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Mudança de país

Conheça 5 histórias de capixabas que decidiram ir morar em Portugal

Capixabas estão escolhendo o país para morar e trabalhar. Clima agradável, qualidade de vida e facilidade da língua empolgam nova leva de imigrantes

Guilherme Sillva

Editor do Se Cuida

gusilva@redegazeta.com.br

Publicado em 14 de Maio de 2019 às 20:36

Publicado em

14 mai 2019 às 20:36
O céu azul de Lisboa conquistou a capixaba Ana Carolina Santos. Vivendo em Portugal há quase dois anos, a capixaba tem uma lista de bons motivos para falar do país que escolheu para morar. “O clima é bom, os vinhos são excelentes e a cor do céu é espetacular. Tudo isso deixa meu dia melhor. Aqui tem vários mirantes onde dá para ver a cidade e o pôr do sol”, conta a advogada.
Ela, que tem 37 anos, esteve no país duas vezes antes da mudança se concretizar. Com o marido e os dois filhos moram em Cascais, cidade litorânea de Portugal. “Das cidade que já tínhamos conhecido, Cascais foi a que mais gostamos. Fica bem perto de Lisboa, mas sem ser dentro do burburinho de uma cidade maior. E também tem praia e estar perto do mar foi um fator para a nossa adaptação”, conta. E complementa a escolha: “Cascais tem uma relação muito próxima com Vitória, inclusive tem uma praça no centro, com um prédio administrativo, que se chama Praça Vitória Espírito Santo Brasil”.
O agradável clima do país – que tem a maior parte dos dias ensolarados – foi um dos primeiros pontos listados pelo casal para a escolha. “A questão da distância e da segurança também foram pontos definitivos”. A advogada faz mestrado em Direito Público e também atua na área de turismo, com um blog com dicas do país. “Faço roteiros personalizados e me cadastrei nas autoridades para atuar como guia. Sempre encontro um café ou um miradouro novo. Sou apaixonada pela cidade”.
NA MODA 
Portugal está na moda. Basta caminhar pelas cidades de Lisboa, Cascais ou Porto para chegar a essa conclusão. Há novos restaurantes, bares, cafés e lojas em cada esquina. E, nos últimos anos, o país tem sido a escolha de muitos brasileiros que buscam fugir da crise econômica do País e querem uma melhor qualidade de vida. Clima agradável, qualidade de vida e facilidade da língua empolgam nova leva de imigrantes.
Hoje, cerca de 80 mil brasileiros residem em Portugal com vistos regulares, segundo dados do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF), órgão responsável pelo controle de imigração português. Mas esse número deve ser ainda maior, pois brasileiros com passaporte europeu ou que estão no país irregularmente somem das estatísticas. “Nos últimos anos aconteceram mudanças na legislação portuguesa para agilizar o procedimentos dos vistos, deixando tudo digital. Foi uma lei que desburocratizou os trâmites para o visto de residência nesse país. Os mais favorecidos foram os estudantes”, explica Helvécio de Jesus Júnior, professor de Relações Internacionais da UVV.
O professor ressalta ainda que os fatores determinantes para o boom de brasileiros em Portugal são as variações sazonais que dependem do crescimento econômico no Brasil. “Quando a economia brasileira crescia bastante no início dos anos 2000 o número de brasileiros no exterior caiu. Então, o fator determinante é econômico e a expectativa de se conseguir um emprego fora do país”, ressalta.
O advogado Rafael Ernesto Lima, especializado em assessoria jurídica a empresas e estruturação jurídica de negócios em Portugal, explica que o Brasil passou por muita turbulência política e econômica nos últimos anos, o que fez com que muitas famílias buscassem novos horizontes e perspectivas. “Portugal sai de um período de crise, com recuperação econômica, gerando oportunidades que atraem profissionais e investidores. Somado a isso, temos a majoração da violência no Brasil, enquanto Portugal oferece segurança pública, educação de qualidade e ainda a facilidade da língua.”
Ele ressalta ainda que, para quem quer viver em Portugal, é preciso obter o visto de residência, sendo que o pedido deve ser feito no Brasil. “O estrangeiro só deve providenciar sua mudança definitiva após obter o visto. Uma situação diferente é a de quem tem alguma cidadania europeia. No Espírito Santo temos uma grande colônia italiana, e quem já teve a cidadania reconhecida, e está na posse dos documentos, pode viver em Portugal na qualidade de cidadão europeu, independentemente de vistos”.
VIDA EM AVEIRO
