Até 2009, o ES assistiu a um vertiginoso aumento em suas taxas de homicídios a. Atingimos 2.100 vítimas, ou 60,11 por 100 mil habitantes, quando a ONU classifica como guerra civil índices superiores a 50/100.000. Muito já vinha sendo feito para enfrentar o problema e começamos uma forte queda em 2010. Contudo, quando o governador que assumiu em 2011, em seu discurso de posse, anunciou que essa seria a prioridade na segurança pública, esteve longe de ser uma unanimidade: poucos achavam que esse era o nosso maior problema e ninguém imaginava, de todo modo, que ele poderia ser solucionado.
Em dez anos de políticas consistentes e continuadas, apesar das rivalidades políticas, houve uma redução lenta, mas sistemática, que não pode ser atribuída a fatores sazonais ou a uma ocasional trégua entre traficantes. Tudo isso com poucos confrontos e baixa letalidade policial.
Tudo indica que essa queda é sustentável, até porque, como bem demonstrou Bruno Paes Manso, a maior parte desses crimes se insere em uma espiral retroalimentada de rivalidades e vinganças: se esse processo é refreado de maneira prolongada, ele simplesmente perde força. Mesmo com o movimento paredista da PM, a convergência de queda foi retomada logo após. Isto significa, em outras palavras, que provavelmente bastará manter a eterna e prudente vigilância para que a tendência se sustente.
São mais de 1.000 vidas poupadas em 2019. Mais de 1.000 inquéritos economizados, que podem ser direcionados a outros crimes graves, conforme as prioridades que estabelecermos. É um momento ímpar em nossa história, na qual as autoridades estão tendo um instante para respirar; não que o trabalho já esteja pronto, mas ao menos paramos de empurrar a pedra morro acima.
A ser verdade o que a imprensa diz, 2020 pode ser um ano de recuperação econômica para o Brasil. Bem, pode ser um ano de muito progresso social no ES, também. Mais vidas humanas e, quem sabe, menos latrocínios, menos roubos e furtos. O desafio, entretanto, é não agravar ainda mais o problema da superlotação carcerária. O prognóstico para o ano novo é alvissareiro, mas continuará exigindo racionalidade, firmeza e competência.