O ator Jackson Antunes, de 65 anos, passou por uma cirurgia de transplante de rim. Em entrevista ao Fantástico, ele desabafou sobre a insegurança do problema no órgão que é fundamental para a vida.
“Não tem coisa mais terrível que é dor. Não tem coisa mais terrível do que você não ver esperança”, falou ao relembrar os momentos mais críticos antes do transplante. Jackson recebeu o rim doado por sua esposa, Cris, com quem ele está casado há mais de 30 anos.
Ela falou sobre o receio que teve quando o marido recebeu a notícia de que precisava de um transplante. “O meu maior medo é não estar perto dele”. A cirurgia marcou o início de uma nova etapa na vida do ator que irá retomar a rotina com mais saúde.
Entenda o transplante de rim
O transplante renal é um tratamento indicado para pessoas que têm perda muito avançada da função dos rins, quando esses órgãos já não conseguem mais realizar adequadamente funções essenciais do corpo, como filtrar o sangue, eliminar toxinas e ajudar no controle de líquidos, sais minerais e pressão arterial. Nesses casos, o transplante pode ser uma alternativa à diálise e, para muitos pacientes, representa mais qualidade de vida, mais autonomia e uma nova perspectiva de tratamento.
Como explica o nefrologista Roberto Sávio, do Hospital Santa Rita, o transplante de rim é uma cirurgia em que o paciente recebe um rim saudável de um doador. "Esse rim passa a assumir a função que os rins doentes já não conseguem exercer de forma adequada".
O rim transplantado é colocado na parte baixa do abdome e, na maioria das vezes, os rins doentes do paciente não precisam ser retirados
O transplante é indicado principalmente para pessoas com doença renal crônica em estágio avançado, especialmente quando já existe necessidade de terapia renal substitutiva, como diálise, ou quando essa necessidade está muito próxima. "Nem todo paciente com doença renal vai precisar de transplante, mas ele é uma opção importante para aqueles que têm indicação clínica e condições de passar pela avaliação necessária", diz o médico.
Entenda os riscos
Segundo Roberto Sávio, o transplante renal não é indicado de forma automática para todos os pacientes. Antes, é preciso uma avaliação cuidadosa para verificar se a pessoa tem condições de passar pela cirurgia e pelo tratamento posterior. “Algumas situações podem contraindicar o transplante, como infecção ativa, câncer sem controle, doenças cardiovasculares graves ainda não compensadas ou situações em que o paciente não consiga manter o acompanhamento e o uso correto das medicações. Cada caso, porém, deve ser analisado de forma individualizada”, pontua o nefrologista.
O rim transplantado pode vir de um doador falecido ou de um doador vivo. No caso da doação em vida, o doador precisa ser uma pessoa saudável, avaliada com muito rigor, para garantir segurança tanto para quem doa quanto para quem recebe. “Muitas vezes esse doador é um familiar, mas também pode ser outra pessoa autorizada dentro dos critérios legais e médicos”.
Como todo procedimento cirúrgico de maior porte, o transplante renal envolve riscos. Pode haver sangramento, infecção, complicações cirúrgicas e também rejeição do órgão transplantado. “Além disso, depois do transplante, o paciente precisa usar medicamentos imunossupressores, que reduzem a ação do sistema de defesa para evitar que o organismo ataque o novo rim. Esses remédios são fundamentais, mas também exigem atenção, porque podem aumentar o risco de infecções e causar outros efeitos colaterais. Ainda assim, em muitos casos, os benefícios do transplante superam os riscos”, enfatiza o nefrologista.
O nefrologista Sérgio Gobbi, da Rede Meridional, diz que após o transplante o paciente precisa tomar corretamente suas medições. "Principalmente os medicamentos imunossupressores, mas é necessário realizar consultas e exames periódicos. O paciente manter uma alimentação saudável, evitar ambientes insalubres e evitar contato com pessoas doentes, principalmente, nos primeiros meses".
O médico conta o paciente permanece no pós-operatório imediato sob observação. A recuperação do rim transplantado depende do tipo de doador. "No doador vivo, normalmente o rim funciona de imediato e no doador falecido, normalmente precisamos esperar alguns dias para ele funcionar. Nesse período o paciente fica internado coletando exames e tomando as medicações", diz Gobbi. Após a alta o paciente é acompanhado em consultas regulares. A maioria dos pacientes retoma atividades normais em 1 a 3 meses.
Sérgio ressalta que o acompanhamento médico é essencial. "O rim transplantado pode sofrer rejeição do transplante, infecções e retorno da doença original".
No pós-operatório, os cuidados são fundamentais para o sucesso do tratamento. O paciente precisa comparecer às consultas, fazer exames frequentes e tomar as medicações. “Febre, dor, diminuição da urina, inchaço ou mal-estar devem ser comunicados rapidamente à equipe médica. É um período de acompanhamento próximo, justamente para garantir que o novo rim esteja funcionando bem e para identificar precocemente qualquer sinal de complicação”, alerta Roberto Sávio.
O médico reforça que o transplante não significa simplesmente “fazer a cirurgia e voltar à vida normal sem cuidados. O sucesso do tratamento depende de compromisso diário. O paciente transplantado precisa evitar automedicação, manter seguimento regular com a equipe, adotar hábitos de vida saudáveis e não interromper os remédios em hipótese alguma. O uso correto dos imunossupressores é uma das principais formas de proteger o rim transplantado”, diz.