também há o retorno financeiro. Nós diminuímos o custo da nossa propriedade, para ela ficar mais sustentável. Temos gratidão por esse reconhecimento. A gente vê que boas práticas têm resultado"