Nessa sexta-feira, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva deu entrada no Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, para realização de dois procedimentos cirúrgicos simples, sendo um deles a retirada de queratose no couro cabeludo.
A queratose é um nome genérico que pode se referir a uma condição em que há um aumento da camada mais superficial da pele, que é formada de queratina. “Clinicamente, notamos como se fossem umas casquinhas, uma lesão áspera, que o paciente chega no consultório geralmente falando que já arrancou, mas ela nasceu de novo. Existem três tipos de queratose: a pilar, a seborreica e a actínica. Essa última é uma lesão pré-cancerosa e precisa ser retirada”, explica a dermatologista Paola Pomerantzeff.
O caso serve de alerta, pois o couro cabeludo é uma área de risco para queratose actínica. “Principalmente em homens mais velhos que se sofreram muita exposição à radiação ultravioleta do sol e principalmente aqueles que também tem pouco cabelo no alto da cabeça ou que tem cabelos brancos (que protegem menos contra a radiação ultravioleta). O couro cabeludo é um tecido sujeito a um dano crônico e contínuo à radiação ultravioleta, que pode levar à formação de queratose actínicas e eventualmente a evolução para câncer de pele. Na área, é comum que esse câncer de pele seja do tipo carcinoma epidermóide e que eventualmente possa ter algum comportamento mais agressivo vindo a infiltrar tecidos adjacentes – no caso, o tecido adjacente pode vir a ser a camada que reveste a calota craniana e um sinal importante de que isso pode estar acontecendo é a presença de dor”, alerta a dermatologista Sylvia Ypiranga, da Sociedade Brasileira de Dermatologia – Regional São Paulo.
As queratoses mais comuns são as actínica e a seborreica. No caso da queratose pilar, a Paola explica que ela se manifesta com bolinhas que aparecem no braço, coxa, costas e até nos glúteos, mas é uma condição totalmente benigna, geralmente genética e não tem nenhum dano à saúde.
“A queratose seborreica também é uma lesão benigna e normalmente não causa grande preocupação, a não ser estética. Muitas vezes ela é escura, áspera, meio oleosa, pode acontecer em áreas expostas e não expostas, no rosto, no corpo e couro cabeludo. Ela é assintomática, não coça, não dói, porém ela cresce e uma vez crescendo ela pode ficar sujeita a traumatismo, a machucados e até a infecção”, diz Sylvia.
Já a queratose actínica, por outro lado, é uma doença que pode representar um dano causado pela exposição ao sol, como a radiação ultravioleta, ao longo da vida e ela está relacionada a fotoenvelhecimento, ou seja, envelhecimento causado pela exposição solar e também pode estar relacionada ao surgimento de câncer de pele, principalmente aqueles relacionados à exposição solar também, como carcinoma epidermóide.
“Como é uma lesão pré-cancerosa, é necessário tratar. No começo, ela aparece vermelhinha e um pouquinho descamativa, vai ficando mais áspera, mais durinha e fazendo uma espécie de casquinha. E tratar ela é muito simples, é só fazer uma eletrocauterização, realizada em consultório mesmo em cinco minutos. Fica uma casquinha no lugar que cauterizou e depois logo some e desaparece, cicatrizando bem”, diz Paola Pomerantzeff. A queratose actínica é realmente a mais preocupante. “Ela pode evoluir com cura espontânea, pode aumentar de tamanho, ficar como está ou ainda evoluir para câncer de pele. Como não sabemos como será a evolução, sempre que estivermos diante de uma queratose actínica devemos tratá-la”, diz Sylvia.
A queratose pilar é mais frequente em pessoas com a pele seca e atópica, segundo Paola. No caso da queratose seborreica, não há uma causa esclarecida, mas geralmente acomete pessoas de mais idade. Já as pessoas que sofreram acúmulo de exposição solar sem fotoproteção, que trabalham ao ar livre, em lavoura ou em regiões agrícolas estão sujeitas ao surgimento das queratose actínicas e têm um risco maior para câncer de pele.
“O tratamento indicado vai depender do tamanho e da localização da lesão. Diante de lesões em regiões consideradas de alto risco, como face, couro cabeludo, regiões genitais, se houver suspeita de uma lesão mais infiltrada ou dolorida, ela deve ser biopsiada e afastada do risco de que não seja um câncer de pele. Ou seja, o tratamento indicado no caso de suspeita de câncer de pele ou de queratose actínica duvidosa é retirada da lesão, com encaminhamento do material para biópsia. E a região onde ficou a lesão pode ser suturada”, explica Sylvia.
Eventualmente pode ser feita criocirurgia também, quando se faz o congelamento da lesão, ou cauterização química, quando se faz a aplicação de ácidos que vão levar à destruição daquele tecido.