Secar as lentes com papel higiênico, guardanapo ou até mesmo na própria roupa pode parecer prático, mas prejudica o materialCrédito: Shutterstock
Limpar os óculos pode parecer um gesto automático, mas a forma como você faz isso define se suas lentes durarão anos ou apenas alguns meses. Muita gente comete o erro de usar a barra da camiseta ou produtos de limpeza doméstica, o que, a longo prazo, acaba criando uma "nevoa" de microarranhões permanente.
A higienização adequada dos óculos impacta diretamente na qualidade da visão e na durabilidade das lentes. De acordo com a oftalmologista Liliana Nóbrega, o cuidado diário ajuda a evitar desconfortos visuais e danos aos tratamentos ópticos.
“Lentes sujas acumulam gordura, poeira e micro-organismos que reduzem a nitidez da visão, aumentam o esforço ocular e podem causar sintomas como cansaço visual, dor de cabeça e ardência nos olhos. Além disso, a sujeira acumulada pode comprometer os tratamentos das lentes ao longo do tempo”, explica.
O uso de produtos inadequados na hora de limpar os óculos é um dos erros mais comuns. Segundo a especialista, nem todo item de limpeza é seguro para os óculos. “O álcool, principalmente o álcool em gel ou álcool comum, não é recomendado, pois pode danificar os tratamentos das lentes, como antirreflexo, filtro de luz azul e proteção UV, levando ao desgaste precoce”, alerta.
Já o detergente pode ser utilizado, mas com restrições. “O detergente pode ser usado somente se for neutro, sem corantes, sem perfume e sem ação desengordurante agressiva. Produtos comuns de limpeza doméstica ou multiuso não devem ser utilizados”, orienta.
Liliana Nóbrega explica os cuidados ao limpas as lentes dos óculosCrédito: Jackie Campos
O ideal é usar água fria ou levemente morna (nunca quente), associada a um sabonete neutro, sem perfume e sem corantes. Para a secagem, o pano de microfibra é o mais indicado, pois não risca e não agride os tratamentos das lentes
Liliana Nóbrega - Oftalmologista
Secar as lentes com papel higiênico, guardanapo ou até mesmo na própria roupa pode parecer prático, mas prejudica o material. “Papel higiênico, guardanapos e tecidos de roupa possuem fibras ásperas que podem causar micro riscos nas lentes, especialmente nas que possuem tratamento antirreflexo. Esses pequenos riscos se acumulam com o tempo e comprometem a qualidade da visão”, destaca.
A dicas para limpar as lentes
Lave as mãos antes de manusear os óculos;
Enxágue as lentes em água corrente para remover partículas de poeira;
Aplique uma pequena quantidade de sabonete neutro;
Massageie suavemente as lentes e a armação com a ponta dos dedos;
Enxágue bem;
Seque com pano de microfibra limpo, sem esfregar com força.
O procedimento recomendado
Segundo o oftalmologista Lucas Emery, do Hospital de Olhos de Vitória, resíduos de poeira, gordura da pele e poluição se acumulam nas lentes ao longo do dia. Esse acúmulo reduz a nitidez da imagem e pode causar irritação ocular. “Manter as lentes limpas garante melhor desempenho visual e preserva os tratamentos aplicados nelas, como antirreflexo e proteção contra luz azul”.
O médico alerta que álcool, desinfetantes e produtos multiuso podem corroer a camada protetora das lentes. “O álcool resseca e desgasta os tratamentos da lente. Com o tempo, isso provoca manchas e perda da transparência”, afirma. Ele acrescenta que detergentes com corantes ou perfumes também não são indicados, porque podem deixar resíduos e comprometer o material.
O procedimento recomendado é simples e pode ser feito em casa. "O ideal é usar água fria ou levemente morna, sabonete neutro, sem perfume e sem corantes, e finalizar com pano de microfibra limpo”, orienta. A água muito quente deve ser evitada, pois pode deformar a armação e afetar os tratamentos das lentes.
Papel higiênico, guardanapo, lenço de papel e a própria roupa não são recomendados. Apesar de parecerem macios, esses materiais possuem fibras que provocam micro-arranhões. “A longo prazo, esses riscos comprometem a nitidez da visão e exigem a troca das lentes antes do tempo”, alerta o oftalmologista.
Quando trocar?
A troca dos óculos deve ser considerada quando o grau está desatualizado, as lentes estão riscadas ou amareladas, o antirreflexo está danificado ou a armação já não oferece bom encaixe. “Em geral, recomenda-se uma avaliação oftalmológica anual, mesmo que o paciente não perceba sintomas”, conclui a oftalmologista.
Lucas Emery diz que a troca é indicada quando há riscos que prejudicam a visão, descascamento do antirreflexo, manchas permanentes ou mudança no grau. “Se o paciente percebe dificuldade para enxergar com os óculos atuais ou sente desconforto frequente, é importante passar por nova avaliação”, orienta.