Antes do dia clarear, o cheirinho de café toma conta das esquinas de Vitória. Enquanto a cidade dorme, vendedores ambulantes se espalham pelos cantos da capital capixaba para garantir a refeição matinal de muitos trabalhadores. Na agitação do cotidiano, as "padarias a céu aberto" são a opção ideal para o momento sagrado do dia — com pãezinhos, bolos, leite, achocolatado e, claro, o bom e estimulante cafezinho.
Além da fonte de renda, a convivência com os clientes possibilita que Flávio, Josevalda e Pedronira conheçam novas histórias a cada manhã. E a freguesia fiel garante a qualidade dos alimentos vendidos. Na visão dos ambulantes, o trabalho é uma forma de propagar o afeto, que vai como brinde no café da manhã. Veja vídeo:
Enquanto todo mundo estava dentro de casa durante a pandemia, Flávio Martins viu uma oportunidade de negócio na esquina da Rua Aleixo Neto com a Avenida Nossa Senhora da Penha. O local é estratégico, visto o fluxo de pessoas que passam por ali. Flávio diz que também alimenta a clientela com versículos bíblicos.
O sustento do lar motivou Josevalda Ferreira a montar a barraca de café. Conhecida por Val, ela é mãe solo de quatro filhos. Antes das quatro da manhã ela já está de pé, pronta para trabalhar. Para ter tempo de estar presente na vida dos filhos, Val, que era costureira profissional, montou a barraca.
Outra vendedora das "padarias a céu aberto" em Vitória é Pedronira Gomes. Ela era doméstica, mas há 22 anos começou a vender os quitutes na frente da Assembleia Legislativa do Espírito Santo. Ana produz pães, bolos e biscoitos caseiros, que são os preferidos da freguesia.