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Crime brutal

Filha de mulher morta por vizinho na Serra também perdeu o pai assassinado

Menina de 5 anos fazia acompanhamento psicológico para lidar com o luto; a mãe dela, Edna Barretto Santos, foi vítima de seis facadas

Publicado em 16 de Março de 2023 às 16:29

Redação de A Gazeta

Publicado em 

16 mar 2023 às 16:29
A filha de Edna Barretto Santos, mulher morta a facadas por um vizinho na Serra, agora é órfã de pai e de mãe. Isso porque, em 2021, a menina também perdeu o pai assassinado. De acordo com a tia da criança, a garota, de 5 anos, fazia acompanhamento psicológico desde que o pai se foi. Até a tarde desta quinta-feira (16), ela ainda não sabia sobre o crime brutal que aconteceu no bairro Feu Rosa, nesta quarta-feira (15), quando o vizinho atacou e deu seis facadas em Edna.
A irmã de Edna pediu para não ser identificada, mas disse à reportagem de A Gazeta que a sobrinha passava por tratamento por não aceitar a morte do pai. Desde 2021, Edna morava sozinha com a filha, e as duas eram muito apegadas. 
"A menina (filha de Edna) não sabe ainda que a mãe morreu, não pode contar porque ela entra em desespero, porque ela não vive sem a mãe dela, não fica dez minutos sem a mãe dela", afirmou a irmã de Edna. 

O crime

Edna Barretto Santos, de 36 anos, foi atacada e morta a facadas por Gabriel Felipe Campos, de 28 anos, dentro do apartamento dele, na tarde de quarta-feira (15), em Feu Rosa, na Serra.
A irmã contou que soube do caso quando a sobrinha ligou para ela perguntando da mãe. "Perguntei onde a minha sobrinha estava e ela disse: ‘Estou com a minha avó’. E eu disse que ela (irmã) estaria trabalhando, porque fez uma entrevista e pedi para falar com a avó", relembrou.
A sogra de Edna contou por telefone que a vítima não estava trabalhando e não foi buscar a criança após as aulas durante a tarde. "Quando cheguei na esquina (da casa da irmã) já tinha um monte de polícia, o Samu e já torci para não ser ela. Falei: ‘Não, tomara que não seja na casa dela’ e, quando virei, era em frente a casa dela.

Vizinho atraiu Edna

De acordo com apuração do repórter Eduardo Dias, da TV Gazeta, o crime aconteceu em um prédio residencial. Testemunhas contaram que Edna morava no terceiro andar, e o suspeito no primeiro.
Edna Barretto Santos, de 36 anos, foi assassinada pelo vizinho, Gabriel Felipe Campos, de 28 anos, na Serra
Edna Barretto Santos, de 36 anos, foi assassinada pelo vizinho, Gabriel Felipe Campos, de 28 anos, na Serra Crédito: Redes sociais
Para atraí-la, ele pediu ajuda, dizendo que a esposa estava passando mal. Quando ela entrou para tentar prestar algum auxílio, foi capturada e levou seis facadas.
Após fazer a primeira vítima, o suspeito chamou uma vizinha do segundo andar, também com a história de que a esposa estava passando mal. Quando ela chegou na porta, ele a puxou pelo pescoço, mas a moça conseguiu escapar e gritou por ajuda. Ainda segundo testemunhas, quando a segunda vítima pediu socorro a vizinhos, o suspeito se trancou em casa e tomou vários remédios.
Por nota, a Polícia Militar informou que os militares conseguiram acessar o interior da residência por uma janela e visualizaram em cima de uma cama o corpo da mulher, ensanguentado.
"Já o homem estava caído no chão desacordado e com vários remédios ao lado do corpo e pinos de cocaína. No local, foram apreendidas uma faca e uma tesoura, também sujas de sangue", disse a corporação. O suspeito foi socorrido pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu/192) até um hospital da região.
Ainda de acordo com a Polícia Militar, o Samu atestou o óbito da mulher de 36 anos e socorreu o acusado para o Hospital Estadual Dr. Jayme Santos Neves, sob escolta. A corporação informou que testemunhas relataram que populares teriam agredido o acusado, que retornou para o interior do imóvel, onde foi encontrado desacordado. A perícia foi acionada e a ocorrência foi encaminhada à Polícia Civil.
A Polícia Civil informou que o suspeito de 28 anos foi autuado em flagrante por "homicídio qualificado mediante dissimulação ou outro recurso que dificulte ou impossibilite a defesa do ofendido, cometido contra a mulher por razões da condição de sexo feminino (feminicídio) e tentativa de homicídio qualificada por motivo fútil, cometido contra a mulher por razões da condição de sexo feminino (tentativa de feminicídio)".
Ele segue internado sob escolta no hospital e será encaminhado ao sistema prisional assim que receber alta médica, segundo a corporação. A Secretaria de Estado da Justiça (Sejus) afirmou, na tarde desta quinta, que Gabriel continuava internado sob escolta.

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