Há 5 meses o casal Paulo Roberto Donatilio Rego e Viviane Vergottini escolheram a cidade de Aveiro para morar. “Eu e minha esposa tínhamos vontade de ter uma experiência morando fora do Brasil, fizemos um planejamento, contratamos uma consultoria e seguimos o plano até nos mudarmos”, conta o programador.
Eles chegaram em pleno inverno europeu. Por isso, o frio e o isolamento inicial, foram as dificuldades no início da nova jornada. “Mas com o tempo começamos a interagir e acabamos nos divertindo com as conquistas”, conta Paulo.
A mudança meteorológica, com dias ininterruptos de sol, fez o casal cair de amores pelo país. “Um momento inesquecível para mim foi um entardecer em um terraço às margens do rio Douro, na cidade do Porto. Uma mistura de sentimentos, cores e sons que vale a pena experimentar”, conta o capixaba.
Ele, que trabalha com desenvolvimento de sistemas, tem a rotina de ir pedalando até o trabalho. Como nesta época do ano, o pôr do sol acontece por volta das oito da noite, ainda aproveita o tempo noturno com atividades externas como parques e bares. “Em Aveiro existe uma movimentação a favor do esporte muito evidente, e neste aspecto consigo associar com Vitória”, conta. O casal também adora sair para conhecer novos lugares. “Portugal é um país cheio de história, existem diversas cidades milenares, e como é um país relativamente pequeno, com uma ou duas horas de trem ou de carro é possível estar em algum local fantástico”.
Paulo Roberto relata ainda que, até agora, os portugueses foram bem diferentes dos esteriótipo que ele escutava. “Todos foram muito expansivos e comunicativos. Gostam de conversar sobre as diferenças entre os países. Entre uma taça e outra de vinho conhecemos ótimas histórias de Portugal”, garante ele, ressaltando ainda que existem inúmeras formas de se comer bacalhau. “É uma melhor que a outra”, finaliza.
ESTUDO
A jornalista e mestranda em Marketing, Karina Vargas Ferreira, 40 anos, também escolheu Aveiro como sua nova casa, onde mora há um ano. “Meu sonho era morar no Porto, mas vim pra Aveiro por causa da Universidade. A cidade é conhecida como a Veneza Portuguesa, por causa dos seus canais (rias de Aveiro) e dos barcos moliceiros que passeiam com os turistas. A cidade é bem tranquila, bonita e lembra Guarapari”, conta.
Viver fora sempre foi um desejo de menina. E a vontade se fortaleceu por conta da situação política e econômica do Brasil nos últimos anos, além da violência e falta de oportunidades. “A escolha por Portugal foi principalmente pela facilidade de obter autorização de residência e o idioma, que apesar de ser igual, é diferente. Têm muitas pegadinhas na língua e hoje entendo porque os portugueses falam que nosso idioma deveria ser chamado de brasileiro”, conta ela, que fez diversas pesquisas até se mudar. “É duro recomeçar a vida do zero, longe da família e amigos. Tem que ter resiliência e paciência, para não desistir na primeira dificuldade, já que são muitos obstáculos e burocracia até obter autorização de residência e, consequentemente, para trabalhar no país”.
Mas ela ressalta que não é difícil se encantar pelo país. “Tem muita história, arquitetura belíssima e uma gastronomia incrível. A pastelaria (confeitaria) é riquíssima. Cada cidade tem seu doce tradicional, a maioria com ovos e massas folheadas”.
Ela já trabalhou como vendedora no shopping. Atualmente tem uma empresa de transporte de passageiros (por app) junto com o marido, e fazem transfer e turismo receptivo de pequenos grupos. “Recebemos clientes do mundo todo, principalmente brasileiros que chegam de mudança ou para férias e querem dar um giro conosco”, conta Karina. Além disso, ela também trabalha com marketing digital e produz conteúdos para sites, blogs e redes sociais, além de ter aula na universidade duas vezes por semana. “Tenho uma vida social bastante movimentada. Muitos amigos brasileiros se encontram pelo menos uma vez a cada 15 dias para um churrasco e vou à igreja aos domingos”, conta ela, que acabou criando um blog onde conta a sua experiência e esclarece dúvidas, principalmente de brasileiros que desejam morar em Portugal.
MERCADO DE TRABALHO
Se alguns capixabas vão para morar, outros encontram no país um nicho no mercado de trabalho. É o caso da empresária Rafaela Ziviani, 36 anos, que acaba de abrir um escritório de marketing no país e viaja a cada temporada para lá. “Em 2016 me apaixonei de verdade por Portugal. Viajei sozinha para visitar um cliente, fazer pesquisa e dar um curso, mas fiz questão de aproveitar cada minuto extra para passear, comer, beber e conversar com as pessoas. Percebi que Portugal tem um combo perfeito: comida e bebida da melhor qualidade por um preço superjusto, paisagens de tirar o fôlego e muita história”.
