Se o deputado estadual Marcelo Santos (PDT) quiser, será o próximo secretário estadual de Esportes, no governo Casagrande.
O governador eleito o convidou, mas Marcelo ainda avalia se aceita ou não. Reeleito pela quinta vez seguida para a Assembleia Legislativa, Marcelo acaba de ser diplomado para o próximo mandato. Se ele quiser ser secretário, terá que se licenciar do mandato na Casa. Nesse caso, sua vaga será ocupada por Luiz Durão (PDT), primeiro suplente da coligação.
Marcelo é o atual líder do governo Paulo Hartung (sem partido) na Assembleia. No entanto, auxiliares de Casagrande dizem não ver isso como um empecilho. Marcelo é considerado parceiro político de Casagrande e deputado com perfil governista (seja qual for o governo).
A própria nomeação de Marcelo por Hartung como líder do governo, feita em outubro, contou com a aprovação de Casagrande e sua equipe. Desde então, ele tem operado como uma ponte na Assembleia entre o governo que se encerra e aquele que se prepara para assumir.
Após os anúncios oficias feitos na manhã desta sexta-feira (21), só faltam duas secretarias para serem preenchidas. Além da de Esportes (Sesport), resta a de Trabalho, Assistência e Desenvolvimento Social (Setades).
Uma das duas irá seguramente para o PDT e a outra, para o PSB, partido de Casagrande.
Se Marcelo aceitar o convite para ser secretário de Esportes, a Setades ficará com um quadro do PSB.
Se Marcelo não aceitar, o PDT ficará com o comando da Setades, possivelmente com o atual subsecretário estadual de Direitos Humanos, Alessandro Comper. Nesse caso, a Sesport será chefiada por um quadro do PSB.
O QUE ESTÁ PEGANDO?
Por que Marcelo ainda não se decidiu? É possível especular alguns motivos.
Com certeza a pergunta que ele se faz neste momento é se vale a pena abrir mão da atuação na Assembleia, onde possui considerável influência, para migrar para o Executivo - em uma pasta com orçamento reduzido e de menor visibilidade.
Marcelo chegou à Assembleia em 2003, após um mandato de vereador em Cariacica. Ao longo dos últimos 16 anos, tornou-se uma eminência parda no Legislativo estadual. Com marcante atuação nos bastidores, acumula prestígio entre os pares, influência sobre a administração da Casa (traduzida em cargos) e é bem articulado com setores do Judiciário capixaba.
Na última eleição da Mesa Diretora, em fevereiro de 2017, o grupo patrocinado por Marcelo chegou ao comando da Assembleia, tendo Erick Musso (PRB) como presidente, o que aumentou ainda mais seu poder interno.
Em fevereiro, haverá nova eleição da Mesa, e o grupo de Erick já se articula. Talvez Marcelo não esteja disposto a abrir mão de tudo isso.
Além disso, como meio Estado sabe, a grande ambição de Marcelo é conseguir chegar ao Tribunal de Contas do Estado (TCES), em uma vaga de conselheiro. A do conselheiro afastado Valci Ferreira deve ser aberta em breve. A expectativa é de que a vacância seja declarada em meados de fevereiro.
O substituto de Valci será escolhido pelos próprios deputados, em votação no plenário. Para Marcelo, pode ser mais estratégico, neste momento, continuar ali em seu habitat, atuando nos bastidores e se articulando com seus "eleitores" para garantir sua nomeação para o TCES.