A decisão pela intervenção federal no Rio de Janeiro acontece dias após um carnaval caótico, em um Estado desgovernado, um cenário que nada tem de novo. Não é exagero dizer que nos acostumamos perigosamente à violência, tão enraizada que a manobra do governo federal não pode ser considerada intempestiva, como se não houvesse razões suficientes e urgentes para se iniciar a ressuscitação daquele Estado. Passou da hora de se recuperar a autoridade perdida. Passou da hora de a população ter pelo menos um pouco de paz.
Se houve uma deterioração social com a crise fiscal – agravada pela corrupção na cúpula do poder – que deixou o Estado em ruínas, não se pode esquecer de que a segurança pública é um problema endêmico no Rio há pelo menos três décadas, intercalando períodos de completa omissão estatal com outros marcados por políticas de enfrentamento que acabaram arruinadas. A implementação das UPPs é célebre nesse sentido. Por pouco tempo, a pacificação pareceu possível. Mas não durou muito. No lugar do tráfico, emergiram as milícias como novo poder paralelo. E, em pouco tempo, o comércio ilegal das drogas conseguiu se regenerar e se readaptar. Voltou ainda mais brutal.
O Rio é peculiar. O crime organizado é difícil de ser decifrado, transforma-se, camufla-se no próprio poder público. O Rio é difícil, mas não pode ser tornar impossível, sob o risco de o restante do país seguir o mesmo caminho sem volta. O que vem ocorrendo em Estados como Ceará e Rio Grande do Norte acende o alerta para a deflagração de novas guerras urbanas descontroladas. O Espírito Santo, como bem sabemos, não escapa dessa apreensão.
Como vizinhos, a situação do Espírito Santo é delicada. As autoridades estaduais anunciaram que, com a intervenção, ampliarão o controle nas divisas para evitar que bandidos se estabeleçam por aqui. Os serviços de inteligência precisam ser eficientes para evitar uma invasão. Cooperar quando for preciso, mas principalmente impedir a importação de novos problemas.