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Beatriz Seixas

Shell avalia mudar base de Vila Velha para o Rio

Transferência pode impactar empregos e oportunidades na cadeia de fornecedores

Publicado em 28 de Agosto de 2018 às 21:58

Públicado em 

28 ago 2018 às 21:58
Beatriz Seixas

Colunista

Beatriz Seixas

bseixas@redegazeta.com.br

Navio-plataforma da Shell que atua no Espírito Santo Crédito: Divulgação/Shell
A anglo-holandesa Shell está avaliando deixar sua base em Vila Velha, onde ela armazena materiais e suprimentos voltados para atender às atividades de exploração e produção offshore (em mar), como no Parque das Conchas (BC-10), no Litoral Sul capixaba. O espaço, de mais de 20 mil metros quadrados, é da empresa Vipetro, que há cerca de dez anos aluga o local para a companhia.
O consórcio formado pela Shell (que tem 50% da participação e é a operadora do BC-10), pela chinesa ONGC (27%) e pela companhia do Catar QP (23%) está revisando contratos, fazendo pesquisa de preços e analisando condições ligadas à logística e infraestrutura. A própria multinacional confirma que está em processo de reavaliação, mas destaca que ainda não bateu o martelo sobre deixar a base no município canela-verde.
“Liderado pela Shell Brasil, o consórcio que atua no Parque das Conchas, na Bacia de Campos, conduz revisões periódicas em seus contratos de prestação de serviços, buscando sempre uma maior eficiência em suas operações. Não há decisão tomada a respeito de saída da base operacional de Vila Velha”, informou a petrolífera por meio de nota.
Informações de bastidores indicam que um dos locais potenciais para a instalação da base seria o Porto de Açu, em São João da Barra (RJ), onde a Shell encontraria uma infraestrutura melhor, o que contribuiria para ganhos de resultados operacionais e financeiros da companhia.
Dessa forma, as plataformas FPSO Espírito Santo, que fica na Parque das Conchas, e FPSO Fluminense, localizada na Bacia de Campos (parte do Rio de Janeiro), passariam a ser abastecidas e atendidas com tubos, peças, equipamentos pesados e outros materiais a partir do Rio de Janeiro.
A mudança da Shell preocupa alguns empresários e trabalhadores que atuam no segmento de óleo e gás. Para eles, o momento é de fortalecer a cadeia de fornecedores locais e criar oportunidades de emprego, mas à medida que petrolíferas transferem suas bases, essa relação entre as partes acaba sendo enfraquecida. O fechamento da estrutura no Estado pode impactar cerca de 200 postos de trabalho entre diretos e indiretos.
“Mais uma vez a infraestrutura deficitária do Espírito Santo está pesando contra nós. Mas não podemos ver isso acontecer e não fazer nada. Precisamos brigar para que esses negócios que estão aqui não deixem o Estado”, diz uma fonte que preferiu não se identificar.
Em 2015, movimento semelhante aconteceu com a Petrobras, que transferiu sua base do Terminal Industrial e Multimodal da Serra (TIMS) para o Rio de Janeiro. Ao deixar a área de 230 mil metros quadrados, cerca de 1.000 empregos foram fechados.
O coordenador do Fórum Capixaba de Petróleo e Gás (FCPG), Durval Freitas, se mostrou apreensivo com a possibilidade de a petrolífera deixar o Estado. “Isso prejudica a cadeia de abastecimento e compromete oportunidades para uma mão de obra de qualidade. A Shell sempre teve uma ótima relação com o Estado. Esperamos que essa transferência de local não aconteça.”
Freitas disse que, a partir da informação dada pela coluna, o FCPG vai se mobilizar e buscar conversar com o governo do Estado e com a Shell na tentativa de evitar a mudança da base. “O trabalho que a gente vem fazendo no fórum é justamente o contrário. Estamos tentando trazer mais empresas para cá e nos aproximarmos de quem já está aqui.”
A possível transferência da multinacional só reforça o quanto o Espírito Santo vem perdendo em negócios por conta da infraestrutura defasada, especialmente no setor portuário. Enquanto o Estado fica aguardando a construção de um porto de águas profundas, projetos importantes têm migrado para outras regiões.
Vale lembrar que, em 2014, a norte-americana Edison Chouest pretendia construir um porto de apoio a plataformas no município de Itapemirim, mas acabou optando por levar suas operações também para Açu. Na época, a empresa disse que isso não atrapalharia seus planos por aqui, mas hoje vemos que não foi isso o que aconteceu.
A Shell ainda vai tomar sua decisão, mas quantas empresas já tomaram e desistiram de operar no Estado? O potencial logístico do Espírito Santo é inegável. Mas de que vale isso, se não estamos sendo capazes de traduzi-lo em infraestrutura de qualidade?
Sobe - Coluna Beatriz SeixasForça do agro no ES
O número de estabelecimentos agropecuários no Espírito Santo cresceu 28%, ao saltar de 84.361 para 108.010, na comparação de 2006 com 2017, conforme dados do Censo Agropecuário-IBGE e do IJSN.
Desce - Coluna Beatriz SeixasNão sobra para investir
Só a despesa com pessoal e encargos sociais dos municípios capixabas corresponde, em média, a 53% da receita total, segundo dados do CidadES, do Tribunal de Contas do ES. Em São Mateus, esse percentual já está em 63,4%.

Beatriz Seixas

Jornalista de A Gazeta, há mais de 10 anos acompanha a cobertura de Economia. É colunista desde 2018 e traz neste espaço informações e análises sobre a cena econômica

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