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Roncar é perigoso? Especialista explica os riscos e como tratar o problema

Sintoma atinge até 40% dos adultos e pode ser sinal de apneia obstrutiva do sono, condição associada a hipertensão, infarto, AVC e diabetes

Publicado em 20 de Abril de 2026 às 14:44

Redação

Publicado em 

20 abr 2026 às 14:44
Mulher roncando
A prevenção envolve controle do peso, prática regular de atividade física e evitar álcool próximo ao horário de dormir
Shutterstock

Comum, muitas vezes tratado como motivo de piada ou apenas um incômodo doméstico e social, o ronco nem sempre é inofensivo. Embora possa ocorrer de forma isolada, ele também pode ser o principal sinal da apneia obstrutiva do sono (AOS), uma condição médica ligada a complicações cardiovasculares e metabólicas importantes. 


Segundo o otorrinolaringologista Nilson André Maeda, do Hospital Paulista, durante o sono ocorre um relaxamento natural da musculatura da garganta. Em algumas pessoas, esse relaxamento provoca estreitamento das vias aéreas superiores. O ar passa com dificuldade e gera vibração dos tecidos moles — especialmente palato mole e úvula — produzindo o som característico do ronco. 


Quando o estreitamento é parcial e não há pausas respiratórias, trata-se do chamado ronco simples ou primário. Já na apneia obstrutiva do sono, ocorrem obstruções repetidas da via aérea superior, com interrupções temporárias da respiração e queda da oxigenação sanguínea. Estudos populacionais indicam que o ronco habitual atinge cerca de 30% a 40% dos adultos. 


Parte desses indivíduos pode ter apneia não diagnosticada. A principal diferença entre o ronco primário e a apneia está na presença de pausas respiratórias e nas repercussões no organismo.

Sinais em adultos que merecem atenção

1. Pausas respiratórias observadas por familiares;
 
2. Engasgos ou despertares com sensação de sufocamento;

3. Sonolência excessiva durante o dia;

4. Dor de cabeça matinal;
 

5. Dificuldade de concentração;

6. Hipertensão arterial de difícil controle;

7. Nictúria (necessidade de acordar durante a noite para urinar, interrompendo o sono).

Em crianças, o ronco frequente — três ou mais noites por semana — pode estar associado à hipertrofia de amígdalas e adenoide. Sono agitado, respiração pela boca, dificuldade escolar e hiperatividade também são sinais de alerta.


O exame considerado padrão-ouro para diagnóstico é a polissonografia, que avalia oeventos respiratórios e a qualidade do sono ao longo da noite.


A apneia obstrutiva do sono é considerada uma condição sistêmica. A cada pausa respiratória, há queda da oxigenação, microdespertares e ativação do sistema nervoso simpático, com elevação transitória da pressão arterial. Ao longo do tempo, esse processo pode contribuir para hipertensãoarritmias, doença coronariana, infarto e acidente vascular cerebral (AVC).


A condição também está associada à resistência à insulina, maior risco de diabetes tipo 2 e dificuldade no controle de peso. Além dos impactos físicos, há prejuízo significativo na qualidade de vida, com fadiga crônica, redução da produtividade, maior risco de acidentes automobilísticos e comprometimento do relacionamento conjugal. Em crianças, pode afetar crescimento e desempenho escolar.

Tratamento

Sobrepeso e obesidade são os principais fatores de risco, mas também contribuem circunferência cervical aumentada, alterações anatômicas craniofaciais, histórico familiar, envelhecimento, consumo de álcool à noite e uso de sedativosEm crianças, a principal causa costuma ser a hipertrofia de amígdalas e adenoides.


A prevenção envolve controle do peso, prática regular de atividade física, evitar álcool próximo ao horário de dormir, manter higiene do sono adequada e tratar obstruções nasais quando presentes. Dormir em posição lateral também pode ajudar.


O tratamento depende de fatores individuais e da gravidade do quadro, e pode incluir medidas comportamentais, dispositivos intraorais, cirurgia em casos específicos e uso de CPAP (pressão positiva contínua nas vias aéreas), considerado padrão para apneia moderada a grave.


O ronco não deve ser visto apenas comum problema social. Quando frequente e associado a sintomas, pode indicar uma condição médica com impacto importante na saúde cardiovascular, metabólica e cognitiva”, destaca o especialista.

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