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Doenças hematológicas

Hospital no ES realiza transplante de medula óssea alogênico com coleta em centro cirúrgico

No transplante alogênico, as células-tronco hematopoéticas - que são como as “células-mãe” que ficam dentro da medula óssea e têm a função de produzir todas as células do sangue - vêm de um doador compatível

Publicado em 04 de Maio de 2026 às 15:43

Publicado em 

04 mai 2026 às 15:43
Transplante em hospital
O procedimento foi feito em um jovem de 21 anos no ES
shutterstock

O Hospital Santa Rita realizou o primeiro transplante de medula óssea alogênico com células coletadas em centro cirúrgico. O procedimento foi feito em um jovem de 21 anos com aplasia medular. A coleta foi realizada em um doador aparentado (irmão), por meio de múltiplas punções no osso da bacia bilateralmente. O volume coletado, aproximadamente 1000 ml, foi infundido no receptor no mesmo dia. Todos passam bem e já tiveram alta hospitalar. 


“Demos um salto qualitativo na forma como tratamos doenças hematológicas graves no estado, ampliando as possibilidades terapêuticas e trazendo perspectivas de cura para pacientes. Essa conquista reflete o nosso compromisso com a ciência, a inovação e, sobretudo, com a vida”, diz Marcelo Aduan, hematologista e coordenador do Serviço de Onco-Hematologia e Transplante de Medula Óssea do hospital.


No transplante alogênico, as células-tronco hematopoéticas - que são como as “células-mãe” que ficam dentro da medula óssea e têm a função de produzir todas as células do sangue - vêm de um doador compatível. Normalmente, de um irmão ou de uma pessoa que tenha se cadastrado no Registro Nacional de Doadores Voluntários de Medula Óssea (Redome).


Essas células podem ser retiradas das seguintes formas:


1 - Da própria medula óssea - coletada diretamente do osso da bacia - O doador recebe anestesia geral ou raquidiana para não sentir dor. Em seguida, o médico faz pequenas punções no osso da bacia, na região do quadril, com uma agulha especial e retira a medula óssea líquida, que é rica em células-tronco. “Depois da coleta, o doador pode sentir um leve desconforto ou dor na região, como se tivesse levado uma pancada. Geralmente, recebe alta no mesmo dia ou no dia seguinte e se recupera rapidamente, retomando a rotina em poucos dias. Vale explicar que o corpo repõe naturalmente a medula retirada, então o organismo do doador não fica prejudicado”, ressalta o hematologista Marcelo Aduan. 


2 - Por meio de sangue periférico - não é necessário fazer cirurgia. O doador recebe, por alguns dias, um medicamento que faz com que as células da medula “saiam” para a corrente sanguínea. Depois, ele é conectado a uma máquina - parecida com a usada para doação de plaquetas - que retira o sangue, separa apenas as células-tronco e devolve o restante para o corpo. É um procedimento menos invasivo, feito por meio de punção na veia (como um exame de sangue) e geralmente é seguro e bem tolerado. 


3 - Por meio do sangue de cordão umbilical - Essa coleta é rápida e não causa dor nem para a mãe nem para o bebê. Ela acontece logo após o nascimento. “Depois que o bebê nasce e o cordão umbilical é cortado, o profissional de saúde utiliza uma agulha para retirar o sangue que ainda está no cordão e na placenta. Esse sangue, que normalmente seria descartado, é rico em células-tronco, que podem ser usadas em tratamentos, como o transplante de medula óssea”, explica Marcelo Aduan. O material coletado é armazenado em um banco especializado para uso futuro, seja pelo próprio paciente ou por outra pessoa compatível.


Entenda o que é aplasia medular


A aplasia medular, segundo o médico, é uma condição rara e grave em que a medula óssea - responsável pela produção das células do sangue - deixa de funcionar adequadamente. Com isso, o organismo passa a produzir menos plaquetas, glóbulos vermelhos e glóbulos brancos, o que pode causar anemia, maior risco de infecções, sangramentos e hematomas pelo corpo.  


Ela pode surgir por diferentes razões, como alterações autoimunes - quando o próprio corpo ataca a medula -, exposição a substâncias tóxicas, alguns medicamentos, infecções virais  e até sem motivo definido. “O tratamento depende da gravidade, podendo incluir medicamentos imunossupressores e, quando estes falham, o transplante de medula óssea é a única opção curativa”, explica Marcelo Aduan. 


No Brasil, o primeiro transplante alogênico foi realizado no Paraná em um paciente portador de aplasia medular. 


Por que usar a medula óssea como fonte?


Na aplasia medular, a medula óssea como fonte tem vantagens importantes, como menor risco de doença do enxerto contra o hospedeiro - depois do transplante, o paciente recebe células de outra pessoa que vão formar um novo sistema de defesa no corpo. Em alguns casos, esse “novo sistema” estranha o organismo do paciente e começa a atacá-lo, como se fosse algo invasor, afetando a pele, o intestino e o fígado. Mas hoje há formas de prevenir e tratar essas possíveis reações.


Outro benefício é a boa taxa de “pega” (quando a nova medula começa a funcionar). Além disso, é preferida especialmente em pacientes jovens, como o caso registrado no Hospital Santa Rita.


Para que todo o procedimento dê certo, é necessário respeitar algumas fases. Veja a seguir:


1 - Condicionamento - uso de quimioterapia (às vezes com radioterapia) para destruir a medula doente e preparar o organismo


2 - Infusão das células-tronco - as células do doador são infundidas por via intravenosa - como se fosse uma transfusão


3 - Fase de enxertia - as células migram para a medula óssea e começam a produzir sangue - geralmente entre duas e quatro semanas

Nessas etapas, o hematologista comenta que é preciso redobrar os cuidados com processos infecciosos, como a doença do enxerto contra o hospedeiro, falha de enxertia e toxicidade dos quimioterápicos. 

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