A 2ª Mostra CineMarias, nesta quinta-feira (31), foi aberta com o painel “Depois da Lei Maria da Penha”. A primeira discussão do evento, que tem como tema principal “Corpos (in)Visíveis”, abordou sobre como fortalecer a rede de apoio para mulheres vítimas de violência doméstica após a denúncia.
"É uma conversa que traz construção, principalmente para que possamos passar para outras pessoas e fortalecer o movimento. É pensar proteger a mulher e que ela viva e sobreviva"
Elaine foi a mediadora da mesa, que contou com a presença da delegada Andréa Magalhães; Jacqueline Moraes, secretária de Estado de Políticas para as Mulheres do Espírito Santo; Rosely Maria da Silva Pires, professora e pesquisadora da Ufes; e Jucileia Santos Ribeiro, que, após sofrer violência doméstica por 14 anos, conseguiu há oito, sair da relação abusiva, denunciar o agressor e recomeçar.
Conversa entre setores
A Lei Maria da Penha existe há 17 anos, porém a ampliação dela é vista como necessária.
"Como nós, como sociedade, podemos ampliar a lei? Incentivamos a sair de casa, mas e depois? Eu sou vítima e não tenho que me esconder"
Apoio para sair da casa do agressor, suporte para acolher os filhos das vítimas, oferta de psicólogo e estudo são alguns dos aspectos necessários apresentados pelas convidadas da mesa.
A interdisciplinaridade entre os setores da sociedade é um dos principais meios para conseguir oferecer à mulher meios para recomeçar. “Nós no Fordan (projeto de extensão da Ufes de enfrentamento às violências), por exemplo, temos núcleo de saúde, jurídico, educação, entre outros. Tem que ter isso. A conversa entre diferentes setores possibilita uma grande incremento no combate à violência de gênero”, afirmou Rosely.
Além disso, a integração intersexual também é importante. Isso porque abrange os diferentes tipos de mulheres, como quilombolas, ciganas, indígenas, transexuais, para criação de políticas públicas e ações que alcancem todas elas.
Mostra CineMarias: Painel Depois da Lei Maria da Penha
Tipos de violência
Em 2022, o número de feminicídios caiu no Espírito Santo, com 22 mulheres assassinadas, contra 39 em 2021. Porém aumentou a quantidade de tentativas contra a vida das mulheres. A legislação é apontada pela delegada Andréa como importante no combate a esse crime, mas reforça a importância de mais conscientização.
"A lei não é punitiva, é protetiva e assistencial. Ajuda a mulher a romper o silêncio. As denúncias vêm do empoderamento e do conhecimento do que é violência. A dificuldade da mulher é identificar que sofre um tipo de violência. É necessário conscientizar sobre os tipos de violência"