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Sexo

Químicas contra o amor

"Entregar-se sem reservas ao outro, em quem confia, é um grande estimulante natural"

Publicado em 13 de Março de 2020 às 15:59

Públicado em 

13 mar 2020 às 15:59
Carlos Boechat

Colunista

Carlos Boechat

carlosboechat@ebrnet.com.br

"Qualquer coisa que nos desagrada deixamos de lado ou tomamos uma química qualquer" Crédito: Pixabay
Leitores queridos, saudações! Já escrevi sobre esse tema em algum número anterior desta revista, mas recebi algumas questões sobre isso e resolvi reescrever. O tema pode ser o mesmo, mas o texto não é.
Vivemos uma época que somos estimulados a não ter frustrações, dores, desconforto. Qualquer coisa que nos desagrada deixamos de lado ou tomamos uma química qualquer. Receitada, copiada... Enfim, enfrentamos pouco o nosso reconstruir. Face a isso, sobrecarregamos nosso corpo, criamos dependências e qualquer substância traz consequências nem tanto saudáveis.
Os antidepressivos, de maneira geral, causam diminuição do desejo sexual. E na clínica psicológica percebo a influência deles em todos os usuários. Claro que problemas emocionais, conflitos, tristezas e falta de energia inibem em muitos qualquer vontade de fazer sexo, muito menos amor. Fica difícil dizer se é a medicação ou a situação emocional. Mas que o químico interfere, isso é certo.
Importante lembrar que as mulheres em tratamento psiquiátrico não têm desejo, mas como são obrigadas a lidar com seus parceiros sedentos, acabam cedendo a essa demanda sem prazer, por carinho ou obrigação marital. Nos homens, a queixa é a perda eretiva. Muitos não percebem a falta do desejo, mas a ausência da ereção, o que dificulta o tratamento e a busca adequada de sua disfunção. Tanto o homem quanto a mulher precisam conversar com o médico sobre o assunto e entre si. Precisam falar com o parceiro que necessitam de estímulos erótico, caricias mais intensas, prazerosas para obter algumas respostas. Não é só os psicotrópicos que interferem. Inibidores de apetite, drogas recreativas ilícitas, hormônios para obter músculos, drogas para crescer cabelos ou evitar a queda, assim como a menopausa e a andropausa. Tudo isso pode causar diminuição da libido.
Por isso, é importante para os homens e mulheres - que querem e gostam de ter uma vida sexual ativa - ir a médicos com frequência, testar seus hormônios, fazer reposição se for preciso. Exercícios físicos que aumentam a vitalidade e a resistência. Não espere os sintomas aparecerem. Prevenção é tudo! E, é claro, muitas brincadeiras, fantasias, alegria entre o casal. Aproveite a tecnologia para excitar o outro em vez de ficar no instagram e esquecer quem está ao seu lado.
Quanto menos medicamentos tomarmos, mais saberemos o que acontece conosco. Uma dor de cabeça eventual não precisa de analgésico. Ela passa e pode ser um aviso de que algo não vai bem no corpo e na alma.
Fazer psicoterapia, conversar sobre si e descobrir-se nesse mundo de mudanças tão rápidas ajudam muito no processo de envelhecer com saúde e boa vida sexual. Entregar-se sem reservas ao outro, em quem confia, é um grande estimulante natural.
Sintam, desejem, toquem... E sejam felizes mesmo que seja no instante do orgasmo.

Carlos Boechat

É psicólogo formado em Brasília, sexólogo e terapeuta de casais. É educador de sexualidade em escolas da rede pública e privada e pai da Stephenie

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