A viagem de turismo virou negócio quando, após aulas e treinamentos no país, ela percebeu que os alunos sempre pediam propostas para a sua empresa. “Notei que não existem empresas com o perfil da minha e comecei a considerar a possibilidade. Mas eu precisava pesquisar o mercado e me estruturar para atendê-los com qualidade”, diz. Ela trabalha com a Revista I Love Brides, além do evento White Wedding Week, a estilista Conceição Leite e três lojas Prassa, de moda nupcial masculina e feminina.
Para a empresária capixaba o grande desafio foi entender as diferenças. “Os portugueses são bem literais e objetivos e os brasileiros são criativos e flexíveis. Quero aproveitar o melhor de cada perfil e promover o intercâmbio entre os clientes sempre que possível”, conta ela, ressaltando que a língua facilita o entendimento além de aproximar os povos.
Rafaela contou ainda que os portugueses estão vivendo economicamente um momento oposto ao nosso. “A economia vai muito bem, o país cresce a cada dia e o clima é de otimismo. O mundo voltou os olhos para Portugal e isso tem feito muito bem ao país e às pessoas. Além disso vi as mesmas cores do pôr do sol de Vitória e percebi que posso ter dois lares. O céu rosa e azul me deu a sensação de pertencer ao Porto. Já me sinto em casa”.
Faz dois anos que Bruno Comarela que escolheu o país para morar. "Fui atraído pela segurança, qualidade de vida e pela facilidade de conseguir a documentação para morar e viver sem ter que depender de filas burocráticas de consulado no Brasil". Ele conta que se encantou pelas belezas da natureza e também a arquitetura. "Além da quantidade de pessoas de diferentes países reunidas e ao passar perto ouvir elas a falar em suas línguas nativas. Muito bom ver tantas pessoas juntas em passagem por aqui ou morando aqui".
Morando em Cascais - uma cidade que parece muito com Vitória - ele conseguiu trabalho assim que chegou. E se diz impressionado com algumas diferença do Brasil. "A gentileza e educação das pessoas com o próximo chama a atenção. Além do respeito pelos direitos de quem chegou primeiro a um lugar de atendimento ao público, o respeito às leis da cidade e o zelo regular pelo bem público", diz.
Ele, que adora frequentar bares e restaurantes da cidade, desataca a gastronomia local como bacalhau, azeite, vinho e o famoso pastel. 
VISTOS PARA PORTUGAL
A legislação portuguesa sofreu algumas mudanças. E a retomada da economia conta com a intervenção do governo. “Portugal criou o Regime Fiscal do Residente Não Habitual, pelo qual as pessoas que são elegíveis a este regime ficam isentas de pagar imposto sobre a renda obtida fora de Portugal, e ainda contam com uma alíquota diferenciada sobre a renda obtida em Portugal, tudo isso por um período de até 10 anos. Esse sistema tem atraído inúmeros estrangeiros que migram para Portugal, lá fixando residência”, explica o advogado Rafael Ernesto Lima.
O país tem ainda inúmeras modalidades de vistos, chamando a atenção de empreendedorismo, o Startup Visa (lançado em 2017), e o Visto Gold. “O Visto de Empreendedor permite ao candidato que tenha um plano de negócios de mudar com sua família para Portugal, com investimentos menores, mas deve cumprir alguns requisitos na apresentação desse plano, como por exemplo a expectativa de quantos postos de trabalho serão criados. O Startup Visa é direcionado para aqueles empresários disruptivos, que tenham sido aceitos em alguma incubadora/aceleradora catalogada pelo Governo de Portugal”, explica.
Já o Visto Gold é destinado a quem faz investimentos, imobiliários ou financeiros, e Portugal tem um dos programas mais arrojados, com opções de investimento a partir de trezentos e cinquenta mil euros. “O Visto Gold de 350 mil é também uma inovação, pois é concedido a quem adquire e reforma um imóvel com mais de 30 anos em áreas específicas de interesse de reabilitação urbana, que em uma só operação injeta recurso internacional na economia, gera emprego e renda com as obras dos imóveis e puxa a valorização de imóveis e bairros mais antigos, que estavam em deterioração”, ressalta Rafael.
Outra opção ainda é o chamado D2, muito utilizado por empreendedores. “Eles montam um plano de negócios de alguma atividade e apresentam para o consulado no Brasil. Se forem aceitos podem ir com o visto de empreendedor. Esse visto tem algumas características, não precisa ter um projeto aceito pela incubadora, e sim algum tipo de atividade que o consulado entenda como importante”, explica.

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