Nos últimos anos, os medicamentos injetáveis análogos a hormônios como GLP-1, também conhecidos como “canetas emagrecedoras”, passaram a fazer parte do tratamento de pessoas com obesidade ou sobrepeso associado a doenças crônicas.
Inicialmente elas eram indicadas para o tratamento do diabetes tipo 2 e, mais recentemente, tornaram-se comuns, também, para estratégias de controle do peso. E apesar da popularização, o uso desses medicamentos exige atenção redobrada quando indicado para pessoas idosas, especialmente aquelas com comorbidades. A aplicação deve ser feita apenas sob orientação médica.
“Em pessoas a partir dos 60, o organismo responde de forma diferente aos remédios, o que aumenta o risco de efeitos adversos quando o uso ocorre sem avaliação clínica adequada”, alerta a geriatra Fernanda Sperandio, da MedSênior.
Cuidados específicos para pessoas com mais de 60 anos
Em pessoas idosas, o uso das canetas emagrecedoras requer avaliação ainda mais criteriosa. Isso porque, o envelhecimento traz mudanças naturais no metabolismo, na composição corporal e na resposta aos medicamentos. Além disso, é comum que esse público faça uso de múltiplos remédios, o que aumenta o risco de interações medicamentosas.
Desta forma, antes de adotar o tratamento com canetas emagrecedoras, pessoas idosas devem se atentar para os seguintes cuidados:
- Fazer uma avaliação do estado nutricional e da massa muscular;
- Analisar o histórico de doenças cardiovasculares, renais e gastrointestinais;
- Monitorar quadros de fragilidade, sarcopenia ou desnutrição.
“Pessoas com comorbidades devem utilizar essas medicações apenas quando os benefícios superarem os riscos, sempre com acompanhamento médico especializado e integrado a mudanças no estilo de vida, como alimentação equilibrada e prática de atividade física adaptada à idade”, explica a geriatra.
Outro ponto importante é entender que o uso de canetas emagrecedoras, quando indicado pelo médico , faz parte de um plano terapêutico individualizado, que considera não apenas o peso, mas o histórico clínico, a funcionalidade e o bem-estar do paciente. “Mais do que emagrecer, o objetivo deve ser promover envelhecimento saudável, com autonomia, qualidade de vida e segurança no uso de novas terapias”, ressalta a geriatra.
A endocrinologista Juliana Ladeira Gonzaga Faria explica que o uso de canetas emagrecedoras por idosos preocupa especialistas devido ao risco iminente de perda de massa muscular acelerada. "Cerca de um terço do peso perdido pode ser músculo, comprometendo a mobilidade e autonomia. Além disso, existe o perigo de desnutrição e desidratação, visto que ao utilizar as canetas emagrecedoras, o paciente sente menos fome e menos sede".
Existe também o risco de pancreatite, alterações gastrointestinais severas (vômitos, constipação ou diarreia) e efeito rebote
A médica ressalta que o emagrecimento com o uso das canetas emagrecedoras em pacientes idosos precisa ser lento, gradual e acompanhado por especialistas para evitar a perda excessiva muscular, condição conhecida como sarcopenia.