Clareza ao falar. Jogo de cintura. Foco e agilidade para diferentes temas. Se fosse possível resumir em três pilares o que faz de um repórter um postulante a apresentador de TV, esses três itens constariam na lista dos jornalistas Vanessa Calmon e Elton Ribeiro. Profissionais da TV Gazeta, ambos iniciaram a trajetória cobrindo o dia a dia nas ruas e hoje têm a oportunidade de entrar nas casas de milhares de pessoas conduzindo os telejornais da afiliada da Globo no ES.
Vanessa assumiu a apresentação do Bom Dia ES, líder de audiência no Estado, em julho deste ano. Já Elton acumula 22 anos de experiência em televisão e está completando sete anos na emissora. Apesar de atuar como repórter, faz substituições regularmente nos telejornais da emissora - já esteve no Bom Dia ES, no Gazeta Meio Dia e, também, no Boa Noite ES.
Para Vanessa, a maior mudança da rotina que tinha como repórter para a de apresentar um telejornal ao vivo foi a necessidade de lidar com várias pautas no mesmo dia. “Na rua você geralmente tem o seu assunto. No estúdio, esse foi um dos grandes desafios que eu senti, são muitos assuntos. Especificamente no Bom Dia ES, que tem duas horas e meia de duração”, apontou a jornalista.
Desafios da transição
A apresentadora ressalta que a bagagem como repórter foi fundamental no processo de transição para a apresentação. Segundo Vanessa, quando o jornalista está na rua, muitas variáveis podem afetar a condução das pautas. “No estúdio, você tem um ambiente controlado. Na rua, tem carro passando, gente buzinando, gritando, tem alguém que pode te abordar no meio do ao vivo. Muitas coisas podem acontecer e você precisa manter o foco para passar a informação”, explica.
Elton diz que o telejornalismo mudou, o que exige dos apresentadores mais dinamismo para lidar com as pautas. “Antigamente, o apresentador só lia o teleprompter. Hoje em dia, muitas vezes, a gente apura no estúdio”, afirma. Para ele, a maior transformação está na forma de se comunicar: “A gente tem que parar de fazer jornalismo para especialistas. As pessoas precisam entender a notícia”, recomendou.
Conexão com o público
Na última sexta-feira (15), os dois profissionais compartilharam suas experiências com os 12 alunos do 28º Curso de Residência em Jornalismo da Rede Gazeta. Sobre a necessidade de ser didático com o público, Vanessa concorda com o colega, e reforça a necessidade de que o jornalismo seja mais conversado e mais humano. Segundo ela, o público quer se sentir representado pelos jornalistas.
Como exemplo, Elton destacou que deve haver mais transparência em relação até mesmo a erros cometidos ao vivo: “É legal você assumir. As pessoas querem que você assuma. Jornalista não é robô. Ninguém tá ali pra ser perfeito”.
Vanessa e Elton ainda enfatizaram que a sensibilidade é um valor essencial no exercício da profissão. Para ambos, quando o jornalista deixa se indignar diante de injustiças, como casos de violência ou abuso do poder público, ele deixa de cumprir o papel jornalístico e passa apenas a reproduzir informações, algo que qualquer pessoa pode fazer nas redes sociais.
* Esta matéria foi escrita por alunos do 28º Curso de Residência em Jornalismo, sob orientação da editora de conteúdo Mariana Gotardo.