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Vinícius Valfré

Temer chega à reta final buscando boias de salvação política

Intervenção federal no Rio deve ser interpretada como uma busca desesperada por uma agenda positiva, agora que a reforma da Previdência subiu no telhado

Publicado em 21 de Fevereiro de 2018 às 15:44

Públicado em 

21 fev 2018 às 15:44
Vinícius Valfré

Colunista

Vinícius Valfré

vpereira@redegazeta.com.br

A ascensão de Temer à Presidência, em 2016, despertou nos mais entusiastas a esperança de que uma presidente politicamente incapacitada era substituída por um “estadista”. Ele entraria para a história como reformista, aquele que recolocaria o país nos trilhos. Contraditoriamente, chega à reta final buscando boias de salvação política.
A segurança pública fluminense é algo extremamente complexo que clama há anos por providências. No entanto, a intervenção federal no Rio, como e quando deflagrada, deve ser interpretada como uma busca desesperada por agenda positiva, agora que a reforma da Previdência subiu no telhado. Os sinais que chegam de Brasília não deixam dúvidas: trata-se de um plano improvisado. Mal os militares colocaram o pé na rua, o general do Exército contradisse o presidente ao avaliar que a situação do Rio nem é tão grave. Se de fato não é, o general deve, no mínimo, suspeitar que foi chamado para fazer cena.
Assumir o fracasso da reforma sem oferecer nada em troca deixaria Temer órfão. Afinal, as bruscas mudanças econômicas e administrativas eram o que de mais concreto o presidente se propunha a oferecer. Sem a reforma, o discurso perdeu lastro. Depois da sociedade, já arredia e insatisfeita com as mexidas nas aposentadorias, o mercado pode lhe virar as costas.
Nada melhor do que trocar uma agenda impopular por outra boa para ele mesmo. A maioria dos acuados pela criminalidade (quem não é?) não torcerá o nariz para o uso da força bruta. Bom seria se os complexos problemas do Rio fossem resolvidos assim. Particularmente, duvido que a segurança dos cidadãos do Rio melhore graças a um tapa-buraco político.
Está fresco na memória coletiva: Temer abriu os cofres públicos e distribuiu cargos para se livrar de denúncias, abrigou investigados e fez vista grossa para privilégios de corporações. Confirmado o fracasso da intervenção, ele não deixará dúvida de que “estadista” não era. Talvez esteja mais para um especialista em navegar no fisiologismo do PMDB. Ou para um “estancador de sangria”.
* O autor é repórter de Política de A GAZETA

Vinícius Valfré

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