A 28ª edição do Curso de Residência em Jornalismo da Rede Gazeta começou oficialmente na manhã desta quarta-feira (13), com a recepção dos 12 novos alunos, em Vitória. Coube ao repórter investigativo do Estadão Vinícius Valfré, que trabalha na sucursal do jornal em Brasília, abrir os trabalhos para a nova turma. Capixaba, o jornalista falou das relações de poder no Planalto Central, viagens pela Amazônia e o papel das grandes investigações no jornalismo.
“A reportagem é fácil de fazer, mas a boa reportagem é difícil; e ela é o caminho”, recomendou o jornalista, lembrando aos novos residentes – todos com idades entre 22 e 23 anos – que antes do uso de ferramentas como a inteligência artificial (IA) o jornalista precisa dominar o ofício e cultivar o desejo por contar histórias. “A gente tende a achar que as plataformas vão ser o futuro de tudo, mas não é bem assim. O caminho não é começar pela ferramenta. Primeiro vem a reportagem, depois o formato. É importante usar energia nos meios corretos”, recomendou.
O professor da aula inaugural dos novos residentes também defendeu a interdisciplinaridade no jornalismo, especialmente ao tratar de pautas complexas. “Gosto muito quando a reportagem não cabe em uma caixa só: economia, política, meio ambiente. As matérias que atravessam várias disciplinas e conversam com diferentes temas costumam ser as mais fortes”, pontuou.
A pauta socioambiental
No primeiro contato dos residentes de 2025 com a Rede Gazeta e com o tema que será abordado pelo curso nos próximos meses – a responsabilidade da sociedade e das empresas diante das emergências climáticas -, Vinícius Valfré também refletiu sobre o desafio de lidar com temas ambientais sem cair em estereótipos: “Procuro fugir do binômio: ou abraça árvore e é amigo dos índios, ou condena o agronegócio. A realidade é mais complexa, e falar de meio ambiente não é só uma coisa ou outra”.
“Muitas das nossas investigações no Estadão nascem de uma leitura de cenário. A gente faz coisas do zero, não fica a reboque da agenda. É preciso ler o contexto, ligar os pontos que passam por diferentes temas. Não sou um setorista de meio ambiente, mas essa pauta está em diferentes abordagens que estão à nossa volta”, acrescentou.
Antes da aula de Valfré, o diretor-geral da Rede Gazeta, Marcello Moraes, destacou o compromisso da empresa com a formação de jornalistas e a valorização da profissão. “Nosso negócio principal é o jornalismo. Lendo as apresentações dos residentes, vi que alguém disse que queria fugir de uma rotina de trabalho. Pois aqui, todo dia vai ser diferente. Não haverá um dia igual ao outro.”
Vozes da nova turma
Empolgados com o início da residência, alguns “focas” compartilharam suas primeiras impressões sobre a experiência. Vindo do curso de Jornalismo da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), Alberto Margon afirmou que encara o curso como uma grande responsabilidade. “Estou muito feliz pela oportunidade. Levo essa experiência com muita dedicação e seriedade. Tenho um respeito enorme pelo campo da comunicação e acredito que o jornalismo é uma forma de alcançar as pessoas e produzir senso crítico”.
Para Renam Linhares, também da Ufes, a residência representa o início de uma jornada: “É como o primeiro passo rumo a uma aventura cheia de descobertas e desafios, mas que vale a pena”, afirmou.