Transcorreu em 29 de junho o Dia de Cachoeiro. A fim de celebrar a data, escrevo este artigo sobre o livro “São Pedro do Cachoeiro”, da professora Ariette Moulin Costa. Informações sobre a obra, inclusive belíssimas imagens de Cachoeiro de ontem e de hoje, estão disponíveis na internet. Trata-se de um mergulho na História da Igreja Católica, não só em Cachoeiro de Itapemirim e no Espírito Santo, mas também a sua trajetória no Brasil.
A autora conhece os caminhos da didática. Graças a essa capacidade de ensinar, soube construir um livro de fácil compreensão, que instiga quem o lê a buscar novos caminhos. Tratando da história de uma igreja particular, a obra aponta para muito além da Igreja Católica e sugere uma reflexão sobre a Fé, pilar fundamental da trajetória humana.
Ariette não se debruça apenas sobre a História, ciência em que é mestra, mas visita outras áreas do conhecimento. Assim é que, com muita sensibilidade, cita Barboza Lessa e rende homenagem a Tiaraju, o bravo guarani que resistiu à invasão dos Sete Povos, invasão praticada por homens supostamente civilizados.
Neste livro, a autora desnuda um aspecto pouco conhecido dos jesuítas: a atividade desta ordem religiosa na promoção e expansão da agricultura. Se Deus criou o mundo, como Autor do Primeiro Sopro, competia aos seres humanos expandir esse Primeiro Sopro plantando frutas, verduras, mandioca, cana de açúcar e tudo o mais que o solo pudesse produzir.
Nós somos capixabas, nós somos, etimologicamente, roças de milho. Quando se fala em preservar produtos da terra, jardins e flores, podem alguns perguntar: como pensar em defesa do meio ambiente se nem as pessoas estão defendidas? Como pretender cuidado com os pássaros se crianças e idosos são desalojados de seus barracos, que são seus lares? Por que lutar pela preservação daquela espécie em extinção se as crianças pobres, famintas, sem assistência são, elas próprias, uma espécie em extinção?
A contradição é apenas aparente. Quem luta pela vida luta por todas as formas de vida: flores, pássaros e, obviamente, crianças. Quem quer a morte quer todas as mortes. Lembremo-nos de Hiroshima. Os arautos da morte não destruíram apenas as pessoas que estavam em Hiroshima. Destruíram com sua bomba toda forma de vida que pudesse existir ali.
Fui juiz em dezesseis comarcas do interior do Espírito Santo. A percepção do mundo e das coisas leva-me a lançar uma hipótese, a ser eventualmente verificada através de pesquisa científica. Nas cidades onde encontrei belos jardins (São José do Calçado, por exemplo), sempre me pareceu que os crimes violentos ocorriam menos frequentemente.