O empresário Geraldo Luzia de Oliveira Júnior, o Juninho, não esquece: no último verão não conseguiu dar um mergulho no mar. "Por conta da quantidade de cera no ouvido que me incomoda".
O tumor classificado como CID-10 D33.3, conhecido como schwannoma vestibular, é uma formação benigna que se origina na bainha do nervo responsável pela audição e pelo equilíbrio. Apesar de não ser maligno, pode causar diversos sintomas que impactam a qualidade de vida do paciente. O sinal mais comum é a perda auditiva, mas também podem ocorrer zumbido, tontura e cefaleia. Em casos mais avançados, quando o tumor atinge maior volume, podem surgir manifestações como paralisia facial, alterações de sensibilidade na face e até incoordenação motora.
Na última quarta-feira (29), o empresário e ex-atleta recebeu A GAZETA em sua casa, dias antes de viajar para São Paulo, onde passará por uma cirurgia de alta complexidade no Hospital Sírio-Libanês. Usava bermuda, camiseta e tênis. "Estou tranquilo e encarando esse momento com serenidade", disse.
Ao longo de 50 minutos, falou sobre como tem encarado a doença, o impacto do diagnóstico e das possíveis sequelas que terá após a cirurgia como a paralisia facial, a dificuldade na fala e para engolir alimentos. E chorou ao lembrar do luto que ainda enfrenta após a morte da esposa, a modelo Nabila Furtado, vítima de um câncer de mama e com quem viveu durante 12 anos.
Recebi o diagnóstico de forma muito direta da médica Nathalia Manhães, que me acompanha há alguns anos. Eu havia retornado ao consultório para a limpeza periódica de cera, um procedimento que realizo anualmente, quando fui surpreendido. Como eu não havia entregue a ressonância solicitada anteriormente, levei-a naquela consulta e a médica me deu a notícia: tinha um tumor de dois centímetros no crânio.
O que passou pela sua cabeça quando soube do diagnóstico?
Passou toda história que eu vivi com Nabila (a esposa faleceu em 2025 vítima de um câncer de mama. Nabila foi miss ES e eles foram casados durante 12 anos). Passa o pensamento de como vou tratar, o cuidado com as minhas filhas, como vou cuidar das pessoas que dependem de mim, da minha família e amigos. Hoje, confesso que estou mais focado no depois do que na própria de cirurgia. Não tenho medo de morrer. Acho que, enquanto a gente ficar na terra, temos que cumprir as nossas missões.
É difícil a gente imaginar o que passa na cabeça de uma pessoa que recebe esse diagnóstico. O que você lembra desse dia?
Já tínhamos entendido que eu teria algo a partir de 2 de fevereiro. Mas tive que voltar a fazer os exames. E foi nesse período, entre 15 e 17 de fevereiro, que veio a realidade. E aí você fica triste, pensativo... Sou uma pessoa alto-astral e sabia que não podia parar por causa disso. Me senti no direito de não falar para ninguém o que estava passando. Eu me recolhi a mim mesmo. Comecei a pensar nas coisas que poderia fazer que ainda não fiz, se derem tempo de fazer. E a reorganizar minha vida.
Essa semana você embarca para São Paulo onde passará por uma cirurgia complexa no Hospital Sírio-Libanês....
Vai ter um corte e será, no mínimo, quatro horas e meia de cirurgia. Vou ter que ficar dois dias na UTI e mais quatro no quarto. E nesse período, completando 15 dias, tenho que ficar em São Paulo porque eles querem me acompanhar. Depois vão me dizer se eu posso voltar para o Espírito Santo ou não. Talvez não possa nem voltar de avião.
E os médicos já te disseram que possivelmente você terá algumas sequelas...
É um tumor, a princípio benigno, mas que é complexo, porque vou perder várias funções durante um período da vida. Tem a questão da paralisia facial, parece que vou ficar um período sem conseguir falar, e a parte de engolir os alimentos também será prejudicada. Não sei se vou conseguir me comunicar com as pessoas e nem fazer atividade física. Estou na expectativa do futuro.
Você está com medo dessa cirurgia?
Não. Não, estou com medo.
Você viajou de férias para Disney com as suas filhas e só quando retornou que decidiu contar o seu diagnóstico para os mais próximos. Por que que você topou dar essa entrevista?
Por respeito a Nabila, escondemos durante cinco anos tudo o que ela passou, e tive que acumular muita coisa sozinho. Não queria que fosse da mesma forma. Talvez essa notícia também sirva para isso, para que eu não precise explicar depois da cirurgia. E para que outras pessoas que têm sintomas de câncer ou de outras doenças, fiquem mais atentas.
Faz um ano que você perdeu sua esposa vítima de um câncer de mama. E agora você começa a sua batalha...
O dela foi câncer de mama metastático. Uma pessoa que era acompanhada pelo ginecologista, jovem, e, que de certa forma, se cuidava, principalmente na questão da alimentação e da atividade física. Na minha cabeça passa que eu posso ter mais tumores daqui a pouco e se não vou passar pelo que ela passou.
Você ainda vive o luto...
Não superei e tudo me lembra ela. As vezes que fui à igreja, senti ela do meu lado. Não consegui mais ir à Praia Formosa ou passear com os nossos cachorros. Aqui mesmo em casa tenho ficado pouco.
Foi em casa, porque quando identificamos que ela não poderia mais recuperar, o médico foi muito maduro e me chamou para conversar. Ele disse: "Está vendo o estado dela? São os últimos momentos. Quando chega nessa fase, não dá para recuperar". Fiquei uns seis dias já sabendo o que ia acontecer. E foi numa madrugada, quando as garrafas de oxigênio já não estavam mais dando conta, que levei ela pro hospital pela última vez. Ela não tinha mais força para tomar banho. Fralda, a gente tinha que trocar sempre. E ela alucinando por conta da medicação. Foram dois dias que eu só consegui ficar olhando para ela. Foram 12 anos que fizemos tudo juntos.