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Dayse Barbosa Mattos, comandante da Guarda Municipal de Vitória morta pelo namorado Instagram guardadevitoria_dayse
Crime brutal

Dayse empoderava mulheres na luta contra a violência, mas foi morta pelo ex

Comandante da Guarda Municipal de Vitória foi brutalmente assassinada pelo ex-namorado na madrugada de segunda-feira (23)

Vinicius Zagoto

Repórter

vzagoto@redegazeta.com.br

Publicado em 27 de Março de 2026 às 12:47

Publicado em

27 mar 2026 às 12:47
Dayse Barbosa Mattos, comandante da Guarda Municipal de Vitória morta pelo namorado Crédito: Instagram guardadevitoria_dayse
Entre as inúmeras declarações compartilhadas nas redes sociais nos últimos dias sobre o feminicídio da comandante da Guarda de Vitória Dayse Barbosa Mattos, a da delegada Raffaella Almeida Aguiar foi uma das que repercutiram nacionalmente. Trata-se do recorte de uma entrevista em que ela comenta a investigação do crime e analisa a violência de gênero, que, no entendimento dela,não é sobre quem é a vítima, mas sim sobre quem é o homem.
“O caso foi tão emblemático porque mostra muito que não é quem é a vítima, porque ela é uma mulher forte, uma autoridade, mas sim a violência de gênero é sobre quem é o homem. Você vê uma comandante da Guarda Municipal sofrer essa violência mais gravosa, que é o feminicídio", disse.
“A posição de comando na Guarda Municipal talvez criasse a percepção de que Dayse poderia estar mais segura ou que sua patente a diferenciasse de outras mulheres. Mas o fato de seu então companheiro não ter se intimidado em matá-la a aproxima de outras tantas vítimas de violência de gênero no país, que são violentadas independentemente da condição social e econômica.”
Nas redes sociais, Dayse buscava empoderar outras mulheres, mas sua atuação não se restringia à internet. Na vida real, ela fazia questão de apoiar tantas outras. Foi por incentivo dela, por exemplo, que a amiga Franciany Pimenta tomou coragem de fazer o concurso para a Guarda Municipal de Vitória. "Começamos em 2012, fizemos todas as etapas juntas e fomos da mesma turma", relembra.
Em casa, sem a farda, a preocupação continuava, mas era com o futuro da filha, hoje com 8 anos. "Desde que a conheci, o maior sonho dela era ser mãe de uma menina. Engravidou e me fez o convite para batizá-la", conta Franciany Pimenta.
Dayse era uma mulher determinada, empoderada, corajosa, independente, uma verdadeira fortaleza para aqueles que estavam com ela
Franciany Pimenta - Guarda municipal
Essa determinação fez com que Dayse chegasse ao posto de comandante da Guarda, sendo a primeira mulher a ocupar essa posição na Capital em mais de 20 anos de existência da instituição.
Nas horas após a sua morte, muitos ficaram chocados com a brutalidade com que tudo ocorreu e com a dimensão do crime. Afinal, como analisou a delegada Raffaella Almeida Aguiar, nem a posição dela enquanto comandante a afastou do feminicídio.
Assim como outras tantas outras  mães, Dayse trabalhava incansavelmente em busca de dar um futuro melhor para a filha. A violência sofrida por ela enquanto mulher evidencia que não dá para saber quando episódios assim deixarão de ocorrer.
A única certeza é que ela se tornou símbolo de uma luta para que outras mulheres não passem pelo mesmo e para que meninas, como sua filha, tenham um mundo mais seguro, sem feminicídio.

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