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Condição neurológica

Neuralgia do trigêmeo: entenda condição da apresentadora Lívia Andrade

Após relatar a “pior dor da vida”, apresentadora revelou ter neuralgia do trigêmeo; especialista explica causas, sintomas e tratamentos da condição neurológica

Publicado em 10 de Março de 2026 às 15:16

Guilherme Sillva

Publicado em 

10 mar 2026 às 15:16
Lívia Andrade
Lívia Andrade foi diagnosticada com neuralgia do trigêmeo Crédito: Reprodução @Líviaandrade
A apresentadora Lívia Andrade revelou ter sido diagnosticada com neuralgia do trigêmeo, uma condição neurológica conhecida por provocar dores faciais extremamente intensas. Em um desabafo nas redes sociais, a artista contou que enfrentou o que descreveu como “a pior dor da vida”, inicialmente confundida com um problema odontológico.
Segundo a apresentadora, os primeiros sintomas pareciam relacionados aos dentes, mas exames de radiografia descartaram a presença de cáries. Mesmo assim, a dor evoluiu rapidamente e passou a atingir diversas regiões do rosto.
“Aí eu vou aguentando uma dorzinha. Você vai tolerando até que chega a um ponto em que o bagulho fica doido. Vou falar: a pior dor da vida. Está até preto [ao redor dos olhos] porque eu chorei, tudo borrado. Até babei também porque, meu, olha… que situação”, relatou Lívia.
Ela contou que a dor atingiu áreas como olhos, mandíbula, ouvido e língua, provocando crises intensas até durante o trabalho. Após receber medicação forte, que a deixou “grogue”, a apresentadora alertou seus seguidores sobre a importância de buscar avaliação médica ao perceber sintomas semelhantes.
A neuralgia do trigêmeo é uma condição neurológica caracterizada por dor facial extremamente intensa, considerada uma das mais fortes que uma pessoa pode sentir.
De acordo com o reumatologista Sergio Bontempi Lanzotti, o problema ocorre quando há irritação ou compressão do nervo trigêmeo, responsável pela sensibilidade da face. “O nervo trigêmeo é o quinto nervo craniano e possui três ramos principais: o oftálmico, que leva sensibilidade para a região da testa e dos olhos; o maxilar, ligado às bochechas e parte superior da boca; e o mandibular, responsável pela mandíbula e pela parte inferior do rosto”, explica.
Quando esse nervo é afetado, o paciente pode apresentar crises súbitas de dor intensa. “Muitos pacientes descrevem a dor como um choque elétrico. As crises podem durar de alguns segundos a poucos minutos e geralmente ocorrem apenas em um lado do rosto”, afirma Lanzotti.

Sintomas podem ser desencadeados por atividades simples

Segundo o especialista, atividades comuns do dia a dia podem desencadear crises. “Falar, mastigar, escovar os dentes, tocar o rosto ou até mesmo a exposição ao vento frio podem provocar episódios de dor. Em alguns casos, essas crises podem se repetir várias vezes ao longo do dia”, explica.
A principal causa da condição é a compressão do nervo por um vaso sanguíneo, responsável por até 90% dos casos. No entanto, outras situações também podem estar associadas, como esclerose múltipla, tumores raros que comprimem o nervo ou traumas na região facial.
O diagnóstico costuma ser feito por especialistas após avaliação clínica e exames de imagem. “O tratamento geralmente é conduzido por neurologistas, médicos especialistas em dor e, em alguns casos, também por reumatologistas, dependendo da avaliação clínica de cada paciente”, explica o médico.
Na maioria das situações, o tratamento começa com medicamentos que ajudam a reduzir a atividade do nervo e controlar a dor. “Entre os medicamentos mais utilizados estão carbamazepina, oxcarbazepina, gabapentina e também a duloxetina, que pode ser indicada em alguns casos”.
Quando os medicamentos não apresentam resposta adequada, existem procedimentos que podem ser indicados. “Entre as alternativas estão a cirurgia de descompressão microvascular, a radiofrequência do nervo trigêmeo ou técnicas de radiocirurgia, como o Gamma Knife”, explica o especialista.

Condição é mais comum após os 50 anos

Embora possa surgir em diferentes idades, a neuralgia do trigêmeo costuma ser mais frequente em pessoas acima dos 50 anos e em mulheres. “Apesar de a incidência aumentar com a idade, a condição também pode aparecer em pacientes mais jovens, como na faixa dos 40 anos”, ressalta o médico.
A boa notícia, segundo o especialista, é que na maioria dos casos o tratamento consegue controlar bem as crises. “Com acompanhamento adequado, é possível reduzir significativamente a dor e melhorar a qualidade de vida dos pacientes”, conclui. Sergio Bontempi Lanzotti.

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