Estoque praticamente zerado, débitos junto a fornecedores que ultrapassam R$ 8 milhões, 739 protestos de dívidas em cartório e queda de 80% nas vendas de novembro deste ano na comparação com o mesmo mês de 2018.
Após retomar o negócio, Jorge Zouain afirma que encontrou uma empresa “dilapidada”, sem crédito e com baixíssimo nível de mercadorias tanto nas lojas quanto no estoque. Ele diz também que a gestão anterior deixou um grande passivo em dívidas junto a fornecedores e empregados.
Na tarde desta sexta-feira (06), o proprietário e representantes do Santo Antônio deram uma coletiva à imprensa, no local onde funciona o centro de distribuição, que hoje encontra-se totalmente vazio. Na ocasião, o advogado Rafael Zouain explicou que assim que a rede retomou o controle do negócio foi contratada uma auditoria externa para auxiliar na identificação dos prejuízos que, segundo ele, foram deixados pela gestão de Creso Suerdieck Dourado.
“Temos alguns dados preliminares. Há uma auditoria contábil e financeira tomando pé de tudo para que possamos fazer um levantamento criterioso de todo o passivo, de todos os problemas fiscais e financeiros que decorreram dessa gestão. A gente tinha em espécie, em dinheiro do estoque no início da gestão (deixada para a DX), R$ 6,14 milhões. Hoje, contando lojas, fornecedores etc, a gente está com R$ 2,3 milhões. E quando a gente fala em valores não é de venda, é valor de compra. Esse valor dobra muitas vezes e até mais a depender da margem de cada produto. Então, a gente tem esse valor apurado preliminarmente. Isso pode ser ainda maior. Tem muito trabalho pela frente e muita coisa para apurar", ponderou o advogado.
Outro dado apresentado por Rafael Zouain foram os números do faturamento do supermercado. Em novembro de 2019, as vendas representaram um quinto do que foi arrecadado no mesmo período de 2018. Já em relação aos débitos com fornecedores ele explicou que a auditoria indica, neste primeiro momento, que no período em que a DX Group esteve à frente do negócio ela deixou de pagar cerca de R$ 8 milhões às empresas que fornecem mercadorias para a rede.
Fora os débitos já identificados, a gestão da família Zouain ainda está tentando apurar as dívidas trabalhistas. No período em que a administração da empresa esteve nas mãos da DX, mais de 70 funcionários foram demitidos, mas não chegaram a receber as verbas rescisórias. Também foram identificados o não recolhimento do FGTS e do INSS.
De acordo com Jorge Zouain, o objetivo é quitar todas as dívidas tanto com os empregados desligados quanto com os fornecedores. Mas, por enquanto, ele não deu detalhes de quando isso vai acontecer, já que primeiro precisa fazer um diagnóstico completo dos prejuízos e reorganizar a empresa.
“Gostaria de dizer que tomamos a posse e vamos dar continuidade, voltar aos trabalhos. Estamos ressuscitando das cinzas. Com garra, luta e coragem, vamos subir novamente e assumir o espaço do Santo Antônio”, afirmou o proprietário que, em vários momentos da entrevista, se emocionou.
Quando foi questionado se ele considera ter sido vítima de um golpe, ele preferiu não culpar ninguém nominalmente. “Não posso dizer que é golpe, sei que aconteceu que a gente não está recebendo”, afirmou Zouain ao relatar que recebeu apenas duas prestações do pagamento pela venda do negócio, que previa muitas outras parcelas, embora não tenha detalhado quantas.