No mundo todo, mais de um terço das mulheres sofre com problemas de saúde após o parto, de acordo com a Organização das Nações Unidas (ONU). A falta de acompanhamento médico depois de ter o primeiro filho pode causar diversos problemas, como sangramentos, dores na lombar, incontinência urinária e até mesmo depressão pós-parto, que atinge 26,3% das mulheres no país, segundo a pesquisa “Transtornos mentais no pós-parto no Rio de Janeiro 2021–2023: Pesquisa Nascer no Brasil II”, publicada na Revista de Saúde Pública.
“As consultas no puerpério, período após a gravidez, permitem identificar precocemente complicações físicas, como infecção, anemia e dor, e emocionais, como ansiedade e depressão. O atendimento médico também fornece orientações importantes sobre amamentação, sono, autocuidado e planejamento reprodutivo”, explica a Dra. Maria Mariana Portinho, profissional da área de obstetrícia do AmorSaúde, enfatizando a necessidade de se consultar regularmente após o nascimento do primeiro bebê.
A chegada de um filho provoca uma redução acentuada dos hormônios estrogênio e progesterona, o que pode afetar diretamente o humor, o sono e os níveis de energia da mulher. “O corpo passa por involução uterina, que é o processo no qual o órgão volta ao seu tamanho original, além de alterações mamárias, devido à amamentação, perda de líquidos e recuperação de tecidos”, lista a médica.
Acompanhamento médico no pós-parto
De acordo com a Dra. Maria Mariana Portinho, o puerpério é o período em que a mulher irá se recuperar física e mentalmente. As alterações hormonais e as mudanças no corpo podem gerar riscos à saúde ; por isso, ela recomenda atenção redobrada e acompanhamento médico dos seguintes profissionais:
- Ginecologista/obstetra: este profissional irá avaliar a involução uterina, a cicatrização da cesárea, verificar se há sangramentos ou infecções e se a recuperação está ocorrendo dentro do prazo. Também pode orientar sobre métodos contraceptivos, caso a mãe não deseje ter mais filhos;
- Pediatra: além de acompanhar o recém-nascido, o pediatra também ajuda a mãe a entender melhor os cuidados que o bebê exige e oferece mais segurança durante o puerpério;
- Enfermeiro/consultor de amamentação: esse profissional pode ser necessário caso a mãe precise de apoio na amamentação e enfrente problemas como fissuras ou dor;
- Psicólogo/psiquiatra: em caso de sofrimento emocional ou depressão pós-parto, o profissional pode ajudar a mãe, oferecendo suporte emocional.
“Esses profissionais garantem a recuperação adequada e a prevenção de complicações, mas a presença de uma rede de apoio também é importante. Familiares e amigos ajudam na redução do estresse, melhoram o descanso da mãe e favorecem o vínculo com o bebê. O apoio emocional e nas tarefas diárias diminui o risco de sobrecarga e depressão pós-parto”, explica a médica.
Principais sinais de alerta
Segundo a Dra. Maria Mariana Portinho, alguns sinais durante o puerpério podem indicar a necessidade de atendimento médico. Ela afirma que, na presença de um dos sintomas abaixo, o recomendado é procurar avaliação médica o mais rápido possível.
- Febre persistente: o sintoma pode ser um sinal de infecções, como a endometrite, que ocorre no tecido uterino, ou a mastite, que ocorre nas mamas;
- Sangramento intenso ou com coágulos grandes: pode indicar hemorragia pós-parto e requer atendimento médico o mais rápido possível;
- Dor abdominal intensa ou na cicatriz: a dor pode indicar problemas de cicatrização, lesões ou até mesmo uma infecção na região. Sendo assim, é necessária avaliação médica para definir a causa;
- Secreção com odor forte: o sintoma pode indicar infecção uterina, presença de restos placentários ou outros tipos de infecção;
- Dificuldade para amamentar ou dor intensa nas mamas: além de infecção, a dor também pode ser sinal de problemas na pegada do bebê, fissuras ou leite empedrado;
- Tristeza profunda ou pensamentos negativos persistentes: podem ser sinais de depressão pós-parto. É recomendável iniciar o tratamento o mais rápido possível, antes do agravamento.
Tempo de retorno às atividades
Por fim, a médica afirma que, nos casos em que não ocorre nenhuma complicação, o tempo para que a mulher retorne às suas atividades depende do tipo de parto e da recuperação individual.
“Recomenda-se o retorno gradual, respeitando os limites do corpo e priorizando o descanso. No caso de atividades mais leves, é possível realizá-las após duas semanas de descanso, se não houver complicações. Já as atividades mais pesadas podem exigir mais de um mês de recuperação, sendo necessário buscar orientação médica”, resume.
Por Fellipe Gualberto