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Vitor Vogas

Secretário da Fazenda de Casagrande é filiado ao PSB

Informação sobre filiação, no entanto, não foi divulgada em nenhum momento, nem durante nem após o anúncio da escolha do secretário

Publicado em 15 de Novembro de 2018 às 15:19

Públicado em 

15 nov 2018 às 15:19
Vitor Vogas

Colunista

Vitor Vogas

vvogas@redegazeta.com.br

Casagrande anuncia Rogelio Pegoretti como futuro secretário de Estado da Fazenda Crédito: Beatriz Seixas
O secretário de Estado da Fazenda no governo de Renato Casagrande será Rogelio Pegoretti, 34 anos. O futuro guardião do cofre do governo estadual é filiado ao Partido Socialista Brasileiro (PSB), a legenda de Casagrande.
A filiação de Pegoretti ao PSB consta do sistema FiliaWeb, cadastro nacional de todos os brasileiros que são ou já foram filiados a algum partido, disponível no site do TSE. Atual secretário da Fazenda de Cachoeiro de Itapemirim, Pegoretti está nos quadros do PSB desde o dia 6 de abril deste ano.
Até aí, tudo normal. Qualquer cidadão tem o direito de ser filiado a qualquer partido político. 
O problema na verdade é outro. Pegoretti foi anunciado por Casagrande em coletiva de imprensa no dia 31 de outubro. Em nenhum momento, nem durante nem após o anúncio, a equipe de Casagrande divulgou a informação sobre a filiação partidária do futuro secretário. Ninguém sabia que ele faz parte dos quadros do partido do governador eleito.
Durante a entrevista coletiva, Pegoretti foi apresentado à imprensa como um quadro estritamente técnico. Não foi feita nenhuma menção à sua filiação partidária, nem no material divulgado, nem nas respostas do governador eleito, de Pegoretti e dos demais entrevistados por ocasião do anúncio. 
Questionado pela coluna, o próprio Renato Casagrande, secretário nacional do PSB e principal líder da sigla no Estado, disse na tarde desta quinta-feira que desconhecia a informação.
O presidente estadual do PSB, Luiz Carlos Ciciliotti, também afirmou desconhecer a informação. 
Até o prefeito de Cachoeiro, Victor Coelho (PSB), atual chefe direto de Pegoretti, disse ignorar a filiação do secretário ao partido. 
Aparentemente, então, ninguém da cúpula do PSB estadual, nem mesmo Renato Casagrande, sabia que o escolhido para comandar a Sefaz é filiado ao próprio partido. Como é possível?
Sistema FiliaWeb, com cadastro de filiados ao PSB no Espírito Santo, traz o registro da filiação de Rogelio Pegoretti ao partido Crédito: Reprodução do site do TSE
Questionado pela coluna na tarde desta quinta-feira (15) – após termos telefonado para Coelho, Ciciliotti e Casagrande –, Pegoretti admitiu o fato. 
Ele contou que é muito amigo do policial rodoviário federal Edmar Camata. Ex-secretário-geral da ONG Transparência Capixaba, Camata se filiou ao PSB no dia 6 de abril deste ano para se candidatar a deputado federal (não se elegeu). No mesmo dia, relata agora Pegoretti, ele e um grupo de amigos também assinaram a ficha de filiação ao PSB por acreditarem no projeto de Camata e por estarem no mesmo movimento.
"Eu não sabia que eu estava filiado. Ou melhor, não é que eu não sabia. Eu assinei a ficha do partido junto com o Edmar quando ele se filiou. No dia da filiação dele, foi aquela festa, aquele monte de gente. E eu assinei a ficha de filiação. Não vejo nada de errado em alguém ser filiado a algum partido. E de fato nunca comuniquei a Casagrande que eu sou filiado ao PSB. E ele, como dirigente, não tem como gravar na cabeça dele todos que são filiados ao partido. Então possivelmente o Renato nem sabia que me filiei ao PSB."
Realmente, o fato de alguém ser filiado ou não a determinado partido não configura um problema por si mesmo, não o desqualifica em nada, tampouco diminui a sua capacidade técnica. O futuro secretário não é mais ou menos capaz por ser filiado ao PSB, nem isso significa a priori que ele terá atuação menos técnica à frente da Sefaz. Sua competência técnica terá que ser testada e avaliada a partir do momento em que ele assumir o cargo.
Mas não se trata disso. 
O ponto central é justamente: se não há problema algum na filiação partidária, por que a informação não foi trazida a público? E por que, ao que parece, o futuro secretário não a compartilhou nem mesmo com Casagrande e com a cúpula do PSB? Ele responde: 
"Quando a gente estava tratando da transição, eu estava tão mais preocupado com o desenvolvimento do trabalho e com a transição em si que, para mim, isso era menos relevante. E, depois que eu assinei a ficha, nunca mais pesquisei nem procurei saber sobre isso. Nunca tive nenhuma função no PSB nem militância partidária. (...) Minha indicação para o governo não tem nada a ver com o fato de eu ser filiado, tanto que o governador nem sabia disso."
