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Violência contra a mulher

Morta pelo companheiro, Marília não recusava trabalho para criar os sete filhos

Vendedora, cuidadora de idosos, diarista, catadora de latinha, zeladora de túmulos: Marília das Graças Mendes, de 50 anos, aceitava todo tipo de serviço pela família, como lembra filha; suspeito foi preso um dia após o crime
Beatriz Caliman

Publicado em 

09 jan 2026 às 14:38

Publicado em 09 de Janeiro de 2026 às 17:38

Marília das Graças Mendes, de 50 anos, era mãe de sete filhos
Marília das Graças Mendes, de 50 anos, era mãe de sete filhos Crédito: Arquivo da família
Alegria, dedicação ao trabalho e ao bem dos filhos. É assim que Marília das Graças Mendes, de 50 anos, é descrita e será lembrada pelos seus sete filhos. Vendedora em uma banca na região central de Cachoeiro de Itapemirim, Sul do Espírito Santo, foi assassinada pelo companheiro na última segunda-feira (5), na localidade de Burarama, no interior do município. O suspeito, Mauro Sergio Delfino da Silva, de 48 anos, foi preso na noite de terça-feira (6) e confessou o crime.
Marília das Graças Mendes nasceu em Castelo, também na Região Sul capixaba, e, ainda jovem, mudou-se com a família para a cidade vizinha de Cachoeiro. Uma de suas filhas, Mayara Mendes, lembra que a mãe sempre trabalhou muito para cuidar dela e dos irmãos.
Ela atualmente vendia doces e água no Guandu, em Cachoeiro. Mas já cuidou de idosos, trabalhou como diarista, ia para a praia no verão catar latinhas; em Finados, limpava túmulos. Era um exemplo de coragem e trabalho. Fazia o que estava ao seu alcance, e até fora dele, para ajudar os filhos e os netos
Mayara Mendes - Filha da vítima 
Além de cuidar dos filhos, Marília também se dedicou aos cuidados de uma filha acamada de Mauro Sérgio até o falecimento dela.  Segundo Mayara, a mãe decidiu passar a morar com ele, em Burarama, há cerca de três anos. Atualmente, vivia com dois dos filhos — um adolescente de 15 anos e um jovem de 24 anos, frutos de outro relacionamento. Os dois, segundo a família, ajudavam nas vendas. 
“Tentei tirar minha mãe de lá duas vezes, ao saber que ela sofria agressões e ameaças, mas ela voltou. Ele está preso, mas nenhuma pena vai fazer pagar o que fez. Lá, ele está comendo e dormindo, e nós não temos mais ela. Quando passo pelo local onde trabalhava, fico me recordando dela vendendo os produtos. Isso, o trabalho, ela sempre ensinou para mim e para meus irmãos. Era uma guerreira”, disse a filha.
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