Sair
Assine
Entrar

Entre para receber conteúdo exclusivo.
ou
Crie sua conta A Gazeta
Recuperar senha

Preencha o campo abaixo com seu email.

  • Início
  • Todas Elas
  • Cármen Lúcia diz que Judiciário ainda é machista e sexista e cobra ação contra matança de mulheres
Violência contra a mulher

Cármen Lúcia diz que Judiciário ainda é machista e sexista e cobra ação contra matança de mulheres

Ao receber homenagem, ministra do STF ressaltou as injustiças contra mulheres e a escalada de feminicídios
Agência FolhaPress

Publicado em 

09 dez 2025 às 10:03

Publicado em 09 de Dezembro de 2025 às 10:03

SÃO PAULO - A ministra do STF (Supremo Tribunal Federal), Cármen Lúcia, afirmou nesta segunda-feira (8) que o Judiciário ainda é conservador, machista e sexista.
"É preciso que a gente, cada vez mais, tenha ciência e sensibilidade para saber que nós temos mulheres de notável saber jurídico, com reputação elevada, e que querem, podem e devem contribuir para uma perspectiva verdadeiramente democrática e igualitária no Judiciário e no Supremo Tribunal Federal", afirmou a ministra ao receber a homenagem do ano do Prêmio Todas 2 Folha/Alandar.
A ministra Cármen Lúcia durante sessão na Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF)
A ministra Cármen Lúcia durante sessão na Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) Crédito: Marcelo Camargo/Agência Brasil
Na celebração, ela foi lembrada que atualmente é a única mulher no STF e, em toda a história do Brasil republicano, está entre as três representantes femininas. Além de Cármen Lúcia, também integraram a corte as ministras Ellen Gracie e Rosa Weber, já aposentadas.
Apesar de celebrar uma reunião composta majoritariamente por mulheres, com "imprensa livre e empresas comprometidas", a ministra ressaltou as injustiças contra mulheres e a escalada de feminicídios.
"No dia da Justiça, as injustiças contra mulheres no Brasil atingiram patamares que não é só de contrariedade ao direito, é de desumanidade, falta de civilidade, de indignidade", disse a ministra.
Nós precisamos tomar algumas atitudes, como sociedade, para que dê um basta nesta matança de mulheres. Não é mais possível que a gente continue assistindo mulheres sendo assassinadas, violentadas
Cármen Lúcia - Ministra do STF
"Neste ano, são quase 700 crianças órfãs e muitas delas viram seus pais, seus padrastos, companheiros das suas mães, mutilarem ou matarem na frente delas. Isto é, como eu disse, a negação da civilização. Isto é ato de barbárie".
Em discurso em que tentava ser positiva pelo reconhecimento do trabalho das mulheres, a ministra elencou ainda outras injustiças na representação feminina. Ela lembrou que as cotas foram criadas nos anos 1960 para minorias, mas as mulheres, que são 52% do eleitorado brasileiro, ainda são pouco representadas no Congresso.
"Nós temos a pior representação no Congresso Nacional em termos de números. Em termos de quantidade, nós somos uma das piores representações nas Américas", disse a ministra. Ela parafraseou o poeta Carlos Drummond de Andrade em comentário sobre o caso de Ângela Diniz. "Aquela moça continua sendo assassinada todo dia e de diferentes maneiras".
Carmén Lúcia falou ainda sobre a subrepresentação na tecnologia, tema do Prêmio Todas 2 deste ano, uma parceira da Folha de S.Paulo com a consultoria Alandar. "Acabamos de fazer uma das fases de auditagem das urnas eletrônicas e, das quase 140 propostas que apresentaram nesse ano, tinham apenas 13 mulheres", disse.
Presidente do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) no biênio 2024-2026, a ministra ressaltou a necessidade da imprensa livre durante as eleições do próximo ano e lamentou as fraudes nas cotas de gênero. Na homenagem, ela foi reconhecida por sua trajetória pública marcada pela defesa da democracia, igualdade e cidadania. "É preciso que nós continuemos juntas e, se há muitas lágrimas e muitas feridas a curar, é urgente que a gente faça isso juntas", disse.

Este vídeo pode te interessar

Viu algum erro?
Fale com a redação
Informar erro!

Notou alguma informação incorreta no conteúdo de A Gazeta? Nos ajude a corrigir o mais rapido possível! Clique no botão ao lado e envie sua mensagem

Fale com a gente

Envie sua sugestão, comentário ou crítica diretamente aos editores de A Gazeta

A Gazeta integra o

Saiba mais

Recomendado para você

Imagem de destaque
Bloqueio de Trump ao Irã é uma aposta arriscada. Vai funcionar?
Imagem de destaque
Quem é Alexandre Ramagem, delegado da PF e ex-deputado federal preso nos EUA
Imagem de destaque
Vestibular USP e Unicamp 2027: confira dicas práticas para se preparar desde já

© 1996 - 2024 A Gazeta. Todos os direitos reservados