E pelo jeito não sabia mesmo.  
CASAGRANDE
"Eu não sabia que ele é filiado. Ele não me informou. Com certeza ele não tem militância partidária", respondeu Casagrande à coluna. O governador eleito buscou diminuir o peso desse fato. 
"Eu já tinha uma relação com ele. Ele trabalhou comigo no governo passado como técnico. Não muda nada. Isso não tem importância. Não estou escolhendo os secretários porque têm filiação ou não têm filiação."
Pegoretti é formado em Engenharia da Computação e mestre em Informática pela Ufes. É auditor de controle externo do Tribunal de Contas do Estado (servidor de carreira). Na primeira gestão de Casagrande (2011-2014), foi auditor do Estado na Secretaria de Controle e Transparência (Secont) e também ocupou a função de subsecretário de Estado da Transparência.
CICILIOTTI E COELHO 
"Eu não sabia da filiação. Ele não tem militância partidária", declarou Ciciliotti, o presidente estadual do PSB.
Luiz Carlos Ciciliotti ocupa a presidência estadual do PSB Crédito: Thiago Guimarães/Secom
O mesmo disse o prefeito Victor Coelho, filiado o mesmo partido. 
"Eu não sabia. Ele nunca me contou. Mas ele tem liberdade e todo o direito de ser filiado a um partido."
Coelho ressalta a atuação técnica de Pegoretti e seus feitos como secretário municipal da Fazenda. "No início da minha administração (de janeiro a maio de 2017), ele foi controlador-geral do município. Nessa condição, implantou o nosso novo Portal da Transparência. No ranking dos portais da transparência feito pelo Tribunal de Contas do Estado, Cachoeiro passou do 34º para o 6º lugar."
Segundo o prefeito, já como secretário municipal da Fazenda, Pegoretti adotou medidas desburocratizantes e elaborou um projeto de lei que instituirá benefícios fiscais para Cachoeiro atrair empresas. "Hoje a revista 'Exame' pela primeira vez inclui Cachoeiro entre as cem cidades brasileiras ideais para se investir."
PEGORETTI
Confira abaixo a entrevista completa com Rogelio Pegoretti: 
Como o senhor explica essa história? O senhor confirma ser filiado ao PSB?
Eu não sabia que eu estava filiado. Ou melhor, não é que eu não sabia. Eu assinei a ficha do partido junto com o Edmar quando ele se filiou. No dia da filiação dele, foi aquela festa, aquele monte de gente. E eu assinei a ficha de filiação. Não vejo nada de errado em alguém ser filiado a algum partido. E de fato nunca comuniquei a Casagrande que eu sou filiado ao PSB. E ele, como dirigente, não tem como gravar na cabeça dele todos que são filiados ao partido. Então possivelmente o Renato nem sabia que me filiei ao PSB.
Por que o senhor não comunicou esse fato à imprensa ao ser anunciado e ao próprio governador eleito antes do anúncio?
Quando a gente estava tratando da transição, eu estava tão mais preocupado com o desenvolvimento do trabalho e com a transição em si que, para mim, isso era menos relevante. E, depois que eu assinei a ficha, nunca mais pesquisei nem procurei saber sobre isso. Nunca tive nenhuma função no PSB nem militância partidária. Minha relação com entrar no governo não tem nada a ver com filiação partidária. Tanto que, quando entrei no PSB (em abril de 2018), eu já tava na Prefeitura de Cachoeiro havia muito tempo (desde janeiro de 2017). É que Casagrande conhece o meu trabalho e sabe que eu dou resultado. Estou no partido por acaso, por uma questão de identificação com o projeto de Edmar Camata. Minha indicação para o governo não tem nada a ver com o fato de eu ser filiado, tanto que o governador nem sabia disso.
Mas por que não informar isso até agora?
Eu não teria por que esconder. Mas sou tão mais voltado para a área técnica do que para a política que isso nem me ocorreu. Quero frisar que o meu papel é técnico. Estou filiado ao PSB, como podia estar filiado a qualquer partido. Não foi dito por uma falta de percepção política da minha parte. A minha participação no governo será técnica, e o governador de fato não sabia. Entrei no PSB com um grupo de amigos, por participação num projeto que era eleger o Edmar Camata para deputado federal, por ele ter um perfil em que a gente acredita muito que dê certo, assim como o do Felipe Rigoni (também filiado ao PSB, Rigoni, 27 anos, foi o segundo candidato a deputado federal mais votado no Espírito Santo).
O senhor pretende manter a filiação ao PSB?
Vou manter normalmente. Acho inclusive que todo cidadão deveria pensar se deve participar de um projeto político.

Vitor Vogas

Jornalista de A Gazeta desde 2008 e colunista de Política desde 2015. Publica diariamente informações e análises sobre os bastidores do poder no Espírito Santo

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