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Tumor na cabeça e pescoço

Neoplasia cervical: entenda a doença que afastou Luís Roberto da Copa

Elas podem surgir em diferentes áreas da região de cabeça e pescoço, como boca, língua, orofaringe, laringe (incluindo as cordas vocais), além dos gânglios do pescoço

Publicado em 10 de Abril de 2026 às 13:25

Guilherme Sillva

Publicado em 

10 abr 2026 às 13:25
Luis Roberto
Luís Roberto  foi diagnosticado com uma neoplasia e precisará se ausentar para o tratamento Crédito: Reprodução @LuisRoberto
O narrador Luís Roberto não participará da cobertura da Copa do Mundo de 2026. A informação foi divulgada pelo "ge" nesta terça-feira (7), após ele ter sido confirmado como um dos principais nomes da transmissão. Ele foi diagnosticado com uma neoplasia e precisará se ausentar para o tratamento.
Segundo o "ge", Luís Roberto se afastará para tratar questões de saúde. Ele foi diagnosticado, após exames de rotina, com neoplasia localizada na região cervical, em fase final de avaliação para o tratamento. “Depois do susto, está tudo sob controle. Tenho ao meu lado o que a ciência tem de melhor. Melhores médicos, hospitais. Tenho uma família amorosa seguindo ao meu lado. Em quase 40 anos na Globo, aprendi que essa casa jamais desampara os seus.”

Entenda a condição

As neoplasias da região cervical são tumores que acometem a área da cabeça e pescoço, especialmente o pescoço. Esse grupo inclui diferentes tipos de câncer, como linfomas que atingem os gânglios cervicais, tumores da boca, garganta, cordas vocais e também da tireoide. "Além disso, estruturas como as paratireoides — pequenas glândulas localizadas atrás da tireoide — também podem ser acometidas. Por isso, trata-se de uma condição ampla, que envolve diversas possibilidades e exige investigação adequada", explica o oncologista Fernando Zamprogno, da Rede Meridional. 
O médico conta que elas podem surgir em diferentes áreas da região de cabeça e pescoço, como boca, língua, orofaringe, laringe (incluindo as cordas vocais), além dos gânglios do pescoço. Em muitos casos, tumores que se originam nessas regiões podem se manifestar como aumento dos gânglios cervicais. "O sintoma mais frequente é o aumento de volume no pescoço, geralmente de forma assimétrica. Esse aumento costuma se apresentar como caroços ou nódulos endurecidos na região cervical", diz Fernando. 
O cirurgião de cabeça e pescoço Marco Homero explica que neoplasia é todo crescimento anormal de células que formam um novo tecido, chamado de massa ou tumor. Já o termo cervical indica que o fenômeno se deu na região do pescoço. "Esse crescimento de células pode tanto ser benigno (quando essas células não têm a capacidade de se espalhar para outros tecidos), como maligno (quando elas podem se espalhar)". 
No caso da região da cabeça e pescoço, alguns sintomas comuns são dores persistentes na garganta, alterações na voz, rouquidão, sensação de caroço no pescoço e dificuldade para engolir e feridas e manchas na boca. O médico conta que os principais fatores de risco para neoplasias de cabeça e pescoço são o consumo de álcool, o tabagismo e o HPV (Papilomavírus Humano). 
Marco Homero de Sá, cirurgião
Marco Homero explica quais são os fatores de risco Crédito: Divulgação/ Marco Homero de Sá
Profissionais que fazem um uso intensivo da voz, como o narrador esportivo Luís Roberto, também podem apresentar alguns desgastes com o passar do tempo
Marco Homero - Ciruirgião de cabeça e epscoço
De acordo com a oncologista Aline Lauda, da Oncoclínicas, um dos principais pontos de atenção nesses casos é que o pescoço nem sempre é o local onde a doença começa. “A região cervical concentra cadeias linfáticas importantes, que funcionam como uma espécie de filtro do organismo. Por isso, alterações identificadas ali frequentemente representam tumores que tiveram origem em outras áreas da cabeça e pescoço.”
Esse grupo inclui diferentes tipos de câncer que podem acometer estruturas como cavidade oral, garganta, laringe, tireoide e glândulas salivares. Além disso, outras doenças também podem se manifestar como uma neoplasia cervical e entram no diagnóstico diferencial, como os linfomas, tumores que se originam no sistema linfático e também podem causar aumento de linfonodos nessa região. Por essa razão, o diagnóstico não se encerra na identificação do nódulo: ele marca o início de uma investigação mais ampla.
"Dependendo da origem do tumor, outros sintomas podem surgir de forma associada, como rouquidão persistente, dificuldade para engolir, feridas na boca que não cicatrizam e dor de garganta prolongada. Isoladamente, esses sinais podem parecer comuns, mas sua persistência exige atenção", diz a médica.

Opções de tratamento

O diagnóstico é realizado por meio de biópsia, que confirma a natureza da lesão. "Exames de imagem, como tomografia e ressonância magnética, são utilizados para complementar a avaliação, permitindo o estadiamento da doença e a análise da extensão do tumor", diz Fernando Zamprogno. 
O tratamento varia de acordo com o tipo e o estágio da doença. Pode incluir cirurgia, radioterapia, quimioterapia e, em casos de câncer de tireoide, iodoterapia (terapia com iodo radioativo). "Com os avanços da medicina, especialmente na radioterapia, muitos casos podem ser tratados sem necessidade de cirurgia, preservando órgãos e funções", diz Fernando. 
Evandro Duccini, cirurgião oncológico de cabeça e pescoço do Hospital Santa Rita, conta que o diagnóstico dessas neoplasias exige abordagem multidisciplinar e combina avaliação clínica detalhada com exames complementares. “Métodos de imagem, como tomografia computadorizada e ressonância magnética, são fundamentais para determinar extensão tumoral e envolvimento de estruturas adjacentes. Exames endoscópicos, como a nasofibrolaringoscopia, permitem visualização direta das vias aerodigestivas superiores, enquanto a confirmação diagnóstica é obtida por meio de biópsia e análise histopatológica”, destaca. A detecção precoce, segundo o médico, é um dos principais fatores prognósticos, estando diretamente associada a maiores taxas de sobrevida.

No que se refere ao tratamento, a abordagem depende de múltiplos fatores, incluindo tipo histológico, localização, estadiamento e condições clínicas do paciente. As modalidades terapêuticas clássicas incluem cirurgia oncológica, radioterapia e quimioterapia, frequentemente utilizadas de forma combinada. “Em cenários mais recentes, terapias-alvo e imunoterapia têm ganhado destaque, especialmente em tumores avançados ou recorrentes, promovendo melhores desfechos clínicos em determinados subgrupos de pacientes. Além do tratamento curativo, cuidados paliativos e reabilitação funcional são componentes essenciais do manejo integral”, acrescenta o cirurgião.

“A neoplasia cervical representa um desafio clínico relevante, tanto pela complexidade anatômica da região quanto pelo impacto funcional e estético no paciente. A principal estratégia para melhorar os desfechos continua sendo o diagnóstico precoce aliado à redução dos fatores de risco modificáveis, especialmente tabagismo e consumo de álcool”, diz Evandro Duccini.


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